Tenho estado ausente. Neste tempo de azáfama natalícia eu precisei de me fechar.
Na verdade sinto que vivo de 15 em 15 dias. São pequenos ciclos que ditam toda uma nova realidade para cada início.
O que se passou foi que terminou um ciclo, um ciclo bom de esperança e calma, para se iniciar outro, bem diferente do anterior. "As notícias não são as melhores. A sua situação agravou-se bastante nestes últimos 15 dias". Foi o que eu não queria ouvir... O coração palpitou, a cabeça andou a mil: mil perguntas, um medo avassalador. Fui para casa. "Tem 15 dias para subir estes valores, ou vamos ter que tomar outras medidas"
Eu vou, eu faço, eu faço tudo, mas o quê? Espero? Tenho feito tudo o que me mandam, mas pelos vistos não chega, não é suficiente para salvar o meu bebé.
Foram dias de ruptura! Mas de reencontro também. É difícil sentir que não controlamos o nosso corpo, e que ele não está a fazer o que é preciso. Afinal uma mãe deve proteger, cuidar, gerar, amar, e não matar. A palavra é forte mas não vale a pena tentar amenizar. O meu bebé está bem, a crescer e a fazer a sua parte, mas eu não estou a ser capaz de lhe proporcionar um lugar seguro para ele o fazer.
Mas depois da dureza das palavras, da dureza da realidade, vem um sentimento de que é preciso tentar mais e mais! Recuso-me a ficar a assistir!
E foi então que iniciei a segunda parte deste processo: a procura! Passei os dias a vasculhar artigos, estudos, relatórios... Li tudo a que consegui chegar e mesmo o que não consegui, lutei para conseguir. Fiz telefonemas, e muitas linhas de chat. Afinal parece que há algo por experimentar. E assim os dias passam, e o meu coração ameniza, na convicção de que estou a lutar pelo meu bebé.
Com mais respostas e certezas, contacto o meu OB (Obstetra). Ele nunca fez, mas conhece o que é embora noutros contextos que não o meu. Mas ambos concordamos: vale a pena tentar!
E assim me deito de coração agitado, de pulsação acelerada, com medo, mas muita esperança e convicção de que ao menos continuo a ser mãe e a lutar contra tudo, até eu mesma, para tentar salvar o meu menino.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
Feriado em Família - o dia a seguir ao outro
Tenho que vos contar como foi o nosso feriado!
Acordar com as galinhas - check! Mantenho a minha profunda indignação para os acordares madrugadores em dias de descanso, em oposição aos acordares dificeis e rabugentos em todos os outros dias de trabalho...
Ter duas princesas como aconchego pela manhã - check!
Mas agora note-se: o pequeno almoço foi bastante calmo. O vestir recheado de cocegas e gargalhadas. O resto da manhã passada entre portas abertas, ar livre, triciclos e jogos de bola.
Almoço tranquilo. Dei a sopa às duas, à vez para não haver conflitos. O 2º teve tanto sucesso que cheguei a perguntar se elas estavam a comer ou se tinham adormecido (incluía puré). A seguir veio a sesta parcialmente acompanhada pelo papá. Um tempo para arrumações, uma desistência antecipada da sesta e os dois rumaram às compras. Pouco depois, desce a mais velha e ficamos as duas enroladinhas a ver um filme no sofá (há coisa melhor que isto?). Com a chegada do lanche, o pai decidiu organizar uma sessão de cinema em familia. Tirando a mais pequena que foi previsivelmente inconstante, ali estivemos todos, bem juntinhos e quentinhos a passar um bom momento em familia.
E pronto, o resto do dia passou-se sem grandes ondas e no fim, antes de ir dormir recebi um "Amo-te".
Com isto, posso concluir que há posts que valem mesmo a pena :)
PS: Engane-se quem achou que andei na "boa-vai-ela", fui uma espectadora cumpridora!
