Ainda sobre a criança que há em mim...
Desde pequena que não consigo deixar de personificar os objectos que me circundam e dar-lhes sentimentos e sensações humanas. Havia sempre o mamarracho do boneco horroroso que tinha sido oferecido, que me fazia chorar por pensar o quão infeliz devia ser por ter tamanho desfortunio... Por isso fazia sempre questão de o incluir nas brincadeiras com os restantes, não deixando de nutrir pena pelo pequeno.
Agora cresci e confesso que não mudei muito a este respeito. O sentimento de tristeza para com os potenciais sentimentos das "coisas" continua a afligir-me.
É por isso que hoje me sinto triste. Provavelmente vão achar uma parvoice, talvez um profundo (des)equilíbrio, mas acho que hoje o meu carro está super triste. Ele deve gostar imenso de nós, demos-lhe uma família, animação, migalhas, vomitados, cocós, xixis, folhinhas e outras porcarias, mas era acarinhado! Só que deixou de dar para todos porque simplesmente deixámos de lá caber... foi esta falta de segurança e conforto que nos empurrou para a decisão difícil: temos que mudar de carro! Não foi nada fácil... Foi muito ponderado, muito ensaiado, muito estudado e obrigou de novo a muito jogo de cintura.
Recebi há pouco a notícia que temos esperado: "o seu carro novo já está pronto". E em vez de euforia só me apeteceu chorar... Isto também significa que teremos que deixar o nosso amiguinho. É um sentimento inevitável... e pega-se. Hoje quando deixei as meninas no colégio expliquei que era possível que tivéssemos que nos despedir do carro. Houve silêncio no cubículo. A M disse por fim "acho que o carro vai ficar triste". Novo silêncio. E a C saiu do carro e abraçou-se à roda traseira dizendo "gosto muito do nosso carro" (OMG! Ficou tão nojenta! Tive que me torcer toda para não estragar este momento tão profundo e sentido...). Pronto, e agora cabe-me esta difícil tarefa de ir lá deixar o nosso menino sem derramar uma lágrima que seja, para não fazer figuras (muito) tristes 😔 Acho que é desta que não ponho nome ao carro para não me apegar tanto!
Será que há mais gente por aí com esta patologia??? Ou serei só eu...? 😭😭😭
sexta-feira, 28 de julho de 2017
terça-feira, 25 de julho de 2017
Vamos a contas: 6 anos
Ora, 6 anos, 3 filhos, 1 doutoramento (de cada), 3 casas, (quase) 3 carros, o mesmo gato, montes de cabelos brancos e rugas acabadas de chegar... muita gritaria, discussões, vontade de arrancar olhos e socar estômagos.
Mas também há coisas boas! 6 anos de muitos sorrisos, muitas gargalhadas, muitos beijinhos e muito amor!
Uma coisa é certa: ao longo destes anos houve muito muito jogo de cintura! E foi assim que ontem, exactamente no dia em que comemorámos os nossos 6 anos de casados, nos pusemos à prova mais uma vez!
Todos os anos tentamos fazer um programa em família inesquecível! Este ano, pela contenção de despesas, por andarmos a roçar a ilegalidade de assentos infantis dentro do carro e pela presença do Sr júnior, decidimos fazer um programa mais light: iniciar a praia em familia 2017, almoçar fora em qualquer sítio eficiente, e próprio a crianças em transe (sem ser McDonalds), andar de carro o tempo suficiente para dormirem qualquer coisa, voltar para Lx antes do resto do mundo e eventualmente terminar com um programinha cultural ou lanche. Perfeito! 👌
Só que não... não fossemos nós a família que somos 🙄 Então foi assim:
Depois de uma maratona heróica que nos permitiu sair de casa cerca de 2h30 depois de termos acordado, rumámos ao sol da Costa com uma enorme esperança de não ficarmos parados nas filas loucas ou de termos que deixar o carro a kms do passadiço. Estranhamente nenhuma das duas coisas aconteceu e cheguei a pensar por momentos que os astros se tinham alinhado para que tudo corresse bem. Todo o carro respirava harmonia ao som das músicas infantis mais pedidas.
Estávamos tão zen que nem esmorecemos quando chegámos à praia e percebemos que dificilmente conseguiríamos manter as toalhas intactas no chão. Fingimos nem ligar à temperatura da água que nos congelava o cérebro ao molharmos os pés, nem tão pouco aos kilos de areia que tentávamos não comer tal aventania que se fazia sentir. Talvez o primeiro momento em que senti tremores no sobrolho foi quando, apesar dos meus esforços para manter o Manel intacto, vi alguém (uma delas mas ninguém se acusou) despejar um balde de areia mesmo na direção do bebé. Posso dizer-vos que ainda ando a encontrar areias nas orelhas do desgraçado...
Esforçando o sorriso "família alegre" mantivemo-nos até que as pás deixaram de ser divertidas. Nessa altura pusemos fim àquele momento e rumámos ao próximo passo: comer. Não tínhamos pensado em nada, mas com medo que nos desse a fraqueza que nos empurraria para o Mac de Corroios decidi que tentaríamos qualquer restaurante no centro da Costa (até porque demorar mais poderia pôr em causa as condições de exequibilidade). Foi este o momento em que os astros foram também almoçar... Com receio de não encontrarmos lugar em lado nenhum, estacionámos no primeiro sítio que encontrámos. Rapidamente ficámos a saber que este distava cerca de km e meio do restaurante... Não esmorecemos mas chegámos rotos, já com alguns tiques nervosos, mas ainda de sorriso nos lábios: íamos almoçar num restaurante normal! Só que entre a agitação inicial da chegada, dos xixis e da escolha do menu, a pressão fez com que optámos provavelmente por uma das piores opções: arroz de marisco (à seria!). Não vos vou maçar aos pormenores, mas hoje sabemos que pernas de santolas, martelos, lagosta, e afins, juntamente com 3! crianças em hora de sesta dá uma indigestão do caraças. Já os senhores do restaurante agradeceram o chão limpinho limpinho pelas roupas das nossas filhas. Ok! Assim que conseguimos zarpámos dali para fora rapidinho antes que se iniciasse a 5ª birra da tarde intitulada "eu não quero ir para o carro" (antes houve a "eu não quero ir fazer xixi", "eu quero mais sumo", "eu quero sobremesa", "eu não quero estar mais na mesa"). Mas... ainda faltava o tal km e meio (lembram-se?), então pusemos os putos às costas (bendito babywearing) e toca a bufar até ao carro... O resto foi rápido! De bofos de fora, enfiámos toda a malta nas cadeiras (ignorando protestos...) e iniciámos a 3ª parte do plano: andar sem rumo para as crianças dormirem. Ah!!! Que bom... Momento do casal em que não há barulho e metemos a conversa em dia. Só faltou um pequeno pormenor: o Manel não comeu arroz, e com toda a agitação e precipitação não me lembrei que ele pudesse estar prestes a ter fome. Ou seja, fomos agradavelmente presenteados com uma gritaria medonha até conseguirmos sair da auto-estrada e encontrar um lugarzinho para parar o carro e dar de mamar. Mas já foi tarde, tarde demais, porque as restantes habitantes do cubículo foram terrivelmente acordadas do seu sono reparador, 30 minutos depois de o terem iniciado... mau! Muito mau! Foi o início de todo um momento mau... o Manel decidiu que ficaria mal disposto na hora e meia que se seguiu, as meninas decidiram que iriam fazer birras porque tinham fome, ou sono, ou tudo junto, o marido que decidiu voltar para trás no caminho e enfiar-se na (agora) gigante fila da A2 para a ponte, e estava "a barraca montada"... Tivemos que parar N vezes (na berma), ao ponto de chegarmos a ser escoltados pela brisa, que esteve pacientemente à espera que o Manel mamasse pela 183633 vez, enquanto a C chorava pela sua mochila, e a M insistiria que queria irá para a rua (auto-estrada portanto!) para comprarmos alguma coisa para ela comer. Estão a ver os filmes de terror? Pois, foi mais ou menos isso! Tudo me passou pela cabeça... até que rosnei: "não dá para ir de barco???" E não é que dava mesmo?! Em 30 minutos iria sair da Trafaria o ultimo barco que transporta carros para Lisboa. 30 minutos era o que tínhamos! Escusado será dizer que nem pensámos duas vezes. Prego a fundo rumo à Trafaria. Até transpirei... mas quando chegámos: "o barco está atrasado. Só daqui a 1h". Que se lixe! Depois do que já tínhamos passado era mil vezes preferível esperar e fazer um lanche forçado de gelados. Depois foi só inventar macacadas para distrair e entreter as miúdas durante a espera e garantir que não se mandavam borda fora no barco... Mesmo assim, passado o entusiasmo inicial, as birras foram tão grandes que acabámos exilados no carro a discutir uns com os outros.
Sinceramente foi um dia intenso, diria até inesquecívelmente intenso!, e quando os vi na cama, quando ME vi na cama, julguei que era mentira... mas no fundo acho que acabou por figurar bem O casamento em si, e no fim o que interessa é que com mais ou menos moça, tudo acabou bem ❤️
Mas também há coisas boas! 6 anos de muitos sorrisos, muitas gargalhadas, muitos beijinhos e muito amor!
Uma coisa é certa: ao longo destes anos houve muito muito jogo de cintura! E foi assim que ontem, exactamente no dia em que comemorámos os nossos 6 anos de casados, nos pusemos à prova mais uma vez!
Todos os anos tentamos fazer um programa em família inesquecível! Este ano, pela contenção de despesas, por andarmos a roçar a ilegalidade de assentos infantis dentro do carro e pela presença do Sr júnior, decidimos fazer um programa mais light: iniciar a praia em familia 2017, almoçar fora em qualquer sítio eficiente, e próprio a crianças em transe (sem ser McDonalds), andar de carro o tempo suficiente para dormirem qualquer coisa, voltar para Lx antes do resto do mundo e eventualmente terminar com um programinha cultural ou lanche. Perfeito! 👌
Só que não... não fossemos nós a família que somos 🙄 Então foi assim:
Depois de uma maratona heróica que nos permitiu sair de casa cerca de 2h30 depois de termos acordado, rumámos ao sol da Costa com uma enorme esperança de não ficarmos parados nas filas loucas ou de termos que deixar o carro a kms do passadiço. Estranhamente nenhuma das duas coisas aconteceu e cheguei a pensar por momentos que os astros se tinham alinhado para que tudo corresse bem. Todo o carro respirava harmonia ao som das músicas infantis mais pedidas.
