A minha vida continua um caos. Não me vou alongar muito a este respeito e espero que entendam a minha fraca assiduidade por aqui. É uma fase. Vai passar...
E assim também eu pensava em relação à M. Aliás, penso todos os dias, às vezes todas as horas, várias vezes por minuto... Será próprio da idade? Será ainda a questão da adaptação à escola? Estará com algum problema que não estou a conseguir compreender? Serei eu que lhe estou a passar a minha ansiedade e desespero? Provavelmente será um bom cocktail destas e de outras razões que não me sinto iluminada para discernir. Mas passando as razões ao largo, em termos práticos tenho um problema para resolver!
A M. neste momento faz birras por tudo (e por nada). As mais recorrentes estão indiscutívelmente relacionadas com a roupa a vestir. Mas este é outro post... As birras acontecem de manhã, logo a seguir, à tarde, à noite ou em qualquer outra altura que não dê jeito. Tendem a começar logo ao acordar e conseguem arrastar-se por longoooos minutos que me desesperam, me tiram do sério, me levam a energia. Tenho chegado atrasada a todo o lado, cansada e de mau humor. Eu bem sei que a minha postura deveria ser bem diferente, mas desculpa lá Mundo-todo-que-critica, desculpem lá entendidos em boa educação e mães perfeitas, eu simplesmente não estou a ser capaz!
Bem, a outra altura de festa garantida é a noite. Normalmente começa logo ao sair da escola com um "Pa casa nãoooooo!!!", seguido de "Quelho boácha, duas mamã!", que depois de transforma em "Pó banho nãoooo". Podia continuar, mas acho que já entenderam a ideia. Hora de dormir: piora em todos os sentidos. Começam os disparates patetas, o descontrolo total, o não querer ir para a cama, o não querer o pijama/cuecas/meias ou o que vier à imaginação, os mil e um xixis... As HORAS passam e a paciência também... Em modo pseudo racional deixo-a estar a acalmar-se, ou ralho, ou abraço, ou falo e argumento, ou grito que nem louca, ou fico junto dela, ou desisto e passo a bola... Enfim, já tentei de tudo, e nada parece resultar. Até porque faça o que eu faça, sou sempre eu que sou chamada à boca de cena. Mais ninguém tem permissão para entrar, para ficar, para fazer seja lá o que for. Só a "minha mamã!". O coração (e o resto do corpo todo) ficam divididos, num sentimento de culpa atróz, numa incapacidade de controlar os meus próprios nervos, num chamamento instintivo de uma cria. E assim se cria um ciclo: descontrolo para dormir, adormecer muito depois da hora "prevista", num estado muito diferente do "previsto", com manhãs dificeis de acordar e por isso também elas tempestuosas... Um novo ciclo começa (ou piora) a cada novo serão.
Ontem cheguei ao meu limite! E isso fez-me pensar seriamente que a maior prejudicada nisto tudo é, sem duvida nenhuma, a M. Ela não descansa e está a passar mal com isso. Quanto menos dorme, pior a situação. Então cometi uma daquelas que eu sempre torci o nariz. Daquelas que eu acho que põem qualquer mãe a questionar muita coisa dentro de si. Eu fui à farmácia e dopei a minha filha para ela dormir. Em minha defesa, o produto é "natural", dentro dos "que não fazem mal nenhum, nem criam qualquer dependência", e que até "os pediatras recomendam imenso"...
O que é certo é que eu não quero ver a minha filha no estado em que tem andado. É verdade que também não me quero ver no estado em que EU tenho andado. Mas uma mãe também tem que perceber que há alturas que não consegue mais, e que mais importante que os seus "pressupostos" é o bem estar das crianças, e da familía por consequência.
E agora estarão eventualmente a pensar "E resultou?"
Bem, mais ou menos. Foram 5 gotinhas apenas (eram 4, mas a ultima caiu por engano). Demorou menos a adormecer, se bem que ainda longe do que eu acho "saudável". Mas a C. hoje decidiu boicotar o esquema. Hoje foi ela que fez fita (também tem direito, é certo!), e não deixou a irmã adormecer mais cedo. Mesmo assim notei uma enorme diferença no estado geral da M. Não fez birra, esteve calma, serena, visivelmente mais relaxada, mais receptiva. A noite decorreu muito mais calma, sem zangas ou reprimentas, sem gritos ou choros. E só por isso já valeu muitooo a pena!