Acordar com as galinhas - check! Mantenho a minha profunda indignação para os acordares madrugadores em dias de descanso, em oposição aos acordares dificeis e rabugentos em todos os outros dias de trabalho...
Ter duas princesas como aconchego pela manhã - check!
Mas agora note-se: o pequeno almoço foi bastante calmo. O vestir recheado de cocegas e gargalhadas. O resto da manhã passada entre portas abertas, ar livre, triciclos e jogos de bola.
Almoço tranquilo. Dei a sopa às duas, à vez para não haver conflitos. O 2º teve tanto sucesso que cheguei a perguntar se elas estavam a comer ou se tinham adormecido (incluía puré). A seguir veio a sesta parcialmente acompanhada pelo papá. Um tempo para arrumações, uma desistência antecipada da sesta e os dois rumaram às compras. Pouco depois, desce a mais velha e ficamos as duas enroladinhas a ver um filme no sofá (há coisa melhor que isto?). Com a chegada do lanche, o pai decidiu organizar uma sessão de cinema em familia. Tirando a mais pequena que foi previsivelmente inconstante, ali estivemos todos, bem juntinhos e quentinhos a passar um bom momento em familia.
E pronto, o resto do dia passou-se sem grandes ondas e no fim, antes de ir dormir recebi um "Amo-te".
Com isto, posso concluir que há posts que valem mesmo a pena :)
PS: Engane-se quem achou que andei na "boa-vai-ela", fui uma espectadora cumpridora!
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
Tenho pena, porque gosto de ti
Entras, cumprimentas-me com um beijo. Desapareces por um bocado. Estás a arranjar as coisas. Voltas. Entre ordenações mais ou menos violentas, levas as meninas para o banho. Fico a ouvir... Oiço crianças a rir, crianças a chorar, alguns gritos. Todos os dias igual.
Desces de novo com as nossas filhas e desapareces por um bocado. Estás a arranjar as coisas. Voltas. Trazes o meu jantar. Entre ordenações mais ou menos violentas, levas as meninas para jantar. Fico a ouvir. Volto a ouvir crianças a rir, depois a chorar, mais gritos, tu a ralhares. Decidi tentar ajudar. Hoje dou eu a sopa a uma, amanhã a outra. Portam-se tão bem! A refeição acaba e elas voltam para mim. Tu desapareces. Vais arranjar as coisas. Mas a hora já vai adiantada e já pouco consigo fazer para as entreter. Precisam de descansar. Peço-te para as levares.
Está na minha hora de recolher ao quarto. Aproveito a viagem e passo pelo quarto delas. Ajudo no que posso. Lavo os dentes a uma, aconchego-as no final. Nunca me deito sem lhes dizer boa noite! O nosso ritual de boa noite! E digo que as amo, que não vou ficar como era costume, como me pedem, mas que as amo muito e estou mesmo ali ao lado. Tu ficas.
Apareces passado um bocado. Mas eu estou cansada. E tu ainda tens tanto para fazer, e ainda tens que trabalhar. Desapareces de novo e eu fico a adormecer-me.
Tenho pena porque gosto de ti. Não sei nada de ti. Como foi o teu dia? O que fizeste hoje? Foi giro? Queres saber o que fiz? Eu estive sozinha... Hoje teve bom tempo? Mal vi a rua hoje... Tenho pena, porque gosto de ti.
Mas fico a pensar. E elas? Também terão pena? Provavelmente eu também estava assim. Fui só eu que mudei. E não foi porque quis. E agora dou por mim a ver as minhas filhas, a falar com elas, a brincar. Penso nas coisas que podemos fazer juntas, comigo nesta posição, nesta condição. Mas elas já não perguntam. Correm para mim quando chegam. E vejo-as crescer. Como é que cresceram tanto ultimamente? Como é que não percebi? E paro e dou Graças a Deus por me ter dado a oportunidade de ver as minhas filhas, de dar valor ao que sempre aqui esteve. A dar ainda mais valor aos seus corpos enrolados no meu, procurando o meu calor e segurança quando a noite as atraiçoa. Novos hábitos, novas rotinas. A manhã já não começa no quarto delas, mas na minha cama, entre beijinhos e carinhos, e muito muito amor.
