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domingo, 29 de março de 2015

Hora do planeta cá de casa

Ontem também tivemos a nossa hora do planeta. Somos sensíveis às questões ambientais e portanto quisemos aderir, mesmo calhando em plena hora de jantar. Então, apagámos as luzes e acendemos as velas. Pusemos a mesa, tirámos a sopa do frigorífico, aquecemos no microondas cada um dos pratos, ligámos a televisão para distrair as miúdas, enquanto a pizza fazia no forno. Comemos as sopas e a coisa começou a ficar caótica quando tive que arranjar o segundo para elas... Pouco depois eu já tinha dado um grito desesperado e as luzes foram repostas. As velas contudo só se apagaram mais tarde.
Não deixo de pensar na lógica da coisa: estou de luzes apagadas, mas utilizo mais do dobro noutros equipamentos eléctricos...

Mercadinho da Carlota - dicas de sobrevivência

O Mercadinho da Carlota é daqueles eventos que me sabem a agridoce. Eu, como muitas outras mães, gosto de comprar roupas mais exclusivas, giras e se forem de fabrico português ainda melhor. Aquela ideia da zara e afins já está bastante ultrapassada para mim, porque para além de não serem assim tão baratas (pelo menos comparando), das coisas que mais me incomoda a andar pela rua a contar quantas crianças têm uma peça de roupa igual!
Apesar de estar próxima de uma zona privilegiada no que toca ao acesso a lojas de roupa "betas" o que é certo é  que teria sempre que calcorrear muito passeio, e claro que nunca teria acesso a todas. A ideia de ter um grande número dessas lojas no mesmo espaço fisico a poucos metros umas das outras é de facto muito tentador. Pode-se comparar modelos, padrões, preços, com muito menos esforço. E ainda junta um conjunto de outras particularidades como "mostrar os popós grandes à M".
Mas, e há sempre um mas, nem tudo são rosas, pelo menos para mim! O nível de caoticidade que atinge estes eventos é de facto desanimador... Ainda para mais quando se vai com bebés. Por outro lado, o meu espírito consumista, no meio de tamanha oferta, descontrola-se facilmente. Juntando ainda o sentimento de urgência em sair dali faz com que me transforme quase numa personagem de um cenário de guerra: vou comprar isto, e isto e aquilo, rapidooo!!! Enfim, às vezes quando chego a casa percebo que gastei muito e trouxe pouco, ou os tamanhos não são os ideias, ou  as coisas não são assim tão engraçadas ou não fazem assim tanta falta. Por isso achei que seria bom implementar algumas dicas de sobrevivência aos mercadinhos, que passo a explicar:
1- fazer listas! Sim, como as do supermercado. Faço listas da roupa que vou necessitar para cada primavera/verão e outono/inverno. Vou ao pormenor. Depois verifico o que já tenho, ou que ainda cabe do ano passado ou que entretanto comprei nos saldos passados. Posto isto já tenho a minha base de "trabalho". O passo seguinte na minha lista é correr lojas baratas para verificar o que consigo encontrar a preços muito bons. Normalmente os básicos, algumas gangas para o dia a dia, roupa para a praia, e afins. Este ano, por exemplo, consumi bastante na primark e na Oshkosh, e também comprei alguns básicos na zippy. Embora a lista seja longa, pretendo ir comprando com calma e exclusividade.
2- ver primeiro! No meio da confusão, e face a todos os sentimentos que descrevi, não consigo ter pensamento e espírito crítico na altura, pelo que se for mais mecanizada ou guiada de antemão, as coisas correm muito melhor. Corro todas as marcas que gosto no facebook ou sites de venda. Vejo também as novidades que as autoras colocam que vão estar presentes. Apesar das marcas nem sempre colocarem as colecções completas, já dá para me dar uma ideia do que pretendo, e das marcas top para a estação.
3- escolher uma boa hora! Escolher a hora do passeio para lá ir é o equivalente a querer uma mesa sentada na piriquita a meio da tarde num dia de primavera solarengo... É para esquecer! Horas incômodas para os outros são as melhores para lá se estar. O problema é que com duas babies estas horas acabam muitas vezes por ser incômodas para nós...
4- não levar cartões! Esta para mim é a regra chave. O cartão traz compras de rápido acesso. Perde-se a noção do que já se gastou. Cometi esse erro uma vez, não volto mais! Normalmente faço contas, ou junto de prendas, e levo apenas o dinheiro máximo que posso gastar. Quando acabar, acabou. Talvez haja quem não entenda este ponto, mas acreditem que se tiverem espírito consumista (des)controlado como eu, está regra vale ouro. É quase como pôr um plafon máximo no cartão de crédito...
5- quem tiver bebés, levem bolachas e rumam primeiro aos balões :) esta é puramente estratégica para aguentar os miúdos!