Estávamos tão zen que nem esmorecemos quando chegámos à praia e percebemos que dificilmente conseguiríamos manter as toalhas intactas no chão. Fingimos nem ligar à temperatura da água que nos congelava o cérebro ao molharmos os pés, nem tão pouco aos kilos de areia que tentávamos não comer tal aventania que se fazia sentir. Talvez o primeiro momento em que senti tremores no sobrolho foi quando, apesar dos meus esforços para manter o Manel intacto, vi alguém (uma delas mas ninguém se acusou) despejar um balde de areia mesmo na direção do bebé. Posso dizer-vos que ainda ando a encontrar areias nas orelhas do desgraçado...
Esforçando o sorriso "família alegre" mantivemo-nos até que as pás deixaram de ser divertidas. Nessa altura pusemos fim àquele momento e rumámos ao próximo passo: comer. Não tínhamos pensado em nada, mas com medo que nos desse a fraqueza que nos empurraria para o Mac de Corroios decidi que tentaríamos qualquer restaurante no centro da Costa (até porque demorar mais poderia pôr em causa as condições de exequibilidade). Foi este o momento em que os astros foram também almoçar... Com receio de não encontrarmos lugar em lado nenhum, estacionámos no primeiro sítio que encontrámos. Rapidamente ficámos a saber que este distava cerca de km e meio do restaurante... Não esmorecemos mas chegámos rotos, já com alguns tiques nervosos, mas ainda de sorriso nos lábios: íamos almoçar num restaurante normal! Só que entre a agitação inicial da chegada, dos xixis e da escolha do menu, a pressão fez com que optámos provavelmente por uma das piores opções: arroz de marisco (à seria!). Não vos vou maçar aos pormenores, mas hoje sabemos que pernas de santolas, martelos, lagosta, e afins, juntamente com 3! crianças em hora de sesta dá uma indigestão do caraças. Já os senhores do restaurante agradeceram o chão limpinho limpinho pelas roupas das nossas filhas. Ok! Assim que conseguimos zarpámos dali para fora rapidinho antes que se iniciasse a 5ª birra da tarde intitulada "eu não quero ir para o carro" (antes houve a "eu não quero ir fazer xixi", "eu quero mais sumo", "eu quero sobremesa", "eu não quero estar mais na mesa"). Mas... ainda faltava o tal km e meio (lembram-se?), então pusemos os putos às costas (bendito babywearing) e toca a bufar até ao carro... O resto foi rápido! De bofos de fora, enfiámos toda a malta nas cadeiras (ignorando protestos...) e iniciámos a 3ª parte do plano: andar sem rumo para as crianças dormirem. Ah!!! Que bom... Momento do casal em que não há barulho e metemos a conversa em dia. Só faltou um pequeno pormenor: o Manel não comeu arroz, e com toda a agitação e precipitação não me lembrei que ele pudesse estar prestes a ter fome. Ou seja, fomos agradavelmente presenteados com uma gritaria medonha até conseguirmos sair da auto-estrada e encontrar um lugarzinho para parar o carro e dar de mamar. Mas já foi tarde, tarde demais, porque as restantes habitantes do cubículo foram terrivelmente acordadas do seu sono reparador, 30 minutos depois de o terem iniciado... mau! Muito mau! Foi o início de todo um momento mau... o Manel decidiu que ficaria mal disposto na hora e meia que se seguiu, as meninas decidiram que iriam fazer birras porque tinham fome, ou sono, ou tudo junto, o marido que decidiu voltar para trás no caminho e enfiar-se na (agora) gigante fila da A2 para a ponte, e estava "a barraca montada"... Tivemos que parar N vezes (na berma), ao ponto de chegarmos a ser escoltados pela brisa, que esteve pacientemente à espera que o Manel mamasse pela 183633 vez, enquanto a C chorava pela sua mochila, e a M insistiria que queria irá para a rua (auto-estrada portanto!) para comprarmos alguma coisa para ela comer. Estão a ver os filmes de terror? Pois, foi mais ou menos isso! Tudo me passou pela cabeça... até que rosnei: "não dá para ir de barco???" E não é que dava mesmo?! Em 30 minutos iria sair da Trafaria o ultimo barco que transporta carros para Lisboa. 30 minutos era o que tínhamos! Escusado será dizer que nem pensámos duas vezes. Prego a fundo rumo à Trafaria. Até transpirei... mas quando chegámos: "o barco está atrasado. Só daqui a 1h". Que se lixe! Depois do que já tínhamos passado era mil vezes preferível esperar e fazer um lanche forçado de gelados. Depois foi só inventar macacadas para distrair e entreter as miúdas durante a espera e garantir que não se mandavam borda fora no barco... Mesmo assim, passado o entusiasmo inicial, as birras foram tão grandes que acabámos exilados no carro a discutir uns com os outros.
Sinceramente foi um dia intenso, diria até inesquecívelmente intenso!, e quando os vi na cama, quando ME vi na cama, julguei que era mentira... mas no fundo acho que acabou por figurar bem O casamento em si, e no fim o que interessa é que com mais ou menos moça, tudo acabou bem ❤️
quinta-feira, 20 de julho de 2017
Receber a mastite de braços abertos...
... até porque não os conseguia fechar porque o durão é mesmo por baixa da axila!
E foi assim que ao 3º bebé, e 3ª amamentação, preencho esta mancha no meu repertório. Não que tenha alguma culpa no cartório, na verdade acho que a culpa foi dos pesos que levantei ontem na aula de ginástica, mas ainda assim achamos que só acontece aos outros.
E apesar de dizer o tratamento e procedimento na ponta da língua a quem me questiona, chega a mim própria e o cérebro dá um nó! Sei identificar claramente o que tenho, a dor, o vermelho, o quente, o durão, o mau estar, a prostração, os calafrios e por ultimo a febre! Mas só me ocorre questionar o antibiótico ao médico. Felizmente tenho a quem recorrer e que me lembra do gelo, das couves, do duche, do quente e das massagens. Sim, porque também já dei de mamar a testar o mamasutra 🙄
Agora é esperar que passe e seguir à risca todas as recomendações...
E foi assim que ao 3º bebé, e 3ª amamentação, preencho esta mancha no meu repertório. Não que tenha alguma culpa no cartório, na verdade acho que a culpa foi dos pesos que levantei ontem na aula de ginástica, mas ainda assim achamos que só acontece aos outros.
E apesar de dizer o tratamento e procedimento na ponta da língua a quem me questiona, chega a mim própria e o cérebro dá um nó! Sei identificar claramente o que tenho, a dor, o vermelho, o quente, o durão, o mau estar, a prostração, os calafrios e por ultimo a febre! Mas só me ocorre questionar o antibiótico ao médico. Felizmente tenho a quem recorrer e que me lembra do gelo, das couves, do duche, do quente e das massagens. Sim, porque também já dei de mamar a testar o mamasutra 🙄
Agora é esperar que passe e seguir à risca todas as recomendações...
domingo, 9 de julho de 2017
Sem ele...
Não te digo adeus, porque quero muito que voltes... não te digo adeus, porque não gosto de despedidas!
E mais uma vez me ponho à prova. Me pões à prova. Serei capaz de superar isto, de me superar. Mas detesto. Destesto quando não estás aqui, quando fico sozinha, quanto te sinto longe. Fomos, somos e seremos sempre ciganos. Não fomos feitos para estar separados!
Vou contar todas as horas de superação. Já o fiz antes mas agora é a primeira vez. Não tenho mãos que cheguem e tenho medo nos olhos. Tenho sempre. Elas também sentem, mas pedem-me o que não sei dar, o que me custa também. Farei o meu melhor, mesmo que não seja o suficiente!
Até já...
E mais uma vez me ponho à prova. Me pões à prova. Serei capaz de superar isto, de me superar. Mas detesto. Destesto quando não estás aqui, quando fico sozinha, quanto te sinto longe. Fomos, somos e seremos sempre ciganos. Não fomos feitos para estar separados!
Vou contar todas as horas de superação. Já o fiz antes mas agora é a primeira vez. Não tenho mãos que cheguem e tenho medo nos olhos. Tenho sempre. Elas também sentem, mas pedem-me o que não sei dar, o que me custa também. Farei o meu melhor, mesmo que não seja o suficiente!
Até já...
sábado, 1 de julho de 2017
Versatilidade! (Ou super mãezice)
Os meus filhos já se adaptaram muito bem ao horário da praia, pelo menos ao fim de semana... Ainda não eram 8h da manhã e já tinha 6 "pisca-pisca" a olhar para mim (embora eu estivesse teimosamente a tentar persuadi-los com os meus fechados).
Não há volta a dar. Levantamos-nos todos e vamos para baixo. Entre pequeno-almoço e umas brincadeiras, o tempo corre depressa e passamos a acelerar. Tomo eu banho, e ainda tenho a toalha na cabeça e já estou a dar lugar ao pai. O bebé chora de fome, as meninas já estão na loucura e ainda é preciso arranjá-las e arrumar tudo! Mas sem stress! Eu consigo! Como o pai é "menina" vai demorar no banho... vou aproveitar para dar de mamar enquanto coso as sapatilhas do Ballet, lhes dou instruções para se vestirem, penteio os cabelos e ralho para arrumarem os brinquedos! Tão bom ser mulher 😍
Não há volta a dar. Levantamos-nos todos e vamos para baixo. Entre pequeno-almoço e umas brincadeiras, o tempo corre depressa e passamos a acelerar. Tomo eu banho, e ainda tenho a toalha na cabeça e já estou a dar lugar ao pai. O bebé chora de fome, as meninas já estão na loucura e ainda é preciso arranjá-las e arrumar tudo! Mas sem stress! Eu consigo! Como o pai é "menina" vai demorar no banho... vou aproveitar para dar de mamar enquanto coso as sapatilhas do Ballet, lhes dou instruções para se vestirem, penteio os cabelos e ralho para arrumarem os brinquedos! Tão bom ser mulher 😍
quinta-feira, 29 de junho de 2017
Ser o pai do menino
Hoje estamos em festa! O papá faz anos, uns anos daqueles mesmo marcantes! Quase com direito a livro de memórias...
E por isso este post é dedicado a ele. Afinal o papá está a gostar imenso de ser pai de menino. Se já era todo baboso com as princesas, agora juntou baba ao bebé Manel.