domingo, 25 de outubro de 2015
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
18 meses
Ontem a Clarinha fez 18 meses! 18m de Maria Clara! 18m de muita rabinice, de muitas gargalhadas escondidas, de muitas emoções fortes, muitas incertezas, muito amor, muitos cabelos brancos, muitos beijinhos, muitas surpresas e nervos! Uma menina perfeita, uma filha doce e rebelde, louca e inteligente. Que choca e seduz, que exaspera e derrete :)
A Clara já está quase desmamada. Não por falta de insistência mas porque ela assim o quis. Come bem, já dormiu melhor. Não sei quantos dentes tem porque ela não deixa ver, mas decerto que um dia os terá a todos. De peso está boa e recomenda-se! Os meus braços já reclamam. Mantém-se rodinhas baixas, se continuar assim há-de preferir os saltos altos. Anda, corre, salta, trepa. Adora fazer birra, testar a mamã e explorar o mundo. Marca a sua posição e é persistente. Ainda faz xixi na fralda, e coco também. As fraldas também têm vantagens pelo que esperarei pacientemente que a minha filha decida que o quer deixar de fazer. Adora pôr comida ao nosso gato, arreliar a mana, brincar com bonecas, livros e pintar paredes. Fala muito, mas não fui eu que lhe ensinei. Eu não ensino nada. Acompanho-a. Não quero que ela faça coisas dos crescidos. Ela só vai ter 18 meses uma vez e é maravilhoso ver o que ela aprendeu sozinha, sem que eu tenha pressa que ela o faça. Calça-se e veste-se sozinha (coisas simples). Come de garfo. Não deixa que o façamos por ela. Já terei dito que ela é persistente?
Que venham muitos mais 18 meses!
A Clara já está quase desmamada. Não por falta de insistência mas porque ela assim o quis. Come bem, já dormiu melhor. Não sei quantos dentes tem porque ela não deixa ver, mas decerto que um dia os terá a todos. De peso está boa e recomenda-se! Os meus braços já reclamam. Mantém-se rodinhas baixas, se continuar assim há-de preferir os saltos altos. Anda, corre, salta, trepa. Adora fazer birra, testar a mamã e explorar o mundo. Marca a sua posição e é persistente. Ainda faz xixi na fralda, e coco também. As fraldas também têm vantagens pelo que esperarei pacientemente que a minha filha decida que o quer deixar de fazer. Adora pôr comida ao nosso gato, arreliar a mana, brincar com bonecas, livros e pintar paredes. Fala muito, mas não fui eu que lhe ensinei. Eu não ensino nada. Acompanho-a. Não quero que ela faça coisas dos crescidos. Ela só vai ter 18 meses uma vez e é maravilhoso ver o que ela aprendeu sozinha, sem que eu tenha pressa que ela o faça. Calça-se e veste-se sozinha (coisas simples). Come de garfo. Não deixa que o façamos por ela. Já terei dito que ela é persistente?
Que venham muitos mais 18 meses!
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Alive!!!
I'm feeling ALIVE!
Esperei imenso por este dia! O dia do regresso à Dança! Estava tão ansiosa que nem sequer conseguia esconder o nervosismo.
E valeu tudo a pena, cada segundo! É bom voltar a mexer, é bom mimar-me, é bom sentir-me bem :)
Esperei imenso por este dia! O dia do regresso à Dança! Estava tão ansiosa que nem sequer conseguia esconder o nervosismo.
E valeu tudo a pena, cada segundo! É bom voltar a mexer, é bom mimar-me, é bom sentir-me bem :)
Hormonas
Estar num consultório cheio de grávidas dá cabo do meu equilíbrio hormonal! Que treta! Tenho que ir ali ver o meu extrato bancário para me acalmar...
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Ser mãe não é fácil
Tenho a cabeça a latejar. Tenho sono, sinto-me um pote de ansiedade, preocupação e medo. Tenho um prazo muito dificil para cumprir, profissionalmente. Mas o Mundo não parou por minha causa. O Mundo não parece sequer ligar, ou estar minimamente compreensivo com o meu estado de espírito. Perante a minha pouca disponibilidade mental, as minhas filhas também não parecem compadecer-se. Deveriam? Gostava que a resposta fosse outra, mas elas são apenas crianças a serem crianças, e eu? Eu antes de qualquer outra coisa, vou ser sempre mãe...
Nem sempre vou ser a mãe que gostaria, nem sempre vou conseguir, nem sempre me vai apetecer sequer tentar. Posso apenas prometer que me vou esforçar, vou tentar.
Mas esta conversa toda porque hoje, enquanto mãe e pessoa, tive que lidar com sentimentos dificeis e contraditórios. Como é que é possível querer abraçar e "espancar" a mesma criança ao mesmo tempo?
A tia Ná deu um livro à M. Não é apenas um livro, é o seu livro! Uma relíquia em forma de livro. O seu livro preferido de infância, e ela deu-lhe. Só por isto, aquele livro já tem o dobro do seu tamanho.