E fico a pensar. Tenho pena, porque gosto de ti...
Desces de novo com as nossas filhas e desapareces por um bocado. Estás a arranjar as coisas. Voltas. Trazes o meu jantar. Entre ordenações mais ou menos violentas, levas as meninas para jantar. Fico a ouvir. Volto a ouvir crianças a rir, depois a chorar, mais gritos, tu a ralhares. Decidi tentar ajudar. Hoje dou eu a sopa a uma, amanhã a outra. Portam-se tão bem! A refeição acaba e elas voltam para mim. Tu desapareces. Vais arranjar as coisas. Mas a hora já vai adiantada e já pouco consigo fazer para as entreter. Precisam de descansar. Peço-te para as levares.
Está na minha hora de recolher ao quarto. Aproveito a viagem e passo pelo quarto delas. Ajudo no que posso. Lavo os dentes a uma, aconchego-as no final. Nunca me deito sem lhes dizer boa noite! O nosso ritual de boa noite! E digo que as amo, que não vou ficar como era costume, como me pedem, mas que as amo muito e estou mesmo ali ao lado. Tu ficas.
Apareces passado um bocado. Mas eu estou cansada. E tu ainda tens tanto para fazer, e ainda tens que trabalhar. Desapareces de novo e eu fico a adormecer-me.
Tenho pena porque gosto de ti. Não sei nada de ti. Como foi o teu dia? O que fizeste hoje? Foi giro? Queres saber o que fiz? Eu estive sozinha... Hoje teve bom tempo? Mal vi a rua hoje... Tenho pena, porque gosto de ti.
Mas fico a pensar. E elas? Também terão pena? Provavelmente eu também estava assim. Fui só eu que mudei. E não foi porque quis. E agora dou por mim a ver as minhas filhas, a falar com elas, a brincar. Penso nas coisas que podemos fazer juntas, comigo nesta posição, nesta condição. Mas elas já não perguntam. Correm para mim quando chegam. E vejo-as crescer. Como é que cresceram tanto ultimamente? Como é que não percebi? E paro e dou Graças a Deus por me ter dado a oportunidade de ver as minhas filhas, de dar valor ao que sempre aqui esteve. A dar ainda mais valor aos seus corpos enrolados no meu, procurando o meu calor e segurança quando a noite as atraiçoa. Novos hábitos, novas rotinas. A manhã já não começa no quarto delas, mas na minha cama, entre beijinhos e carinhos, e muito muito amor.
E fico a pensar. Tenho pena, porque gosto de ti...
domingo, 27 de novembro de 2016
Papas e descanso!
Primeiro domingo do meu repouso:
Ao fim de semana o repouso pia de fininho... Tenho a casa num caos, o marido num caco e as filhas num pingo. Anda tudo a passar por entre os vírus, tosses e febres. No meio da desorientação amontoa-se roupa por lavar, por secar e por passar, pratos por lavar e comida por preparar... E eu? Bem, eu pouco posso fazer senão assistir e roer as unhas. Ainda ontem estava a assistir ao programa de Tv "a minha mãe cozinha melhor que a tua" e a certa altura, um dos concorrentes ao ver o caos e desespero do seu companheiro, preferiu entrar em cena mesmo sabendo que seriam ambos penalizados. Às vezes sinto-me assim. Tenho a certeza que 10/15 minutinhos chegavam para meter alguma ordem na casa, mas é tãooo arriscado 😔
Por isso é preferível arranjar planos Bs (e Cs, e Ds...). Juntar o útil ao agradável e rezar para que corra bem. Então, convidei para almoçar uma irmã de coração! Reservei o almoço sabendo que havia cozido no restaurante de bairro. Pedi para pôr o dvd da Barbie e fiquei com as gordinhas enroscada no sofá. Resultado: 0 preocupação com o almoço, boa companhia, marido mais liberto para arrumar a confusão que se instaurou e gordinhas que adormeceram no sofá e que estão umas fofuchas a aquecer e fazer companhia a mamã (que entretanto é a única que está a ver a Barbie 😂).