É verdade que uma boa parte disso se deve ao facto de ambos acharmos que só ao 3º é que estamos mesmo a aproveitar em pleno, sem stresses, o bebé pequenino. Na primeira tudo é um stress, uma ansiedade, uma novidade, uma mudança abissal na vida de todos nós: o choque de passar a assumir o papel de pai! Acho que a palavra que mais caracteriza é Medo!
A segunda veio em circunstâncias especiais: não foi planeada e ao nascer com uma malformação carregou todo o momento de preocupação e aflição. Foi muito difícil emocionalmente para ambos. A palavra de ordem da segunda poderá passar por Angústia!
Agora o terceiro, embora não planeado, já era desejado. E apesar da gravidez difícil, conseguimos ultrapassar e viver as coisas da melhor forma (e serenamente). O bebé é também resultado disso mesmo, por isso a palavra do terceiro é provavelmente Serenidade!
Mas fora a multiplicidade, o papá está a descobrir algumas coisas às quais acha mesmo piada. Ter um compincha, ou "com pila" (para não dizer outra coisa) está a ser uma vivência engraçada. Ele sente-se nitidamente orgulhoso por mudar a fralda e mexer nos "preparos" com muito mais à vontade do que eu! Pega e puxa e estica... e perante o meu olhar de horror ele diz triunfante "isto não dói nada! Não percebes nada disto!". Acho que se está a vingar de todas as vezes que lhe ralhei por limpezas erróneas...
Depois há qualquer coisa de fantástico em instruir um novo membro da família na derradeira condição de homem. Em conversas apelidadas de "homem para bebé" já ouvi ensinamentos como "bebé, aprende! Nós não valemos nada. Os das outras é que são bons, e nunca fazemos nada suficientemente bem! Ah, e elas é que têm sempre razão... Ehehehhhh!" (Juro que não entendo as risadas que dá)...
Por fim, noto um grande sentido de responsabilidade em apurar e estimular a "machesa" deste novo homenzinho. Surgem frequentemente comentários (deprimentes) referentes à parte "mais importante do corpo masculino", tais como (a mudar a fralda) "Manel, isso está muito em baixo! O papá vai mostrar-te umas bebés nuas para ver se isso arrebita...", e farta-se de rir quando o Manel se prepara em riste para lançar uma xixizada pelo ar, assim que se abre a fralda. Mas não se fica por aqui... A referência a bebés nuas é usada para tentar persuadir às boas noites de sono, aos bons comportamentos, ou porque sim, para fazerem massagem a seguir ao banho. E ainda um tema controverso: "Com esses olhos quero que tragas muitas namoradas cá a casa, ouviste? Vais ser o orgulho do teu pai!" (Em compensação, está sempre a reforçar a ideia do convento e da caçadeira quando se fala nos namorados das meninas...)!
Pronto, e é isto! Há mais uns quantos comentários (igualmente redutores) que oiço diariamente, sempre acompanhados de umas gargalhadas. Pelo menos dá-lhe para rir... Já não me bastava andar a aperfeiçoar os filhos dos outros, ainda vou ter trabalho redobrado a educar um homem de jeito!
terça-feira, 27 de junho de 2017
Os dias das bruxas
Esta vida nova que tem que se lhe diga...
Se há fases melhorzinhas também há as que se vivem aos tropeções, com a lágrima a ameaçar, sem paciência, de empurrão... São as noites que são curtas, ou cortadas a preceito, é a mama sem descanso e o bebé que chora. Aqueles momentos só nossos que ansiamos às escondidas, aquele revirar de olhos quando o ouvimos (de novo) chorar. E a culpa... a culpa do que se está a sentir!
Mas não só! A praia que começou, as rotinas que mudam. A manhã começa cedo, e encurta o que já é pequeno, começa-se o dia em gritaria, ameaças, correrias. Não há tempo, vamos embora. Não esquecemos o beijinho mas foi rápido, demasiado rápido e sem encenos. Logo compensamos.
E o dia mal começou, a noite nem acabou, e já estamos em stress. É hora de dar de mamar, de arrumar ou tratar de alguma coisa. Conto os dias que estou para "tratar das coisas". Não me lembro da última mensagem que não começa com "desculpe o atraso...". E o dia passa sem darmos conta, e já é hora de as ir buscar. E sinto-me triste! Tenho tantas saudades delas, mas não me apetece... não me apetece o que vem depois! É tão difícil, estou tão cansada...
Vamos, vamos mais cedo porque antevemos como estão cansadas, como precisam que lhes antecipemos as rotinas. Mas elas vêm com demasiada energia, uma energia estranha e descontrolada. E rapidamente estamos de novo a correr, em gritaria, porque não se faz, porque é preciso tomar banho, e vestir, e rápido!, porque devem comer sossegadas, e sem ser com as mãos, e sem dizer coisas patetas nem ser mal criado, e é preciso fazer cocó e lavar os dentes, mas como deve de ser e não à pressa... E isto entre mamadas, entre horas das bruxas... E de repente todas aquelas horas são horas das bruxas!
E ainda falta o dormir. O processo é controlado e já está bem treinado. Fico eu a adormecer porque elas ficam mais calmas... mas o bebé chora, e chora mais ainda! Mas como é possível se ainda há uns dias ele adormecia tão bem!?! E eu tenho que ir, triste e contrariada. Deixo as princesas para trás e oiço as birras, os gritos e a chamarem por mim. E de repente fico irritada com o bebé porque não é justo, porque a culpa é dele, de precisar de mim. Elas também precisam de mim! E depois choro, e culpo-me de ter sequer pensado coisa tão ridícula...
Mas e então as brincadeiras? Essas? Ficaram por brincar. Os risos ficaram por dar. Mas pior, os abraços e miminhos ficaram contidos. Não houve tempo. E agora dormem e não as quero acordar... E volto a sentir-me triste! Gosto tanto deles! Tenho saudades do tempo em que tinha tempo...
Guardo todo o meu amor e carinho para aqueles dias que virão, mais calmos.
Porque sei que vêm... só não sei quando...
Se há fases melhorzinhas também há as que se vivem aos tropeções, com a lágrima a ameaçar, sem paciência, de empurrão... São as noites que são curtas, ou cortadas a preceito, é a mama sem descanso e o bebé que chora. Aqueles momentos só nossos que ansiamos às escondidas, aquele revirar de olhos quando o ouvimos (de novo) chorar. E a culpa... a culpa do que se está a sentir!
Mas não só! A praia que começou, as rotinas que mudam. A manhã começa cedo, e encurta o que já é pequeno, começa-se o dia em gritaria, ameaças, correrias. Não há tempo, vamos embora. Não esquecemos o beijinho mas foi rápido, demasiado rápido e sem encenos. Logo compensamos.
E o dia mal começou, a noite nem acabou, e já estamos em stress. É hora de dar de mamar, de arrumar ou tratar de alguma coisa. Conto os dias que estou para "tratar das coisas". Não me lembro da última mensagem que não começa com "desculpe o atraso...". E o dia passa sem darmos conta, e já é hora de as ir buscar. E sinto-me triste! Tenho tantas saudades delas, mas não me apetece... não me apetece o que vem depois! É tão difícil, estou tão cansada...
Vamos, vamos mais cedo porque antevemos como estão cansadas, como precisam que lhes antecipemos as rotinas. Mas elas vêm com demasiada energia, uma energia estranha e descontrolada. E rapidamente estamos de novo a correr, em gritaria, porque não se faz, porque é preciso tomar banho, e vestir, e rápido!, porque devem comer sossegadas, e sem ser com as mãos, e sem dizer coisas patetas nem ser mal criado, e é preciso fazer cocó e lavar os dentes, mas como deve de ser e não à pressa... E isto entre mamadas, entre horas das bruxas... E de repente todas aquelas horas são horas das bruxas!
E ainda falta o dormir. O processo é controlado e já está bem treinado. Fico eu a adormecer porque elas ficam mais calmas... mas o bebé chora, e chora mais ainda! Mas como é possível se ainda há uns dias ele adormecia tão bem!?! E eu tenho que ir, triste e contrariada. Deixo as princesas para trás e oiço as birras, os gritos e a chamarem por mim. E de repente fico irritada com o bebé porque não é justo, porque a culpa é dele, de precisar de mim. Elas também precisam de mim! E depois choro, e culpo-me de ter sequer pensado coisa tão ridícula...
Mas e então as brincadeiras? Essas? Ficaram por brincar. Os risos ficaram por dar. Mas pior, os abraços e miminhos ficaram contidos. Não houve tempo. E agora dormem e não as quero acordar... E volto a sentir-me triste! Gosto tanto deles! Tenho saudades do tempo em que tinha tempo...
Guardo todo o meu amor e carinho para aqueles dias que virão, mais calmos.
Porque sei que vêm... só não sei quando...
quarta-feira, 21 de junho de 2017
Back from Everland
De regresso à dura realidade aqui venho eu para contar esta aventura que foi o nosso fim de semana. Peço desculpa por não ter feito o diário prometido, mas infelizmente (ou felizmente) o sítio onde estivemos não tinha internet. Mal tinha rede, a bem dizer...
Mas pronto! A viagem começou menos bem, com a M a vomitar no carro, muito branca... tivemos que fazer uma paragem forçada na farmácia onde mendigámos sacos de enjoo e outras coisas que atenuassem e nos permitissem chegar ao destino. Mas o destino adivinhava-se longe... para além dos assustadores 45º que o carro marcava, a certa altura as paragens fizeram-se em qualquer sítio e distavam entre si cerca de 25km! Não entendo bem isto! Um bebe tem a capacidade de berrar de uma forma inexplicável que nos atinge directamente o centro do cérebro, para no momento em que lhe pegamos, meio atrapalhados na berma de uma estrada qualquer, cessar o choro de forma imediata e ainda agir como se nada se passasse... Também não entendo a capacidade dos homens de deixarem escapar pensamentos só seus, em momentos de stress. Sim, porque no meio desta "comedia" de viagem o meu marido conseguiu pronunciar sem qualquer aviso prévio: "eu sou um urso e tu és o meu mel". WHaT?? Valeu a chuva torrencial que caiu no momento a seguir, que distraiu as gargalhadas épicas!
Enfim, ao fim de 2h30 lá conseguimos chegar ao destino (a distância percorre-se em 1h..), para além dos longos minutos a percorrer caminhos de cabras em terra batida que nos afastaram totalmente de qualquer marca de vida citadina.