Pronto, são estas as dicas que sigo. Espero que voltem a resultar. Até já!

quinta-feira, 26 de março de 2015

E o prémio poupança vai para... Avó!

Hoje lembrei-me deste tópico quando pensava no que iria ser o jantar. O título 2 fazem 4 não me saía da cabeça. Mas para perceberem melhor tenho que falar dos meus antepassados, quero dizer das minhas avózinhas!
Então, tenho duas avós opostas no que toca a estas coisas do dinheiro: a citadina é uma gastadora. Nunca consegue juntar dinheiro, nunca! Gasta o que tem e o que não tem. Parece que enquanto a conta não tende para zeros (e às vezes para negativos...) não descansa. Tudo o que já comprou na vida foi a crédito. Depois tenho a avó poupada miserabilista. Nunca ganhou muito, mas mesmo o pouco que ganha tem que sobrar. Vive como pobre, chora que nunca tem e vai amealhando cada cêntimo que poupa. Como diz o ditado: grão a grão enche a galinha o papo. E neste caso é mesmo assim! É sempre a que tem um dinheiro extra para ajudar em alturas de aperto, mas se for preciso só come metade do prato e da maçã ao almoço para poupar no jantar. O dinheiro vai sendo poupado para a velhice, e embora aos olhos de todos essa altura poderá já ter chegado, de facto para a dona, a velhice ainda há-de vir. Recordo momentos desde sempre em que esta senhora consegue transformar duas postas de bacalhau num almoço para 7! E por incrível que pareça ainda sobra... Portanto, chegamos à mesa e reclamamos que a comida não chega para tanta gente. Ela ofendida diz que chega bem. Cada um retira uma parte, considerando que aquele alimento vai ter que chegar para colocar um pouco em cada prato. Para enganar a fome vamos bebendo sumo e comendo pão. No fim, e porque toda a gente foi altruísta para deixar para o próximo, sobra sempre o bocado do envergonhado. Os nossos estômagos cheios de sumo, pão, conversa e eventualmente um pouco de bacalhau, deixam de ter interesse naquele bocado adicional de alimento. Comentário final: "Vêem como até sobrou!? Para a próxima faço menos!". E acreditem ou não, aquela colher que sobrou vai ser o jantar de alguém... Assim se poupa!
Eu confesso que tenho um pouco das duas. O meu consumismo (embora que controlado) vem garantidamente da avó citadina. A minha ânsia de poupar vem da outra avó. Nunca me achei miserabilista, mas lembro-me de ser gaiata e comprar um gelado mais pequeno para "poupar" o € das férias. E depois demorar séculos a comer o gelado para terminar depois da minha irmã que tinha comprado um gelado do dobro do tamanho! Sonhava um dia ter fundos ilimitados! Ainda sonho, aliás, mas como muito raramente jogo no Euromilhões dificilmente o sonho se torna realidade.