Vamos ver como corre o resto do dia e para vocês Bom Domingo!!
Ao fim de semana o repouso pia de fininho... Tenho a casa num caos, o marido num caco e as filhas num pingo. Anda tudo a passar por entre os vírus, tosses e febres. No meio da desorientação amontoa-se roupa por lavar, por secar e por passar, pratos por lavar e comida por preparar... E eu? Bem, eu pouco posso fazer senão assistir e roer as unhas. Ainda ontem estava a assistir ao programa de Tv "a minha mãe cozinha melhor que a tua" e a certa altura, um dos concorrentes ao ver o caos e desespero do seu companheiro, preferiu entrar em cena mesmo sabendo que seriam ambos penalizados. Às vezes sinto-me assim. Tenho a certeza que 10/15 minutinhos chegavam para meter alguma ordem na casa, mas é tãooo arriscado 😔
Por isso é preferível arranjar planos Bs (e Cs, e Ds...). Juntar o útil ao agradável e rezar para que corra bem. Então, convidei para almoçar uma irmã de coração! Reservei o almoço sabendo que havia cozido no restaurante de bairro. Pedi para pôr o dvd da Barbie e fiquei com as gordinhas enroscada no sofá. Resultado: 0 preocupação com o almoço, boa companhia, marido mais liberto para arrumar a confusão que se instaurou e gordinhas que adormeceram no sofá e que estão umas fofuchas a aquecer e fazer companhia a mamã (que entretanto é a única que está a ver a Barbie 😂).
Vamos ver como corre o resto do dia e para vocês Bom Domingo!!
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
1º dia do resto do meu repouso
Hoje acordei com um sol fantástico! Estava um sol fantástico não estava?
Ouvi as meninas e sorri. Ajudei a vestir no que pude e penteei cabelos. Beijinhos, beijinhos e ouvi-as sair.
Pouco depois volto à saga dos meus contactos: encontrar uma empregada era mesmo o grande objectivo! Felizmente já tinha feito alguns contactos ontem e a meio da manhã tive a oportunidade de falar com uma das "candidatas" pessoalmente. Não era uma candidata qualquer, o que a fazia levar já algum avanço. Experiente, calma, e familiar de uma amiga, o que aumenta logo o nível de confiabilidade. Conversa puxa conversa e a empatia surgiu facilmente. Acordámos as condições e começou logo no momento seguinte. Não podia ter corrido melhor! Ainda nem sequer era hora do almoço e já tinha o meu objectivo do dia cumprido!
O resto do dia foi passando sem grandes sobressaltos. É bom sentir-nos acarinhadas com todos os telefonemas e mensagens de apoio. Para primeiro dia vou de coração carregado!
Só tenho pena que na maior parte dos sites, hoje ainda não se aplique o black friday. Torrar dinheiro à distância de um click, com a convicção de que ainda poupo e ajudo o pai Natal, teria sido ouro sobre azul. Assim parece que vou ter que arranjar espaço na minha agenda de amanhã 😂
O dia termina em beleza com as minhas barulhentas a entrar pela casa, pelas escadas, pelo quarto, e só por isto sorrio e sinto que valeu a pena!
Ouvi as meninas e sorri. Ajudei a vestir no que pude e penteei cabelos. Beijinhos, beijinhos e ouvi-as sair.