Apesar do avançar da hora, os graus persistiram em não descer. 42 graus de temperatura, e trovoadas secas (infelizmente tão famosas nos dias que vivemos). À chegada fomos simpaticamente recebidos, mas caiu-me tudo quando ao sair do carro comentei "bem, isto só se está bem no ar condicionado" e a moça atrapalhada diz "Ah pois... mas não temos!". Pára tudo!!! Estamos em pleno Alentejo, no meio de um monte isolado, e encaldeirado, e vamos ter que sobreviver sem ar condicionado?? Juro que pensei em voltar para casa, mas a lembrança da viagem fez-me engolir em seco e ficar...
Aproveitámos os ventos quentes que surgiram para ir conhecer o monte. Lindo lindo!! Muito bem cuidado, cheio de pormenores que enchem os olhos de pequenos e graúdos, que convidam ao descanso e brincadeiras sem fim. As meninas andavam super felizes, de tal forma que (quase) não se deu conta das sestas não dormidas... O jantar foi preparado e servido na casa, em jeito de grande jantar em família, seguido por uma sessão de cinema infantil ao ar livre, com a motivação subliminar de entreter a criançada enquanto os pais relaxam um pouco. Bem, a noite é que foi um bocado difícil porque entre excitação e calor infernal, os ânimos andaram exaltados!
Ao segundo dia, acordou-se já a destilar. Ainda se tentou um passeio pela quintinha pedagógica, mas foi praticamente impossível torná-la aliciante o suficiente... desistimos e rendemo-nos à piscina! De facto era o único sítio onde se estava minimamente confortável. Aí e onde passámos o final da tarde, já que aproveitámos a proximidade para matar saudades de bons amigos (bem, só um à parte para dizer que comi a melhor carne à Alentejana da minha vida!!! Até babo só de lembrar...).
Na 2ª ainda tínhamos esperança que o tempo desse tréguas. Isto porque era nossa intenção levar as meninas ao Badoca, mas os termómetros já iam lançados logo pela manhã, pelo que nos rendemos mais uma vez à nossa insignificância e passámos a manhã toda na piscina.
No fim de contas, foi um fim de semana porreiro! Não chegou à perfeição pelo calor, falta de internet (e para não mentir, falta de alguns componentes importantes na nossa alimentação) e de sestas eficientes. Também me foi particularmente desconfortável cohabitar (e ser picada) por um sem número de espécies rastejantes e viajantes que nunca tinha conhecido na vida... Mas ainda assim, elas (e nós) andavam mega satisfeitas, a brincar em todo o lado, num espaço lindo e muito bem decorado.
Regressámos quentes, cansados e felizes! E "como tal", decidimos tomar das poucas decisões que poderiam piorar o nosso mood: ir à pediatra ter consulta de rotina com as meninas. Não me vou alongar. Foi horrível! Uma vergonha 😖 Desculpei o comportamento de tod@s com a viagem... o calor... a idade... a fase... a fome... Até ter saído com o rabo entre as pernas na esperança que a médica me voltasse a deixar marcar futuras consultas...
Já agora, o sítio para onde fomos chama-se A Terra do Sempre, em Grândola. Recomendo! Até porque depois do fim de semana, parece que a Barbara (dona) se decidiu a meter ar condicionado nos quartos...
Mas pronto! A viagem começou menos bem, com a M a vomitar no carro, muito branca... tivemos que fazer uma paragem forçada na farmácia onde mendigámos sacos de enjoo e outras coisas que atenuassem e nos permitissem chegar ao destino. Mas o destino adivinhava-se longe... para além dos assustadores 45º que o carro marcava, a certa altura as paragens fizeram-se em qualquer sítio e distavam entre si cerca de 25km! Não entendo bem isto! Um bebe tem a capacidade de berrar de uma forma inexplicável que nos atinge directamente o centro do cérebro, para no momento em que lhe pegamos, meio atrapalhados na berma de uma estrada qualquer, cessar o choro de forma imediata e ainda agir como se nada se passasse... Também não entendo a capacidade dos homens de deixarem escapar pensamentos só seus, em momentos de stress. Sim, porque no meio desta "comedia" de viagem o meu marido conseguiu pronunciar sem qualquer aviso prévio: "eu sou um urso e tu és o meu mel". WHaT?? Valeu a chuva torrencial que caiu no momento a seguir, que distraiu as gargalhadas épicas!
Enfim, ao fim de 2h30 lá conseguimos chegar ao destino (a distância percorre-se em 1h..), para além dos longos minutos a percorrer caminhos de cabras em terra batida que nos afastaram totalmente de qualquer marca de vida citadina.
Apesar do avançar da hora, os graus persistiram em não descer. 42 graus de temperatura, e trovoadas secas (infelizmente tão famosas nos dias que vivemos). À chegada fomos simpaticamente recebidos, mas caiu-me tudo quando ao sair do carro comentei "bem, isto só se está bem no ar condicionado" e a moça atrapalhada diz "Ah pois... mas não temos!". Pára tudo!!! Estamos em pleno Alentejo, no meio de um monte isolado, e encaldeirado, e vamos ter que sobreviver sem ar condicionado?? Juro que pensei em voltar para casa, mas a lembrança da viagem fez-me engolir em seco e ficar...
Aproveitámos os ventos quentes que surgiram para ir conhecer o monte. Lindo lindo!! Muito bem cuidado, cheio de pormenores que enchem os olhos de pequenos e graúdos, que convidam ao descanso e brincadeiras sem fim. As meninas andavam super felizes, de tal forma que (quase) não se deu conta das sestas não dormidas... O jantar foi preparado e servido na casa, em jeito de grande jantar em família, seguido por uma sessão de cinema infantil ao ar livre, com a motivação subliminar de entreter a criançada enquanto os pais relaxam um pouco. Bem, a noite é que foi um bocado difícil porque entre excitação e calor infernal, os ânimos andaram exaltados!
Ao segundo dia, acordou-se já a destilar. Ainda se tentou um passeio pela quintinha pedagógica, mas foi praticamente impossível torná-la aliciante o suficiente... desistimos e rendemo-nos à piscina! De facto era o único sítio onde se estava minimamente confortável. Aí e onde passámos o final da tarde, já que aproveitámos a proximidade para matar saudades de bons amigos (bem, só um à parte para dizer que comi a melhor carne à Alentejana da minha vida!!! Até babo só de lembrar...).
Na 2ª ainda tínhamos esperança que o tempo desse tréguas. Isto porque era nossa intenção levar as meninas ao Badoca, mas os termómetros já iam lançados logo pela manhã, pelo que nos rendemos mais uma vez à nossa insignificância e passámos a manhã toda na piscina.
No fim de contas, foi um fim de semana porreiro! Não chegou à perfeição pelo calor, falta de internet (e para não mentir, falta de alguns componentes importantes na nossa alimentação) e de sestas eficientes. Também me foi particularmente desconfortável cohabitar (e ser picada) por um sem número de espécies rastejantes e viajantes que nunca tinha conhecido na vida... Mas ainda assim, elas (e nós) andavam mega satisfeitas, a brincar em todo o lado, num espaço lindo e muito bem decorado.
Regressámos quentes, cansados e felizes! E "como tal", decidimos tomar das poucas decisões que poderiam piorar o nosso mood: ir à pediatra ter consulta de rotina com as meninas. Não me vou alongar. Foi horrível! Uma vergonha 😖 Desculpei o comportamento de tod@s com a viagem... o calor... a idade... a fase... a fome... Até ter saído com o rabo entre as pernas na esperança que a médica me voltasse a deixar marcar futuras consultas...
Já agora, o sítio para onde fomos chama-se A Terra do Sempre, em Grândola. Recomendo! Até porque depois do fim de semana, parece que a Barbara (dona) se decidiu a meter ar condicionado nos quartos...
quinta-feira, 15 de junho de 2017
Os Santinhos da casa
Ando a dar comigo bastante intrigada... será impressão minha ou isto por aqui anda mais gerível?
É que vendo agora as coisas, passámos o primeiro fim de semana "normal" desde a vinda do bebé Manel. Brincámos, saímos, tudo mais ou menos controlado, fizemos panquecas e bolinhos e até conseguimos ir à missa e fazer trabalhos para a escola! Claro que houve birras, maus comportamentos e gritaria q.b., mas as crianças ainda não cresceram pelo que se manteve tudo dentro do expectável. Na 2ª feira ainda fomos aos Santos (aka arraial mesmo ao pé de casa) com direito a bailarico e farturinha.
Qual o segredo? Bem, não sei. Apetece-me acreditar que o facto das meninas andarem febris à vez não teve qualquer influência...
Mas com tudo isto deu-me uma enorme vontade de passarmos ao próximo nível: passar uns dias fora num hotel! Sinto-me inspirada e optimista! É que nem o facto de 99% dos hotéis estarem atolados ou na loucura dos preços me desmoralizou! Já arranjei um sítio disposto a nos albergar e vai ter que correr bem!! (Caso contrário eu teria que admitir que foi um passo maior que a perna, assim tipo suicida, e isso iria custar-me mesmo muito 😒 )
Prometo manter-vos informados!
É que vendo agora as coisas, passámos o primeiro fim de semana "normal" desde a vinda do bebé Manel. Brincámos, saímos, tudo mais ou menos controlado, fizemos panquecas e bolinhos e até conseguimos ir à missa e fazer trabalhos para a escola! Claro que houve birras, maus comportamentos e gritaria q.b., mas as crianças ainda não cresceram pelo que se manteve tudo dentro do expectável. Na 2ª feira ainda fomos aos Santos (aka arraial mesmo ao pé de casa) com direito a bailarico e farturinha.
Qual o segredo? Bem, não sei. Apetece-me acreditar que o facto das meninas andarem febris à vez não teve qualquer influência...
Mas com tudo isto deu-me uma enorme vontade de passarmos ao próximo nível: passar uns dias fora num hotel! Sinto-me inspirada e optimista! É que nem o facto de 99% dos hotéis estarem atolados ou na loucura dos preços me desmoralizou! Já arranjei um sítio disposto a nos albergar e vai ter que correr bem!! (Caso contrário eu teria que admitir que foi um passo maior que a perna, assim tipo suicida, e isso iria custar-me mesmo muito 😒 )
Prometo manter-vos informados!
quarta-feira, 7 de junho de 2017
O(s) homem(ns) e o puerpério
Eu já andava a desconfiar disto, mas hoje tive a certeza que me faltava! Afinal o puerpério pega-se... aos homens!
Antes de mais, afinal o que é que caracteriza o puerpério? Hormonas aos saltos, algumas maleitas físicas, grande privação de sono, humor instável e muita irritabilidade, neurónios em serviços mínimos, encerrados para balanço (inclui grande incapacidade de tomar (boas) decisões, memorizar coisas em geral, articular discurso com nexo...).
