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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Aquilo que não se vê

Hoje foi um dia invisível. Eu fui invisível. Nada de mais se passou. Esteve frio. As pessoas fizeram as suas rotinas normais. Recebi alguns telefonemas a perguntar de estávamos melhor...

Mas ninguém notou. Ninguém reparou. Ninguém viu. Apenas eu...

Não acho estranho. Há coisas que só vividas. Há guerras e conquistas, que só quem passa por elas, porque aos olhos dos outros elas não existem. E também há coisas que só acontecem aos outros, por isso, não faz mal. Não estou surpreendida.

Mas sinto um vazio. É estranho. Sinto uma alegria imensa, e um vazio medonho. Como se tivesse o vinho no copo e ninguém com quem brindar. Uma festa pronta e ninguém para convidar. Há coisas que não se explicam. Sentem-se.

E assim acaba o dia, provavelmente o maior, desde que iniciei esta jornada, esta pequena grande luta, para mim das maiores. Porque para além de ser um dia, ou talvez ser O dia, é também um marco, é o início de toda uma nova fase. Amanhã a luta é outra, mas permanecerá a mesma aos olhares invisíveis de quem passa por nós.

Obrigada meu filho, por teres tido a coragem de viver isto comigo e parabéns por termos juntos vencido esta primeira grande luta de sobrevivência. Amanhã festejo a vida e distancio a morte. Porque não há pior sentimento que a insuportável impotência de nada poder fazer perante a possível morte dentro de nós.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Amor? Fazes-me esse favor?

Então foi:
Marido - amor, importas-te de dar a sopa às meninas para eu ir preparar o jantar, por favor?
Eu - claro! Para além de não conseguir respirar, ter o nariz do tamanho do joelho e de me doer a cabeça para xuxu, estou completamente disponível.
O tempo foi passando, lá consegui verter um prato de sopa pela goela de cada uma (que coitadas estão com o nariz igual a mim...) e lá foram elas cordeiras para a mesa. Mas a comida ainda estava a terminar e o pai diz (quase) em jeito de heroísmo que ainda nem sequer teve tempo para comer a sopa dele. Por fim termina triunfante e serve as meninas já impacientes e febris.

Mas fiquei aqui a pensar com os meus botões... Preparar o jantar? Como assim??! Eu própria me levantei do meu repouso absoluto e me arrastei até a cozinha para pôr os legumes e os ovos a cozer. Mas que raio está ele a fazer? Pronto, lá esbocei um sorriso a imaginar a cena à filme: o "desgraçado" do homem que usa mil utensílios para tirar a água da panela dos legumes e mandá-los para a taça, e tem que descascar e partir os ovos ainda quentes... Está visto! Para a próxima faço bifes que é menos complexo para ele 😂😂😂😂

sábado, 7 de janeiro de 2017

Deviam pagar-me comissões

... Na farmácia!! Isto está ao rubro. Somos 3 de molho. Eu até já estava a ficar melhorzita com a quantidade abusada de medicação que me deram, mas ninguém resiste a estas armas biológicas ambulantes que são as minhas filhas vindas do infectário. Quem se está a safar melhor ainda é o pai, mas cá para mim é porque é o que tem menos contacto connosco...
Assim, só eu já conto com vibrocil, nasomet, aerius, ventilan. Fora os da própria gravidez... Ninguém merece, IRRA!
Olhem um pequeno exemplo do que se passou durante o jantar...


PS: Sras grávidas, apesar de eu dar os nomes dos medicamentos, não se automediquem! Quem sabe o que devem ou não tomar no vosso caso é o médico. Just remenbering!!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O espelho da nossa alma