Pouco depois volto à saga dos meus contactos: encontrar uma empregada era mesmo o grande objectivo! Felizmente já tinha feito alguns contactos ontem e a meio da manhã tive a oportunidade de falar com uma das "candidatas" pessoalmente. Não era uma candidata qualquer, o que a fazia levar já algum avanço. Experiente, calma, e familiar de uma amiga, o que aumenta logo o nível de confiabilidade. Conversa puxa conversa e a empatia surgiu facilmente. Acordámos as condições e começou logo no momento seguinte. Não podia ter corrido melhor! Ainda nem sequer era hora do almoço e já tinha o meu objectivo do dia cumprido!
O resto do dia foi passando sem grandes sobressaltos. É bom sentir-nos acarinhadas com todos os telefonemas e mensagens de apoio. Para primeiro dia vou de coração carregado!
Só tenho pena que na maior parte dos sites, hoje ainda não se aplique o black friday. Torrar dinheiro à distância de um click, com a convicção de que ainda poupo e ajudo o pai Natal, teria sido ouro sobre azul. Assim parece que vou ter que arranjar espaço na minha agenda de amanhã 😂
O dia termina em beleza com as minhas barulhentas a entrar pela casa, pelas escadas, pelo quarto, e só por isto sorrio e sinto que valeu a pena!
quarta-feira, 23 de novembro de 2016
Hoje estar com as meninas teve um significado especial!
Hoje foi um dia longo, duro e de muitas emoções. Chego ao fim do dia com um misto de sentimentos entre o aliviada e apreensiva. Mas passo a contar:
Acordei, arranjei-me a mim e às meninas e rumei à escola para as deixar. A seguir fui até ao hospital porque ontem as coisas não me pareceram assim tão bem e como diz o outro "it is better to say sorry, than to be sorry".
E de facto não me enganei... Maquinetas para aqui, avaliações para acolá, foram precisos 3 médicos a debater o assunto para me dizerem o seguinte: "está com risco muito elevado de perder o seu bebé e não podemos fazer muito mais por si"... Foi difícil de engolir. O que se passa é que tenho um colo uterino ineficiente, com tamanho e comportamento desajustado à fase da gravidez, provocado por um útero com contractividade. Ou seja, o meu útero é um esquisitinho, gosta pouco de ocupantes, e por isso trata de apertar os inquilinos de forma a mete-los de lá para fora... O outro problema que se põe é que com o tempo de gestação com que estou (+/- 4 meses), caso o senhor útero leve a melhor, o bebe perde a vida sem qualquer viabilidade. Faltam exactamente cerca de 2 meses para que o bebe tenha alguma probabilidade de sobrevivência, ainda que em condições duvidosas na maior parte dos casos... E portanto, pelas palavras dos médicos, não há muita coisa a fazer, a não ser ficar de repouso absoluto (deitada com permissão para pestanejar), e tentar uma medicação que pretende diminuir os efeitos nefastos da contratividade do seu útero.
Vim para casa tal como fui, quase sozinha. Cheguei a casa e desabei! Mas de certa forma ainda bem que desabei. Acho que descomprimi e a seguir a descomprimir arregacei as mangas e pus-me ao trabalho. Há logísticas para tratar, empregadas para contratar...
Ficar de repouso absoluto não é nada fácil, durante tanto tempo ainda menos, não tendo certezas sequer de que vai valer a pena é sem dúvida penoso! Mas, ainda assim tenho a certeza (até porque me foi confirmado no hospital) que se tivesse ido a uma MAC, por exemplo, já não tinha saído de lá, e iria estar provavelmente 5 meses lá fechada. O que mais me aterroriza é que isso também significa 5 meses sem estar com as minhas filhas, sem brincar, sem gritos, sem risos. 5 meses de um vazio que não se consegue explicar! Isso não! Só de pensar doi! Por isso comprometi-me: a ser, pelo menos que seja em casa, que eu as possa ver, ouvir, tocar, beijar. Até posso ler-lhes uma história ou jogar um jogo. Por isso, sim! Vou portar-me bem! Quero dar graças a Deus por todos os dias que estou com elas e que ainda assim luto pela vida do meu novo rebento. Na esperança que "brevemente" sejamos uma família maior, mais completa e sempre sempre forte e unida!