Oh! Que engraçado! Parecia mesmo que estava a descrever o meu marido!
Mas como?? Vamos por partes: ele não pariu, mas queixa-se; ele não tem babyblues ou confusão hormonal, mas tem humor (muito) instável e irritabilidade; ele não tem mais privação de sono do que tinha, mas anda aos caídos (sim, ele não costuma acordar de noite com o Manel, embora se defenda que não dorme muitas horas, dorme seguido como sempre, no entanto entre olhos esbugalhados, ar lunático e capacidade de adormecer instantaneamente onde quer que esteja, eu diria que ele é capaz de dormir bem menos do que eu, o que é difícil...); e por fim os neurónios... Esta é delicada. Se em geral este ponto já confere algumas discussões e desconfianças, existem limites do aceitável e do que é classificável como "é homem...". Porém tenho notado um agravamento acentuado dos sintomas... Ora note-se o que se passou hoje: dia de reunião no colégio das meninas com a nova educadora de jardim da C, marcada às 8h30 da manhã, o que para além de ser um atentado ao puerpério, é sempre um enorme desafio para nós enquanto família. Mas planeámos e preparámos bem a operação, com muita organização e converseta de antemão. Foi de tal modo que pela primeira vez desde que me lembro chegámos a horas à escola, sem stresses nem birras. Eis senão quando encontramos a actual educadora à entrada, que com cara de admirada nos diz "...mas a vossa reunião não é hoje...". "Oi? O quê? Não pode ser! O meu marido recebeu na mensagem que era hoje...". E vai o marido e saca do telemóvel ostentando a sms que diz claramente "reunião com a nova educadora no dia 8 de Junho (quinta feira) às 8h30...", acompanhado de um ar triunfante. A sério! Caiu-me tudo... É que esta nem sequer é a tal incapacidade de memorizar, é mesmo um problema de processamento... Haverá médico para isto? Deverei perder a esperança? E se o puerpério passa e isto fica assim? Para sempre??? 😱😱😱 Valha-me Deus...
Antes de mais, afinal o que é que caracteriza o puerpério? Hormonas aos saltos, algumas maleitas físicas, grande privação de sono, humor instável e muita irritabilidade, neurónios em serviços mínimos, encerrados para balanço (inclui grande incapacidade de tomar (boas) decisões, memorizar coisas em geral, articular discurso com nexo...).
Oh! Que engraçado! Parecia mesmo que estava a descrever o meu marido!
Mas como?? Vamos por partes: ele não pariu, mas queixa-se; ele não tem babyblues ou confusão hormonal, mas tem humor (muito) instável e irritabilidade; ele não tem mais privação de sono do que tinha, mas anda aos caídos (sim, ele não costuma acordar de noite com o Manel, embora se defenda que não dorme muitas horas, dorme seguido como sempre, no entanto entre olhos esbugalhados, ar lunático e capacidade de adormecer instantaneamente onde quer que esteja, eu diria que ele é capaz de dormir bem menos do que eu, o que é difícil...); e por fim os neurónios... Esta é delicada. Se em geral este ponto já confere algumas discussões e desconfianças, existem limites do aceitável e do que é classificável como "é homem...". Porém tenho notado um agravamento acentuado dos sintomas... Ora note-se o que se passou hoje: dia de reunião no colégio das meninas com a nova educadora de jardim da C, marcada às 8h30 da manhã, o que para além de ser um atentado ao puerpério, é sempre um enorme desafio para nós enquanto família. Mas planeámos e preparámos bem a operação, com muita organização e converseta de antemão. Foi de tal modo que pela primeira vez desde que me lembro chegámos a horas à escola, sem stresses nem birras. Eis senão quando encontramos a actual educadora à entrada, que com cara de admirada nos diz "...mas a vossa reunião não é hoje...". "Oi? O quê? Não pode ser! O meu marido recebeu na mensagem que era hoje...". E vai o marido e saca do telemóvel ostentando a sms que diz claramente "reunião com a nova educadora no dia 8 de Junho (quinta feira) às 8h30...", acompanhado de um ar triunfante. A sério! Caiu-me tudo... É que esta nem sequer é a tal incapacidade de memorizar, é mesmo um problema de processamento... Haverá médico para isto? Deverei perder a esperança? E se o puerpério passa e isto fica assim? Para sempre??? 😱😱😱 Valha-me Deus...
quinta-feira, 1 de junho de 2017
Ah e tal, vamos comemorar com as criancinhas 😱
Só para contextualizar: duas crianças que hoje (para não variar os últimos dias...) acordaram 1h mais cedo do que o desejado, sem que tivessem compensado com um adormecer antecipado... Seguido de um dia cheio de diversão e brincadeira (e ginastica) na escola.
E o que é que dois pais (senis), acompanhados de um bebe minúsculo, decidem fazer para comemorar o dia da criança?? Então, estes pais, em privação de sono, decidem ir buscar as crias à escola para passarem momentos bem passados na Feira do Livro. Entre estes momentos sonhados está aquela altura em que as pacatas crianças conseguem escolher dois livrinhos cada uma para levarem como prenda de forma ordeira. E isto, está claro!, sem qualquer tipo de birra, ou embirração, ou escolha estupida que leve os pais a uma loucura discreta (não vá dar nas vistas algum tipo de dúvida a emergir de que o seu plano possa afinal não ser divinamente genial)...
Mas acham que isto fica por aqui? Que estes pais percebem entretanto que apesar de terem superado a prova, é melhor bater em retirada? Oh não!! Para isso era preciso alguma consciência do perigo, e o estado zombie caracteriza-se por algum delay nas percepções (mesmo com duas pessoinhas atreladas a refilar continuamente com o que já andaram, com o facto de serem as únicas da feira sem um balão, e com bocejares frequentes).
Siga para bingo! Vamos jantar fora. Onde? E provavelmente pensam logo em algum McDonalds, Pizza Hut ou equivalente... Nah!! Isso é demasiado informal e apropriado para nós: os tais pais senis, duas crianças descabeladas, de uniforme, exaustas e birrentas, e um micro bebe a entrar na "hora das bruxas". Nós fomos a um daqueles restaurantes com montes de empregados para nós, com meia luz e velinhas, música ambiente e em que os restantes clientes (sem crianças) cumprem escrupulosamente os limites de ruído aceitáveis.
Podia terminar aqui, e deixar-vos a pensar no pior que podia ter acontecido... mas não. Como disse o marido quando estacionou à porta de casa "É pá, acho que sobrevivemos, por isso não deve ter corrido assim tão mal"! Pois, não deve ter corrido... e eu vou tentar esquecer, com muita força, vou tentar esquecer a C aos saltos na cadeira a comer com as mãos, a M debaixo da mesa, a C aos gritos pelo restaurante para me dar a notícia de que "fiz muito cocó, mae", a M a esbracejar ao empregado porque não queria comer mais (apesar dos meus esforços para que comesse), o MM que só saiu da mama para arrotar e sujar a fralda até à barriga (e ao mínimo sinal de choro eu enfiava-lhe logo a mama na boca de novo...), a C a tentar dar umas últimas garfadas na comida dela quando nós já a puxávamos por um braço para fugirmos dali para fora com vergonha, entre outras que tais... No meio disto, vanglorizo-me por ao 3º ter exímias capacidades de me alimentar (cortar e comer), alimentar a criação, e outras coisas fantásticas com apenas uma (ou mesmo nenhuma) mão disponível! E onde andou o marido? (Perguntam vocês!) Não sei bem porque mal o vi. Parece que esteve boa parte do jantar fechado no wc a limpar rabos e pipis, e que emborcou a comida em jeito "não respira", para fugirmos mais depressa dali!
De regresso a casa, respiro fundo e agradeço os cortinados nas janelas, a toalha de plástico na mesa e as quatro paredes que nos resguardam e escondem!
Para o ano há mais...
E o que é que dois pais (senis), acompanhados de um bebe minúsculo, decidem fazer para comemorar o dia da criança?? Então, estes pais, em privação de sono, decidem ir buscar as crias à escola para passarem momentos bem passados na Feira do Livro. Entre estes momentos sonhados está aquela altura em que as pacatas crianças conseguem escolher dois livrinhos cada uma para levarem como prenda de forma ordeira. E isto, está claro!, sem qualquer tipo de birra, ou embirração, ou escolha estupida que leve os pais a uma loucura discreta (não vá dar nas vistas algum tipo de dúvida a emergir de que o seu plano possa afinal não ser divinamente genial)...
Mas acham que isto fica por aqui? Que estes pais percebem entretanto que apesar de terem superado a prova, é melhor bater em retirada? Oh não!! Para isso era preciso alguma consciência do perigo, e o estado zombie caracteriza-se por algum delay nas percepções (mesmo com duas pessoinhas atreladas a refilar continuamente com o que já andaram, com o facto de serem as únicas da feira sem um balão, e com bocejares frequentes).
Siga para bingo! Vamos jantar fora. Onde? E provavelmente pensam logo em algum McDonalds, Pizza Hut ou equivalente... Nah!! Isso é demasiado informal e apropriado para nós: os tais pais senis, duas crianças descabeladas, de uniforme, exaustas e birrentas, e um micro bebe a entrar na "hora das bruxas". Nós fomos a um daqueles restaurantes com montes de empregados para nós, com meia luz e velinhas, música ambiente e em que os restantes clientes (sem crianças) cumprem escrupulosamente os limites de ruído aceitáveis.
Podia terminar aqui, e deixar-vos a pensar no pior que podia ter acontecido... mas não. Como disse o marido quando estacionou à porta de casa "É pá, acho que sobrevivemos, por isso não deve ter corrido assim tão mal"! Pois, não deve ter corrido... e eu vou tentar esquecer, com muita força, vou tentar esquecer a C aos saltos na cadeira a comer com as mãos, a M debaixo da mesa, a C aos gritos pelo restaurante para me dar a notícia de que "fiz muito cocó, mae", a M a esbracejar ao empregado porque não queria comer mais (apesar dos meus esforços para que comesse), o MM que só saiu da mama para arrotar e sujar a fralda até à barriga (e ao mínimo sinal de choro eu enfiava-lhe logo a mama na boca de novo...), a C a tentar dar umas últimas garfadas na comida dela quando nós já a puxávamos por um braço para fugirmos dali para fora com vergonha, entre outras que tais... No meio disto, vanglorizo-me por ao 3º ter exímias capacidades de me alimentar (cortar e comer), alimentar a criação, e outras coisas fantásticas com apenas uma (ou mesmo nenhuma) mão disponível! E onde andou o marido? (Perguntam vocês!) Não sei bem porque mal o vi. Parece que esteve boa parte do jantar fechado no wc a limpar rabos e pipis, e que emborcou a comida em jeito "não respira", para fugirmos mais depressa dali!