Hoje lembrei-me disto porque ontem fiz pescada cozida para o jantar. Cozi 4 postas. As babies comeram pouco mais de metade de uma e o marido comeu outra. Chega o momento da decisão: se eu comer a outra, vai sobrar apenas uma posta e dificilmente conseguirei fazer alguma coisa com ela... Com duas talvez já dê. Para além disso eu não me ando a queixar das gordurinhas a mais? Ok, então está decidido: como o resto delas, deixo as outras duas postas e antes de dormir como umas bolachas de chocolate e um leite com chocolate. Não deixo de sorrir por ter passado a vida a gozar com a minha avozinha e agora tomar decisões como esta. Talvez um dia consiga com estas duas postas de pescada alimentar 7 marmanjos!

quarta-feira, 25 de março de 2015

Não há férias da Páscoa para ninguém! Já disse!

Acabei de me aperceber que estamos em plenas férias da Páscoa para a maioria das crianças em idade escolar. Ainda bem que tenho bebés! Só vos digo! Não imagino como seria a minha vida neste momento a ter chantagem emocional de que nas férias ninguém vai à escola... Pois eu não estou de férias, eu tenho que ir à escola! E também não tenho avós disponíveis, nem tias ou madrinhas, não tenho dinheiro para proporcionar experiências diferentes e divertidas (e caras!), nem tão pouco tenho disponibilidade para ficar em casa... Por isso este ano, ninguém tem férias da Páscoa!
Mas também, férias para quê? De quê? De brincar, fazer desenhos? Ou das aulas de Inglês, ginástica e música? Hum... Não me parece! Como diria uma mãe de uma coleguinha da M., "não falta para não perder a matéria".
Podem chamar-me egoísta, talvez seja, ou não... Preciso de trabalhar, muito! E é exactamente durante as férias dos "outros" que tento invariavelmente fazer tudo e mais alguma coisa, que não consigo fazer durante o resto do tempo todo! Tenho uma lista de "To do"s que mais parece uma lista de resoluções para o ano todo... Alguma coisa vou ter de conseguir fazer! Mas se a fasquia não estiver alta, possivelmente não sai grande coisa.
Estive a consultar o calendário e parece-me que afinal vamos ter qualquer coisa: um fim de semana grande. 4 dias, 4 longos dias! Para nós e para elas. Já deve dar para (des)carregar baterias... Talvez vá até à casa de campo, ter com a minha mãe e o resto da famelga. Sempre há ar livre e despoluído (à borla) e mais não sei quantos olhos em cima delas. Só há 3 PEQUENOS problemas:
1 - O gato! Sempre o eterno problema do gato. Não pode ir, não pode ficar sozinho... Os vizinhos provavelmente não estão cá nesta altura. Acho que vou ter de contratar (outra vez) os serviços de CatSitting. Afinal talvez a nossa escapadela não fique assim tão à borla quanto isso.
2 - As noites! A C está grande! Continuar a considerar um espaço na nossa cama como opção está cada vez menos viável, principalmente na cama de lá, que é pequena. E tirar um break para dormir (ainda) pior não me parece animador...
3 - A Páscoa! Esta é a segunda época do ano que causa maior desconforto familiar. A primeira é o Natal. "Então mas vais passar a Páscoa com A e B? Então e nós? Não acho justo..." É sempre um massacre do pior! E a ideia de juntar toda a gente, apesar de romântica, nem sempre é possível, porque às vezes não basta estarmos juntos, temos que estar juntos em casa de B... Não tenho paciência para estas coisas! Prometo tentar não ser controladora das épocas festivas quando as minhas filhas forem crescidas! Embora tenha uma convicção secreta que se elas gostarem de as passar connosco, digo mesmo de serem divertidas, cheias de animação e brincadeira, então provavelmente tem teria de controlar coisa nenhuma... E depois também há aquele "troca moedas" que detesto, como se as pessoas tivessem que se dar de igual forma, por regra e não por gosto, por terem um grau de parentesco semelhante. "Como passámos tal data com a tua família, agora temos que ir compensar..." Não entendo isto! Nem quero entender, porque acho parvo demais.
Por isto tudo, SE conseguir resolver estes pequenos obstáculos, pode ser que tenhamos uns dias pela Páscoa. Caso contrário, não há férias para ninguém!

sexta-feira, 20 de março de 2015

Muito sonoooo....