Acordei, arranjei-me a mim e às meninas e rumei à escola para as deixar. A seguir fui até ao hospital porque ontem as coisas não me pareceram assim tão bem e como diz o outro "it is better to say sorry, than to be sorry".
E de facto não me enganei... Maquinetas para aqui, avaliações para acolá, foram precisos 3 médicos a debater o assunto para me dizerem o seguinte: "está com risco muito elevado de perder o seu bebé e não podemos fazer muito mais por si"... Foi difícil de engolir. O que se passa é que tenho um colo uterino ineficiente, com tamanho e comportamento desajustado à fase da gravidez, provocado por um útero com contractividade. Ou seja, o meu útero é um esquisitinho, gosta pouco de ocupantes, e por isso trata de apertar os inquilinos de forma a mete-los de lá para fora... O outro problema que se põe é que com o tempo de gestação com que estou (+/- 4 meses), caso o senhor útero leve a melhor, o bebe perde a vida sem qualquer viabilidade. Faltam exactamente cerca de 2 meses para que o bebe tenha alguma probabilidade de sobrevivência, ainda que em condições duvidosas na maior parte dos casos... E portanto, pelas palavras dos médicos, não há muita coisa a fazer, a não ser ficar de repouso absoluto (deitada com permissão para pestanejar), e tentar uma medicação que pretende diminuir os efeitos nefastos da contratividade do seu útero.
Vim para casa tal como fui, quase sozinha. Cheguei a casa e desabei! Mas de certa forma ainda bem que desabei. Acho que descomprimi e a seguir a descomprimir arregacei as mangas e pus-me ao trabalho. Há logísticas para tratar, empregadas para contratar...
Ficar de repouso absoluto não é nada fácil, durante tanto tempo ainda menos, não tendo certezas sequer de que vai valer a pena é sem dúvida penoso! Mas, ainda assim tenho a certeza (até porque me foi confirmado no hospital) que se tivesse ido a uma MAC, por exemplo, já não tinha saído de lá, e iria estar provavelmente 5 meses lá fechada. O que mais me aterroriza é que isso também significa 5 meses sem estar com as minhas filhas, sem brincar, sem gritos, sem risos. 5 meses de um vazio que não se consegue explicar! Isso não! Só de pensar doi! Por isso comprometi-me: a ser, pelo menos que seja em casa, que eu as possa ver, ouvir, tocar, beijar. Até posso ler-lhes uma história ou jogar um jogo. Por isso, sim! Vou portar-me bem! Quero dar graças a Deus por todos os dias que estou com elas e que ainda assim luto pela vida do meu novo rebento. Na esperança que "brevemente" sejamos uma família maior, mais completa e sempre sempre forte e unida!
terça-feira, 15 de novembro de 2016
Em busca da Elsa perdida...
Cometi a asneira (sim, a ideia era boa mas já a chamo de asneira!) de levar as miúdas ao Continente, antes dos 50% em brinquedos, para que elas vissem alguma coisa que gostassem para pedirem ao Pai Natal... Resultou muito bem mesmo! As duas agarraram-se a uma Elsa do Frozen que canta o "let it go". Dizem que não querem mais nada, só falam no raio da boneca.
O problema?? Esgotou durante o tal fim de semana (que eu não fui) e não encontro à venda em mais lado nenhum! 😱😱😱
Por isso, por favor, se virem por aí uma Elsa cantante, uma não, duas! Digam qualquer coisa, please!
O problema?? Esgotou durante o tal fim de semana (que eu não fui) e não encontro à venda em mais lado nenhum! 😱😱😱
Por isso, por favor, se virem por aí uma Elsa cantante, uma não, duas! Digam qualquer coisa, please!
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