De regresso a casa, respiro fundo e agradeço os cortinados nas janelas, a toalha de plástico na mesa e as quatro paredes que nos resguardam e escondem!
Para o ano há mais...
A propósito do dia da criança
Ter vários gaiatos em casa também aumenta o potencial de risada e isto por aqui anda ao rubro 😂
Ontem ao jantar:
Mãe- amanhã é um dia especial, é o dia da criança!
C- tu também és criança?
Mãe- não querida, sou adulta.
C- pois, tu és mãe.
Mae- sim, sou a tua mãe.
C- pois, a minha mãe, e a mãe da mana, e do mano, e do papá e da comida... (WHAT???)
Hoje de manhã:
Mãe - divirtam-se muito! Hoje é dia da criança! E logo a mãe vai tentar ir buscar mais cedo para irmos a qualquer lado.
C- boaaaa! Vamos às compras!!! (????!)
Ontem ao jantar:
Mãe- amanhã é um dia especial, é o dia da criança!
C- tu também és criança?
Mãe- não querida, sou adulta.
C- pois, tu és mãe.
Mae- sim, sou a tua mãe.
C- pois, a minha mãe, e a mãe da mana, e do mano, e do papá e da comida... (WHAT???)
Hoje de manhã:
Mãe - divirtam-se muito! Hoje é dia da criança! E logo a mãe vai tentar ir buscar mais cedo para irmos a qualquer lado.
C- boaaaa! Vamos às compras!!! (????!)
sábado, 27 de maio de 2017
1 mês de mano Manel
E faz hoje 1 mês que se iniciou esta loucura! Confesso que há dias em que me parece que andamos nisto há meses, mas em geral posso dizer que o saldo é bastante positivo!
O mano Manel está aos poucos a tornar-se no gorduxo Manel. Toda a família está mega apaixonada, o que lhe confere bastantes mais valias na sua (ainda) curta vida.
Perguntam: então ele é bonzinho?? Ainda não entendi completamente esta pergunta recorrente. Será que existem bebes maléficos? Este é o meu 3º bebe e sinceramente só ainda me apercebi de bebes que têm mais ou menos necessidades e que são mais ou menos atendidos. O Manel é um bebe que pouco chora, mas também não tem razões para isso. Passa o dia ao colo de alguém, vamo-nos revezando para o ter sempre no conforto dos nossos braços ou peito. Quando mostra sinais é colocado à mama e não há relógios ou cronômetros a atrapalhar. A noite passa-se entre nós num abraço protector e apaixonado. As sugestões externas ficam no lugar devido: lá fora! Porque ao 3º somos donos e senhores deste bebe! Posto isto, não tenho a certeza se temos um bebe bonzinho ou não, mas tenho a percepção de que somos mais bonzinhos para este bebe.
As manas também continuam em delírio com o mano Manel e ficam em pânico quando as pessoas lhes perguntam se podem levar o mano para casa delas (a sério que há necessidade disto???). Os comportamentos errantes, bem esses ainda têm espaço para melhoria, mas já se notam francas diferenças, com noites já praticamente sem conflitos (vá, foram 2 ou 3 no mês todo, mas existem!!).
E eu? Eu ando a aprender umas coisas giras sobre isto de ter 3 filhos... percebi que afinal podem-se cometer os mesmos erros 3 vezes (se calhar até mais), e também aprendi que excesso de confiança não ensina nada a ninguém - por muitos filhos que se tenha eles serão sempre diferentes dos demais.
E sabem aqueles ditoches fantásticos que todas as mães estupendas dizem antes de serem mães e de verem como é que "elas mordem..." (inclusivamente nós)?!? É verdade, ao 3º achamos que já temos um certo estatuto e que há certas coisas que já não erramos. Só que não! No meio de tanta perícia e conhecimento, dizemos à boca cheia aquilo que rapidamente nos vai morrer na boca... não deixa de ser curioso! Qualquer dia crio uma nova tag dedicada a estas aprendizagens!
Por agora, desejo ao Maneluxo um feliz mesaversário!
O mano Manel está aos poucos a tornar-se no gorduxo Manel. Toda a família está mega apaixonada, o que lhe confere bastantes mais valias na sua (ainda) curta vida.
Perguntam: então ele é bonzinho?? Ainda não entendi completamente esta pergunta recorrente. Será que existem bebes maléficos? Este é o meu 3º bebe e sinceramente só ainda me apercebi de bebes que têm mais ou menos necessidades e que são mais ou menos atendidos. O Manel é um bebe que pouco chora, mas também não tem razões para isso. Passa o dia ao colo de alguém, vamo-nos revezando para o ter sempre no conforto dos nossos braços ou peito. Quando mostra sinais é colocado à mama e não há relógios ou cronômetros a atrapalhar. A noite passa-se entre nós num abraço protector e apaixonado. As sugestões externas ficam no lugar devido: lá fora! Porque ao 3º somos donos e senhores deste bebe! Posto isto, não tenho a certeza se temos um bebe bonzinho ou não, mas tenho a percepção de que somos mais bonzinhos para este bebe.
As manas também continuam em delírio com o mano Manel e ficam em pânico quando as pessoas lhes perguntam se podem levar o mano para casa delas (a sério que há necessidade disto???). Os comportamentos errantes, bem esses ainda têm espaço para melhoria, mas já se notam francas diferenças, com noites já praticamente sem conflitos (vá, foram 2 ou 3 no mês todo, mas existem!!).
E eu? Eu ando a aprender umas coisas giras sobre isto de ter 3 filhos... percebi que afinal podem-se cometer os mesmos erros 3 vezes (se calhar até mais), e também aprendi que excesso de confiança não ensina nada a ninguém - por muitos filhos que se tenha eles serão sempre diferentes dos demais.
E sabem aqueles ditoches fantásticos que todas as mães estupendas dizem antes de serem mães e de verem como é que "elas mordem..." (inclusivamente nós)?!? É verdade, ao 3º achamos que já temos um certo estatuto e que há certas coisas que já não erramos. Só que não! No meio de tanta perícia e conhecimento, dizemos à boca cheia aquilo que rapidamente nos vai morrer na boca... não deixa de ser curioso! Qualquer dia crio uma nova tag dedicada a estas aprendizagens!
Por agora, desejo ao Maneluxo um feliz mesaversário!
De repouso... novamente 😱
É verdade: pouco tenho parado! E digo isto em tom de desabafo. Depois de meses de repouso, tenho agora a oportunidade de tratar de vários assuntos que não consegui antes. Todos os dias saímos, e andamos, e basicamente me estafo... se bem que mesmo sem dar estas voltas só o facto de tratar de 3 crias já se pode considerar um esforço considerável.
E foi assim que esta semana fui parar ao hospital com fortes dores abdominais. Fizeram exames, análises e... nada! Levei com um "não sabemos" e ainda um "vá para casa tomar a medicação que lhe demos e se não passar volte cá". Assim fiz mas sempre em contacto com o meu obstetra que me tinha aconselhado a ser vista novamente na 5ª.
Resumindo, ouvi a palavra que já enjoo: vai ter que fazer repouso! Basicamente estou com um problema no útero. Vou fazer tratamento 2 semanas e tenho que dar tréguas ao meu corpo para que consiga recuperar do que aconteceu (já que segundo o médico, anda em demasiado esforço para conseguir o que quer que seja...).
E eu já que tinha tantas saudades disto... 😒😒😒
E foi assim que esta semana fui parar ao hospital com fortes dores abdominais. Fizeram exames, análises e... nada! Levei com um "não sabemos" e ainda um "vá para casa tomar a medicação que lhe demos e se não passar volte cá". Assim fiz mas sempre em contacto com o meu obstetra que me tinha aconselhado a ser vista novamente na 5ª.
Resumindo, ouvi a palavra que já enjoo: vai ter que fazer repouso! Basicamente estou com um problema no útero. Vou fazer tratamento 2 semanas e tenho que dar tréguas ao meu corpo para que consiga recuperar do que aconteceu (já que segundo o médico, anda em demasiado esforço para conseguir o que quer que seja...).
E eu já que tinha tantas saudades disto... 😒😒😒
quinta-feira, 18 de maio de 2017
Pára tudo!!
Será um sinal??? Um prenuncio do bem sobre as noites negras???
Passo a explicar: no meio da nossa vida caótica do momento eis que percebo que boa parte da complexidade está pseudo controlada. Como é que sei? Bem, porque o fim de semana passou relativamente calmo e chegámos mesmo a passar por família normal... Mas (sacana do MAS!) ainda temos um momento, ou diria antes O momento, de loucura, conflito, basicamente de bradar aos céus: a hora de ir dormir. Se tudo o resto já se está a conseguir gerir, este é sem duvida um momento patrocinado pelo Demo 😈
Só que ontem foi a primeira noite em que todos os nossos esforços enquanto pais atrapalhados das últimas 3 semanas parece que surdiram algum efeito. Claro que não foi perfeito, e houve cenas, e durou sensivelmente 1h, e houve ralhetes, mas a boa notícia é que mantivemos a calma, a postura, não houve grandes birras e a coisa foi-se conseguindo gerir (tão mas tão diferentes dos últimos tempos...).
Ainda assim sinto-me no dever de deixar um aviso: famílias que desejam ir ao 3º, muito mas muito cuidado com a descendência de 3 anos!! Se esta já é habitualmente aquela fase apelidada de "terríveis 3", posso garantir-vos que a chegada de um novo membro à família por esta altura, não ameniza em nada aquilo que já nos põe loucas! E dizem os entendidos que estes diabretes com o "síndrome do filho do meio" marinado com os "3" formam a tal fórmula explosiva de acesso directo ao Júlio de Matos...
E olhem que quem vos avisa...
Passo a explicar: no meio da nossa vida caótica do momento eis que percebo que boa parte da complexidade está pseudo controlada. Como é que sei? Bem, porque o fim de semana passou relativamente calmo e chegámos mesmo a passar por família normal... Mas (sacana do MAS!) ainda temos um momento, ou diria antes O momento, de loucura, conflito, basicamente de bradar aos céus: a hora de ir dormir. Se tudo o resto já se está a conseguir gerir, este é sem duvida um momento patrocinado pelo Demo 😈
Só que ontem foi a primeira noite em que todos os nossos esforços enquanto pais atrapalhados das últimas 3 semanas parece que surdiram algum efeito. Claro que não foi perfeito, e houve cenas, e durou sensivelmente 1h, e houve ralhetes, mas a boa notícia é que mantivemos a calma, a postura, não houve grandes birras e a coisa foi-se conseguindo gerir (tão mas tão diferentes dos últimos tempos...).