A M adorou. Há vários dias que o elegeu como o seu preferido também. Passeia-o, folheia-o vezes sem conta. Ontem pediu-me para ficar com o livro ao pé de si na cama. Sei que "a cama" não é uma situação fácil para a M, por isso deixei...
Mas houve um zaguizado. Ela portou-se mal e eu ralhei. Acho qua talvez me tenha portado mal também. O que se sucedeu calculo que tenha sido uma descarga de frustração. "Estou zangada! Não quero dormir! E a mãe ralhou!" Deve ter sido mais ou menos esta a lógica de pensamentos, presumo eu. E numa incapacidade de lidar com toda uma avalanche de sentimentos, o livro, o tão adorado livro, foi quem sofreu.
Mais tarde, já todos dormiam, fui ao quarto como sempre, tapar as meninas. O meu coração não queria acreditar quando viu o livro rasgado em mil bocadinhos. Ela dormia serena. O meu marido disse que achava que o livro deveria ficar assim até ela acordar e que deveriamos falar com ela, em vez de ralhar. Concordo! Ou concordaria se fosse capaz...
De manhã, sozinha com as duas, veio a tal conversa: "A mamã está triste com o que tu fizeste. E a tia Ná ainda vai ficar mais triste quando souber. Quando estamos zangados não devemos estragar as coisas. Para além de não resolver nada, ainda nos faz sentir melhor e deixar os outros tristes". O primeiro impacto não foi mau. Ela respondeu que é uma menina crescida e que não pode estragar os livros. Também disse que ia apanhar o livro para a mamã.
Mas o meu coração estava realmente magoado. Senti-me ferida! Estava a fazer um esforço enorme para me controlar. Para ser paciente e compreensiva. Estava a tentar não a julgar ou castigar, como se o seu nível de maturidade fosse igual ao meu. Mas não é fácil. Quando temos o coração cheio de sentimentos maus, é dificil criar espaço para se ser positiva.
Também lhe disse que íamos tentar arranjar o livro logo à noite. Dizer que fez mal sem lhe dar uma alternativa para tentar minimizar o estrago, é pouco útil. Mas ela percebeu que eu não estava assim tão calma. Ela também não estava assim tão calma. E começou a exigir de mim. Disse-lhe que estava nervosa e que não me queria chatear. Que estava a fazer um esforço para não ralhar nem me chatear, e que ela me devia dar uns minutos. Mas ela não o fez. Ela não o sabe fazer! Ela não entende. Se eu não consigo controlar as minhas emoções para ajudar a minha filha a aprender com o que fez, como posso esperar que a minha filha de (quase) 3 anos controle as suas? Seguiu-se uma enorme birra!
A minha resposta não foi a melhor. Distribuí gritos por tudo e por todos. Gerei um clima de confusão e hostilidade. Eu também estava a fazer birra. Eu também estava a exteriorizar a minha tristeza e frustração. E também não da melhor forma possível. Se calhar devia ter ido rasgar um livro ou dois... Os livros são bens materiais. É certo que os devemos preservar. Devemos cuidar dos objectos, e cuidar também daqueles que são especiais para os outros. Mas no fundo, não passam de objectos.
Cada grito que dei às minhas filhas, cada ralhete, cada atitude menos correcta, vai moldar a forma como elas vão reagir às suas próprias emoções no futuro. O meu papel de mãe é ensinar-lhe caminhos para lidar com as emoções e dificuldades que elas vão encontrando. Mas como fazer isso quando nem eu consigo controlar as minhas? Como posso exigir a uma criança algo que nem eu consigo fazer? É assim tão diferente o que eu fiz do que ela fez? Será que ela deixou as pessoas mais tristes com o que ela fez, do que eu?
Pensar nisto com distanciamento permite ver as coisas de outra forma, embora não me garanta que vá fazer melhor de futuro. Vou pelo menos tentar! Talvez devesse fazer um poster e colocar no meu quarto para não me esquecer:
Uma criança de 3 anos não entende o sentimentalismo associado a objectos.
Uma criança de 3 anos não consegue controlar os seus impulsos em caso de frustração.
Uma criança de 3 anos não tem real noção das consequências das suas acções.
Uma criança de 3 anos não sabe lidar com a maior parte das emoções fortes.
Mas um adulto sim...
Nem sempre vou ser a mãe que gostaria, nem sempre vou conseguir, nem sempre me vai apetecer sequer tentar. Posso apenas prometer que me vou esforçar, vou tentar.
Mas esta conversa toda porque hoje, enquanto mãe e pessoa, tive que lidar com sentimentos dificeis e contraditórios. Como é que é possível querer abraçar e "espancar" a mesma criança ao mesmo tempo?
A tia Ná deu um livro à M. Não é apenas um livro, é o seu livro! Uma relíquia em forma de livro. O seu livro preferido de infância, e ela deu-lhe. Só por isto, aquele livro já tem o dobro do seu tamanho.