Isto não está fácil. Já não é novidade.
(...)
"Então diz-me, o que faço?"
(...)
Eu não posso dizer. Eu não sei o que dizer. Cada um tem de refletir e procurar dentro de si a resposta a esta e outras perguntas. Educar não é fácil, mas ainda mais difícil é gerir as nossas expectativas face à educação que damos.
"As meninas são o espelho do que fazemos e do que lhes mostramos. Só tens de refletir e pensar se é isso que lhes queres passar"
É isto. Mae falar é fácil. Às vezes queríamos fazer mais, melhor, mas não sentimos capacidade. No entanto, a resposta ao nosso estado de alma, é o que transmitimos a quem aprende connosco. E nem sempre estamos bem. Mas o nosso desafio passa também por cuidarmos de nós, por dentro e por fora. Ninguém consegue educar o próximo, ou ter compaixão pelo outro, se nem a si se consegue educar, se nem de si se consegue compadecer. E por isso, a primeira introspecção deve ser feita a nós mesmos "o que se passa comigo? Porque é que estou a reagir assim? O que poderia fazer para me sentir melhor?". Só depois deste exercício é que é possível ouvir e tentar aceitar o próximo. Caso contrário o desfecho parece-me que será inevitavelmente o conflito constante. E se respondemos com conflito a quem nos dá conflito, como poderemos alguma vez esperar um comportamento diferente de quem aprende connosco?
Mas falar é fácil. Eu sei que sim. Eu também me sinto perdida muitas vezes. Falhada outras tantas, porque não consegui corresponder com as minhas expectativas.
Ainda assim acho que há uma linha que diferencia um mau dia, de uma má conduta: todos nós temos dias maus, dias em que nos excedemos, em que fazemos algo que não nos orgulhamos, ou que não achamos justo. O problema é quando esse passa a ser o registo constante. Quando já não existe o outro lado, quando o nosso estado de espírito não permite que sejamos diferentes. Talvez seja importante nessa altura pararmos para pensar. Ou pedir que alguém nos reveze. Ou esperar que alguém nos diga "olha, tu não estás bem..."

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Voltar ao normal

Já aqui tenho comentado o meu alívio por se voltar às rotinas. Acho benéfico para elas e para nós. Contudo, hoje o regresso é coxo. Apenas uma segue atrasada e rabugenta para a escolinha.
A C continua doente em casa. Continua com febre. Ontem, durante o pico fisiológico da febre (entre as 18h e as 21h) ainda deu luta! Nunca baixou dos 39º apesar da medicação, nudez e banho. Só por volta das 22h é que ouvi a C dizer "quê lir bincar" (quero ir brincar), depois de ter conseguido ingerir um bagos de arroz com grão.
E eu, como boa mãe, acompanho-a. Como asmática, junto alguns desafios adicionais ao nariz estupidamente entupido e à tosse que não me deixar dormir e me provoca ainda mais contrações. Sinto-me mesmo atrapalhada. Na verdade sinto que preciso terrivelmente de descansar. Aquelas horas sem elas em casa, são preciosas para recuperar alguma energia, e sinto falta disso. Mas ontem, depois das minhas pesquisas sobre o que posso ou não tomar, decidi que vou ligar ao meu pneumonologista. Por esta altura do ano é normal fazer medicação de controlo, e segundo li, uma grávida asmática descontrolada, é mil vezes pior do que uma grávida a fazer medicação. Vou ligar! Acho que já não preciso de mais motivos para ser descontrolada... Depois dou notícias, porque já vi que hoje vai ser um dia muitooo trabalhoso!

domingo, 1 de janeiro de 2017

Quais as vossas estratégias?

Oh bolas, com o final do primeiro dia do ano deparo-me com uma cria que não quer comer, só quer o óó e a xuxu, e ficar deitadinha do sofá... Só até aqui a coisa cheira a esturro, não é verdade? Pois bem (ou pois mal), quando chega ao pé de mim nem precisei que lhe tocar para perceber que estava com febre. Aqueles olhos de carneiro mal morto não enganam ninguém... Ainda assim verifiquei com o senhor termómetro e confirma-se: Cria do meio de molho...
Como não sou daquelas mães que corre ao medicamento ao mínimo sinal, fui vigiando, e despindo... A febre não subiu mais, mas também não desceu e pelo aspecto da menina, é mesmo melhor dar qualquer coisa. E é aqui que as contas começam... Ao final de mais de 1h a febre permaneceu intacta! Pelo menos não subiu! Devo continuar a vigiar... Mas já são horas de dormir, como vou vigiar agora?
Ora, 21h30 mais quatro, e mais seis... E mais oito... Estas são as minhas hipóteses. Antes de ir dormir vou verificar! Antes do marido dormir, vai verificar e a partir daí de 2/2h é necessário ir verificar. Acertam-se estratégias e alarmes dos telefones. Outrora íamos a vez, agora é fogo de vista porque tenho que ser sempre eu a acordar e a dar tantos pontapés quantos necessários para o marido acordar e lá ir.
A outra estratégia que usamos em alternativa é quase desnudar a criança e mete-la no meio de nós. Quando a febre sobe, o calor é tão insuportável que acordo sempre! Mas por via das duvidas vou tentar evitar.
E vocês, que estratégias usam para monitorizar as febres noturnas?

201...7!!!

No último dia de 2016 eu ri, brinquei, cantei, cozinhei, trabalhei, gritei, ralhei, abracei, gerei, pintei, amei, chorei, embalei.
Que cada dia de 2017 seja tão ou mais rico, intenso e vivido! Porque os dias podem ser melhores ou piores, mas nenhum se repete, é único e merece ser vivido!
Feliz Ano Novo!