Ainda assim sinto-me no dever de deixar um aviso: famílias que desejam ir ao 3º, muito mas muito cuidado com a descendência de 3 anos!! Se esta já é habitualmente aquela fase apelidada de "terríveis 3", posso garantir-vos que a chegada de um novo membro à família por esta altura, não ameniza em nada aquilo que já nos põe loucas! E dizem os entendidos que estes diabretes com o "síndrome do filho do meio" marinado com os "3" formam a tal fórmula explosiva de acesso directo ao Júlio de Matos...
E olhem que quem vos avisa...
sexta-feira, 12 de maio de 2017
Primeiros dias de mano Manel
And the winner is.... CAOS total e absoluto!! Ok, ok, estou a exagerar. Não tem sido total e absoluto, mas a verdade é que reina a confusão com vários momentos de levar instantaneamente à loucura! E por isso tem sobrado pouco espaço (aka disponibilidade mental) para fazer mais do que simplesmente sobreviver.
O Manel continua um bebé pacholas (ainda sem sinal das cólicas - Graças a Deus 🙏🙏). Ultrapassadas as questões da amamentação e outras de saúde que entretanto surgiram, ele só quer fazer as suas sonecas de rabo embalado ou, preferencialmente, esticado em cima da mãe. Até agora só o irrita não estar na mama, não estar no colo e não estar vestido.
As manas estão na loucura!! Adoram o seu novo nenuco sem pilhas, e querem insistentemente (e por vezes abrutalhadamente) brincar com ele e dar-lhe muitooooos miminhos. O mais cómico é que o mano Manel, tirando os momentos que o irritam já descritos atrás , gosta de ficar a olhar para elas. Mas o que está mesmo a custar é a readaptação delas a nós enquanto pais de mais uma cria. As birraaaas ainda mais gigantes, os comportamentos desafiantes... Eu nem sequer sabia que elas tinham um potencial de má criação tão grandeee! Mesmo assim já noto algumas pequenas melhoras, principalmente em dias não fim de semana, pois esses ainda nos deixam de pelos em pé... e hoje já é 6ª outra vez 😫😫 acho que deve ser por isso que já estou cheia de dores de cabeça... Bem, prometo dar notícias no início da próxima semana (em caso de sobrevivência, claro...)
O Manel continua um bebé pacholas (ainda sem sinal das cólicas - Graças a Deus 🙏🙏). Ultrapassadas as questões da amamentação e outras de saúde que entretanto surgiram, ele só quer fazer as suas sonecas de rabo embalado ou, preferencialmente, esticado em cima da mãe. Até agora só o irrita não estar na mama, não estar no colo e não estar vestido.
As manas estão na loucura!! Adoram o seu novo nenuco sem pilhas, e querem insistentemente (e por vezes abrutalhadamente) brincar com ele e dar-lhe muitooooos miminhos. O mais cómico é que o mano Manel, tirando os momentos que o irritam já descritos atrás , gosta de ficar a olhar para elas. Mas o que está mesmo a custar é a readaptação delas a nós enquanto pais de mais uma cria. As birraaaas ainda mais gigantes, os comportamentos desafiantes... Eu nem sequer sabia que elas tinham um potencial de má criação tão grandeee! Mesmo assim já noto algumas pequenas melhoras, principalmente em dias não fim de semana, pois esses ainda nos deixam de pelos em pé... e hoje já é 6ª outra vez 😫😫 acho que deve ser por isso que já estou cheia de dores de cabeça... Bem, prometo dar notícias no início da próxima semana (em caso de sobrevivência, claro...)
sábado, 6 de maio de 2017
A festejar o dia da mãe
O dia da mãe é amanhã, mas eu festejo hoje... e ontem...
Festejo a dor de cabeça, porque chorei! De desespero, de cansaço, de medo, só porque sim...
Festejo...
Porque tenho dores de mãe... as dores dos pontos, as dores da barriga, as dores das mamas, as dores de parir...
Mas também porque tenho dores da alma... porque houve birras, houve gritos histéricos, e mau comportamento, e castigos a mais, de que não me orgulho...
E porque estou cansada... porque o dia começou cedo, ou a noite foi curta, porque dei de mamar vezes sem conta, e fiz o jantar, acalmei pesadelos, e joelhos feridos, levei ao ballet, e mudei as fraldas, e troquei roupas e roupas, algumas acidentadas, cantei para acalmar e para animar...
E mesmo a restar tão pouco de mim, olho para as minhas crias desordeiras, de cabelos mal penteados, e roupas mal escolhidas, numa casa sem nexo nem norte... e volto a chorar! De alegria, de maravilha, de Graça a Deus pela família que me deu ❤f
Festejo a dor de cabeça, porque chorei! De desespero, de cansaço, de medo, só porque sim...
Festejo...
Porque tenho dores de mãe... as dores dos pontos, as dores da barriga, as dores das mamas, as dores de parir...
Mas também porque tenho dores da alma... porque houve birras, houve gritos histéricos, e mau comportamento, e castigos a mais, de que não me orgulho...
E porque estou cansada... porque o dia começou cedo, ou a noite foi curta, porque dei de mamar vezes sem conta, e fiz o jantar, acalmei pesadelos, e joelhos feridos, levei ao ballet, e mudei as fraldas, e troquei roupas e roupas, algumas acidentadas, cantei para acalmar e para animar...
E mesmo a restar tão pouco de mim, olho para as minhas crias desordeiras, de cabelos mal penteados, e roupas mal escolhidas, numa casa sem nexo nem norte... e volto a chorar! De alegria, de maravilha, de Graça a Deus pela família que me deu ❤f
quarta-feira, 3 de maio de 2017
O tal parto surreal
Bem, este post é só para quem gosta de ler estas coisas, mas de facto recebi alguns pedidos para detalhar o que chamei de "meu parto surreal".
Então, basicamente acordei na 5ª passada sem sintomas de maior. Tinha médico à tarde e estava convencida a falar com o médico sobre um possível toque ou mesmo indução na semana seguinte. Estava longe de imaginar o que se iria passar, mas coincidência ou não, antes de sair de casa disse ao marido para pôr as malas no carro, porque devíamos ser os únicos grávidos sem malas no carro...
Antes da consulta fomos almoçar ao Mc de Paço de Arcos, com direito a sundae a caminhar na praia. Tudo calmo...
De seguida corremos para a consulta. Primeiro o CTG. Pela primeira vez na minha vida a risca de contrações vinha sem qualquer alteração (embora eu tenha contado 3 irregulares). O médico nem queria acreditar. Perguntou-me se queria que me fizesse o toque, mas achámos melhor observar e só depois tomar decisões. Por isso fiquei pasma quando ele me disse que eu estava prestes a entrar em trabalho de parto. Tinha o colo apagado e permeável a 2 dedos. E ainda decidiu que não me ia fazer mais nada. Mandou-me dar uma volta a pé e voltar passado hora e meia. Não acreditei nem um pouco naquilo, achei mesmo que ele estava a exagerar, até porque nem sequer tinha grandes contrações. Fui ao El Corte, fui buscar as meninas e regressei à hora combinada. Algumas contrações irregulares, mas nada de especial. Qual não foi o meu espanto quando ele me diz que já tinha passado para 3 dedos e que já nem me deixava sequer ir a casa: era directa para o hospital que ele já iria lá ter. Ainda tentei argumentar, mas de nada me valeu.
Eram 19h20 quando entrei no hospital sozinha, depois de me ter despedido das meninas e do marido. Fui até às urgências e pedi internamento. Esperei pelas burocracias de confirmação e deviam ser umas 20h quando me chamaram para avaliação. O médico de serviço, muito à pressa, observou e disse: "3 dedos. Isto vai ser canja, mas agora tenho que ir embora. Ligue ao seu médico a dizer o que eu disse" (?!?). Assim o fiz e continuei à espera do tal internamento, sempre a fazer "piscinas" pelo corredor. Entretanto chegou a minha doula e ao conversar com ela percebi que já estava com contrações regulares, mas nem me dei ao trabalho de cronometrar... eram muito suportáveis, nada de especial.
Às 20h30 volto a ser chamada por outra médica para observação. Só que não, porque recusei! Tinha sido observada há pouco tempo e por isso não vi necessidade. A Dra não devia estar à espera, pediu desculpa e disse que como não havia registo não sabia que já tinha sido observada. Lá registou os dados todos e pude finalmente ir para o quarto.
Às 21h cheguei ao quarto. Só nessa altura é que as coisas animaram. Chegou a enfermeira e as contrações intensificaram. Consegui a custo, no pouco tempo de intervalo, dizer-lhe que não queria soro, que queria a bola, que não queria ficar deitada, que queria comer, e que queria poder ir ao duche. Foram precisos alguns minutos para isto tudo... Entretanto, às 21h15 aparece o meu médico que confirma os meus pedidos e me faz nova observação: 5 dedos!! Porém, o CTG não marcava contrações de intensidade superior a 40... Achei curioso a facilidade com que se "esquece" a mulher para focar no que nos diz uma máquina. Tive que reforçar que a máquina podia dizer o que quisesse, mas que as contrações estavam muito acima dessa intensidade, com um espaçamento de 1 minuto (se tanto)... Face ao contexto o médico achou que talvez não fosse boa ideia ir até casa jantar e ausentou-se para ir ao bar.
Desde essa altura eu já não me mexi mais. De pé, agarrada à cama, experimentei nos minutos seguintes dores de uma intensidade difícil de descrever, dores cujo intervalo rapidamente deixou de existir, que mal dava para respirar. Lembro-me do cheiro a lavanda que a minha querida doula ofereceu ao quarto e que foi o meu único alívio. Às 21h27 pedi para avisarem o meu marido para vir até ao hospital porque não sabia quanto tempo iria demorar. Sei que momentos depois atingi o limite, quebrei o meu silencio exterior, olhei nos olhos da doula e exigi a epidural! Eu sempre disse que iria fazer tudo para parir sem epidural, mas naquele limite não conseguia mais! Ela percebeu! Correu a chamar a enfermeira. E foi tudo muito rápido. "Sra enfermeira, estou a fazer força"
Gerou-se o pânico! "Não! Espere! Tem que se deitar, tenho que a observar...", a custo deitei-me para observação. Resultado: "está em expulsivo!!! Rápido!! Não faça forçaaaa!"