A M adorou. Há vários dias que o elegeu como o seu preferido também. Passeia-o, folheia-o vezes sem conta. Ontem pediu-me para ficar com o livro ao pé de si na cama. Sei que "a cama" não é uma situação fácil para a M, por isso deixei...
Mas houve um zaguizado. Ela portou-se mal e eu ralhei. Acho qua talvez me tenha portado mal também. O que se sucedeu calculo que tenha sido uma descarga de frustração. "Estou zangada! Não quero dormir! E a mãe ralhou!" Deve ter sido mais ou menos esta a lógica de pensamentos, presumo eu. E numa incapacidade de lidar com toda uma avalanche de sentimentos, o livro, o tão adorado livro, foi quem sofreu.
Mais tarde, já todos dormiam, fui ao quarto como sempre, tapar as meninas. O meu coração não queria acreditar quando viu o livro rasgado em mil bocadinhos. Ela dormia serena. O meu marido disse que achava que o livro deveria ficar assim até ela acordar e que deveriamos falar com ela, em vez de ralhar. Concordo! Ou concordaria se fosse capaz...
De manhã, sozinha com as duas, veio a tal conversa: "A mamã está triste com o que tu fizeste. E a tia Ná ainda vai ficar mais triste quando souber. Quando estamos zangados não devemos estragar as coisas. Para além de não resolver nada, ainda nos faz sentir melhor e deixar os outros tristes". O primeiro impacto não foi mau. Ela respondeu que é uma menina crescida e que não pode estragar os livros. Também disse que ia apanhar o livro para a mamã.
Mas o meu coração estava realmente magoado. Senti-me ferida! Estava a fazer um esforço enorme para me controlar. Para ser paciente e compreensiva. Estava a tentar não a julgar ou castigar, como se o seu nível de maturidade fosse igual ao meu. Mas não é fácil. Quando temos o coração cheio de sentimentos maus, é dificil criar espaço para se ser positiva.
Também lhe disse que íamos tentar arranjar o livro logo à noite. Dizer que fez mal sem lhe dar uma alternativa para tentar minimizar o estrago, é pouco útil. Mas ela percebeu que eu não estava assim tão calma. Ela também não estava assim tão calma. E começou a exigir de mim. Disse-lhe que estava nervosa e que não me queria chatear. Que estava a fazer um esforço para não ralhar nem me chatear, e que ela me devia dar uns minutos. Mas ela não o fez. Ela não o sabe fazer! Ela não entende. Se eu não consigo controlar as minhas emoções para ajudar a minha filha a aprender com o que fez, como posso esperar que a minha filha de (quase) 3 anos controle as suas? Seguiu-se uma enorme birra!
A minha resposta não foi a melhor. Distribuí gritos por tudo e por todos. Gerei um clima de confusão e hostilidade. Eu também estava a fazer birra. Eu também estava a exteriorizar a minha tristeza e frustração. E também não da melhor forma possível. Se calhar devia ter ido rasgar um livro ou dois... Os livros são bens materiais. É certo que os devemos preservar. Devemos cuidar dos objectos, e cuidar também daqueles que são especiais para os outros. Mas no fundo, não passam de objectos.
Cada grito que dei às minhas filhas, cada ralhete, cada atitude menos correcta, vai moldar a forma como elas vão reagir às suas próprias emoções no futuro. O meu papel de mãe é ensinar-lhe caminhos para lidar com as emoções e dificuldades que elas vão encontrando. Mas como fazer isso quando nem eu consigo controlar as minhas? Como posso exigir a uma criança algo que nem eu consigo fazer? É assim tão diferente o que eu fiz do que ela fez? Será que ela deixou as pessoas mais tristes com o que ela fez, do que eu?
Pensar nisto com distanciamento permite ver as coisas de outra forma, embora não me garanta que vá fazer melhor de futuro. Vou pelo menos tentar! Talvez devesse fazer um poster e colocar no meu quarto para não me esquecer:
Uma criança de 3 anos não entende o sentimentalismo associado a objectos.
Uma criança de 3 anos não consegue controlar os seus impulsos em caso de frustração.
Uma criança de 3 anos não tem real noção das consequências das suas acções.
Uma criança de 3 anos não sabe lidar com a maior parte das emoções fortes.
Mas um adulto sim...
terça-feira, 29 de setembro de 2015
Pérolas by M #6
Estamos em pleno Streatfest (que para quem não sabe, foi um festival de comida de rua que houve em Lx no domingo passado). O cheiro das iguarias a serem preparadas é inquietante e motivador. E nisto a M diz:
"Mamã, quelh'um cachopo!"
"Mamã, quelh'um cachopo!"
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