Senti levarem-me na cama do quarto, de forma desgovernada, sob gritos da enfermeira e outras que se foram juntando. Gritei! "O bebé está a nascer" Há coisas que não se controlam e o "respire e não faça força" eram palavras demasiado distantes e impossíveis. Senti pararmos no corredor no momento em que a cabeça no meu bebé deu à luz. Ainda não tínhamos chegado... mais gritos, mais confusão! Chegámos ao bloco e percebi que deviam estar umas 10 pessoas, entre médicos e enfermeiros que se foram juntando. E finalmente o meu médico. "Dr como a vamos passar para a maca?", "não vamos! Vou acabar o parto aqui". Assim o fez. Permitiu-me virar e ajudar o resto do meu bebe a nascer. E de repente alguém se lembra de perguntar: "a que horas nasceu o bebé?". Ninguém sabia ao certo... Eram 21h50 e eu já namorava o meu bebé. Ficou registado às 21h45 como "parto precipitado".
Então, basicamente acordei na 5ª passada sem sintomas de maior. Tinha médico à tarde e estava convencida a falar com o médico sobre um possível toque ou mesmo indução na semana seguinte. Estava longe de imaginar o que se iria passar, mas coincidência ou não, antes de sair de casa disse ao marido para pôr as malas no carro, porque devíamos ser os únicos grávidos sem malas no carro...
Antes da consulta fomos almoçar ao Mc de Paço de Arcos, com direito a sundae a caminhar na praia. Tudo calmo...
De seguida corremos para a consulta. Primeiro o CTG. Pela primeira vez na minha vida a risca de contrações vinha sem qualquer alteração (embora eu tenha contado 3 irregulares). O médico nem queria acreditar. Perguntou-me se queria que me fizesse o toque, mas achámos melhor observar e só depois tomar decisões. Por isso fiquei pasma quando ele me disse que eu estava prestes a entrar em trabalho de parto. Tinha o colo apagado e permeável a 2 dedos. E ainda decidiu que não me ia fazer mais nada. Mandou-me dar uma volta a pé e voltar passado hora e meia. Não acreditei nem um pouco naquilo, achei mesmo que ele estava a exagerar, até porque nem sequer tinha grandes contrações. Fui ao El Corte, fui buscar as meninas e regressei à hora combinada. Algumas contrações irregulares, mas nada de especial. Qual não foi o meu espanto quando ele me diz que já tinha passado para 3 dedos e que já nem me deixava sequer ir a casa: era directa para o hospital que ele já iria lá ter. Ainda tentei argumentar, mas de nada me valeu.
Eram 19h20 quando entrei no hospital sozinha, depois de me ter despedido das meninas e do marido. Fui até às urgências e pedi internamento. Esperei pelas burocracias de confirmação e deviam ser umas 20h quando me chamaram para avaliação. O médico de serviço, muito à pressa, observou e disse: "3 dedos. Isto vai ser canja, mas agora tenho que ir embora. Ligue ao seu médico a dizer o que eu disse" (?!?). Assim o fiz e continuei à espera do tal internamento, sempre a fazer "piscinas" pelo corredor. Entretanto chegou a minha doula e ao conversar com ela percebi que já estava com contrações regulares, mas nem me dei ao trabalho de cronometrar... eram muito suportáveis, nada de especial.
Às 20h30 volto a ser chamada por outra médica para observação. Só que não, porque recusei! Tinha sido observada há pouco tempo e por isso não vi necessidade. A Dra não devia estar à espera, pediu desculpa e disse que como não havia registo não sabia que já tinha sido observada. Lá registou os dados todos e pude finalmente ir para o quarto.
Às 21h cheguei ao quarto. Só nessa altura é que as coisas animaram. Chegou a enfermeira e as contrações intensificaram. Consegui a custo, no pouco tempo de intervalo, dizer-lhe que não queria soro, que queria a bola, que não queria ficar deitada, que queria comer, e que queria poder ir ao duche. Foram precisos alguns minutos para isto tudo... Entretanto, às 21h15 aparece o meu médico que confirma os meus pedidos e me faz nova observação: 5 dedos!! Porém, o CTG não marcava contrações de intensidade superior a 40... Achei curioso a facilidade com que se "esquece" a mulher para focar no que nos diz uma máquina. Tive que reforçar que a máquina podia dizer o que quisesse, mas que as contrações estavam muito acima dessa intensidade, com um espaçamento de 1 minuto (se tanto)... Face ao contexto o médico achou que talvez não fosse boa ideia ir até casa jantar e ausentou-se para ir ao bar.
Desde essa altura eu já não me mexi mais. De pé, agarrada à cama, experimentei nos minutos seguintes dores de uma intensidade difícil de descrever, dores cujo intervalo rapidamente deixou de existir, que mal dava para respirar. Lembro-me do cheiro a lavanda que a minha querida doula ofereceu ao quarto e que foi o meu único alívio. Às 21h27 pedi para avisarem o meu marido para vir até ao hospital porque não sabia quanto tempo iria demorar. Sei que momentos depois atingi o limite, quebrei o meu silencio exterior, olhei nos olhos da doula e exigi a epidural! Eu sempre disse que iria fazer tudo para parir sem epidural, mas naquele limite não conseguia mais! Ela percebeu! Correu a chamar a enfermeira. E foi tudo muito rápido. "Sra enfermeira, estou a fazer força"
Gerou-se o pânico! "Não! Espere! Tem que se deitar, tenho que a observar...", a custo deitei-me para observação. Resultado: "está em expulsivo!!! Rápido!! Não faça forçaaaa!"
Senti levarem-me na cama do quarto, de forma desgovernada, sob gritos da enfermeira e outras que se foram juntando. Gritei! "O bebé está a nascer" Há coisas que não se controlam e o "respire e não faça força" eram palavras demasiado distantes e impossíveis. Senti pararmos no corredor no momento em que a cabeça no meu bebé deu à luz. Ainda não tínhamos chegado... mais gritos, mais confusão! Chegámos ao bloco e percebi que deviam estar umas 10 pessoas, entre médicos e enfermeiros que se foram juntando. E finalmente o meu médico. "Dr como a vamos passar para a maca?", "não vamos! Vou acabar o parto aqui". Assim o fez. Permitiu-me virar e ajudar o resto do meu bebe a nascer. E de repente alguém se lembra de perguntar: "a que horas nasceu o bebé?". Ninguém sabia ao certo... Eram 21h50 e eu já namorava o meu bebé. Ficou registado às 21h45 como "parto precipitado".
sexta-feira, 28 de abril de 2017
O Manel já nasceu!
Novidades fresquinhas e doridas!
O Manel nasceu ontem à noite, nitidamente ofendido com o meu post de ontem! Provou que vinha como e quando queria, o que traduzido por miúdos significa um parto surreal, digno de filme!
Em 45 minutos, sem dar tempo para absolutamente nada, com enfermeiras em pânico, parte do expulsivo ainda no corredor, e muita gente à nossa volta! Não houve anestesias, nem soro, nem tão pouco tempo para roupas. Deve ser de ser o terceiro, porque ainda nem roupa tem vestida.
O desgraçado do pai, que bem se esfalfou por chegar, também já não veio a tempo (a bem dizer, nem o médico chegou completamente a tempo...).
E pronto, é isto! Um filho a dar para a bipolaridade, que de manhã não mostrava sinais de querer nascer e que à noite decidiu vir a correr 😂
O Manel nasceu ontem à noite, nitidamente ofendido com o meu post de ontem! Provou que vinha como e quando queria, o que traduzido por miúdos significa um parto surreal, digno de filme!
Em 45 minutos, sem dar tempo para absolutamente nada, com enfermeiras em pânico, parte do expulsivo ainda no corredor, e muita gente à nossa volta! Não houve anestesias, nem soro, nem tão pouco tempo para roupas. Deve ser de ser o terceiro, porque ainda nem roupa tem vestida.
O desgraçado do pai, que bem se esfalfou por chegar, também já não veio a tempo (a bem dizer, nem o médico chegou completamente a tempo...).
E pronto, é isto! Um filho a dar para a bipolaridade, que de manhã não mostrava sinais de querer nascer e que à noite decidiu vir a correr 😂
quinta-feira, 27 de abril de 2017
Ocitocinando...
Andamos numa fase de espalhar ocitocina (aka amor) nas nossas vidas! Claro que devido à faixa etária das nossas filhas, é impossível não haver momentos de descargas de cortisol e adrenalina (aka gritos e birras), mas andamos a tentar a via da harmonia, até para que o Manel não ache perigoso ou arriscado vir cá para fora.
Mas ainda assim, ainda só tivemos ameaços, nada de concretizações. E com isto confirmo, ainda <in vitro>, uma antiga teoria minha de que os homens são em geral um atraso de vida a tomarem decisões que mudem as suas vidas, principalmente aquelas que têm grande potencial de os colocarem em situações de pouco conforto ou controlo. É com pena que verifico que normalmente tem mesmo que existir por trás uma mulher de mão e palavra forte para lhes dar o tal empurrazinho (ou xuto no rabo) de que precisam para andarem para a frente.
E pronto, hoje vamos iniciar os empurrões, mais logo na consulta. Sim, porque a mãe não fica contente apenas com contrações regulares e dores que depois "puff" desaparecem na hora do real soninho porque já se está cansado!
"Manel, Manel!! Vais-me dar trabalho... à vais vais... olha que tenho pouca paciência para homens bananas..."
Mas ainda assim, ainda só tivemos ameaços, nada de concretizações. E com isto confirmo, ainda <in vitro>, uma antiga teoria minha de que os homens são em geral um atraso de vida a tomarem decisões que mudem as suas vidas, principalmente aquelas que têm grande potencial de os colocarem em situações de pouco conforto ou controlo. É com pena que verifico que normalmente tem mesmo que existir por trás uma mulher de mão e palavra forte para lhes dar o tal empurrazinho (ou xuto no rabo) de que precisam para andarem para a frente.
E pronto, hoje vamos iniciar os empurrões, mais logo na consulta. Sim, porque a mãe não fica contente apenas com contrações regulares e dores que depois "puff" desaparecem na hora do real soninho porque já se está cansado!
"Manel, Manel!! Vais-me dar trabalho... à vais vais... olha que tenho pouca paciência para homens bananas..."
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