Alguém me explica como é que é suposto eu trabalhar (mas trabalhar a sério, produzir mesmo!) quando se tem os olhos a meia haste? É páh, é que eu gostava mesmo de saber!!!
Há coisa de dois anos e meio que dormir uma noite completa e descansada tem sido uma miragem. Esteve muito mau nos primeiros 10 meses, melhorou nos 7 seguintes e voltou a piorar até agora... Inacreditavelmente na ultima semana, a baby C fez a sua primeira (e única) directa (a dormir, note-se!), das 21h30 às 7h, o que poderia até ter sido fantástico, não fosse a baby M ter acordado umas 2x... Continuo a achar que elas combinam...
Mas o que é certo é que a noite passada voltou a ser um misto de acordares, com insónias, com mama e candeeiros à mistura. Passo a explicar: C a dormir no seu berço às 21h45; C a dormir no meu berço às 2h (deitei-me à 1h); mama; acorda; mama; e mais mama; "afinal é giro acordar a sério agora que são 3h"; "e ainda é mais giro ligar as luzes da cabeceira"; "e se pisar a cara do pai?"; "e o que será que acontece se eu me sentar?"; "e se eu me mandar para cima da mamã?"; "pois, ela ralha...". A cena andou em repeat por várias alturas durante a noite. Adicionalmente a mana M acordou 2x... Foi bera! Mas o que foi mesmo mesmo muito mau foi ter que levantar de manhã!
As minhas olheiras estão tãooo grandes que nem o banho e a água fria na cara ajudaram a disfarçar. Até tenho vergonha! Por causa disso fui almoçar a um bar diferente. Acho que não me encontro com ar socialmente saudável...
Arrasto-me até ao trabalho. Esforço-me por olhar para as células do Excel, sem desfocar! E tento, mas tento mesmo, dizer alguma coisa inteligente sobre o assunto. Entretanto percebi que o que escrevi ontem poderá não ter grande utilidade, mas como não me sinto na posse de todas as minhas capacidades de análise, prefiro criar uma nova versão da coisa e reavaliar na 2ª...
Isto assim vai demorar um bocadinho mais que o previsto. E logo ainda é tarde de natação, GOD! Vai o pai, pronto!
Não se esqueçam de me dizer como é que se consegue. Fico à espera...

quarta-feira, 18 de março de 2015

Por 3€ não vale a pena...

Ainda não aprendi, há chatices na vida que não valem a pena... O meu marido já me tinha dito, mas eu de cima do meu pedestal de mulher exemplar e moralista levei a cabo o meu plano. Lixei-me!
Fiz uma compra na internet. Tudo certinho até que perguntam onde deve ser feita a entrega. Escolhi "na morada", mas só depois reparei numas letras pequenas que informavam que tal entrega acrescentaria 3€ ao valor da encomenda. 3€?!? Mas está tudo louco? Nem pensar! Bem, a alternativa era ir levantar a encomenda aos correios. Eu hei-de conseguir!
6ª recebo uma sms a dizer que a encomenda já tinha chegado. É pá! Hoje não dá jeito nenhum... Ainda por cima mete-se o fim de semana... Bem, vou lá na 2ª. Mas na 2ª também não deu, nem na 3ª... A sms continuava a pairar e eu sabia que mais tarde ou mais cedo teria que lá ir.  Não há volta a dar, tem que ser hoje senão a encomenda volta para trás. Vou logo de manhã para ficar despachada... Não, afinal vou depois do almoço. Bolas, vou antes de sair para ir buscar as miúdas. Consegui arrancar-me dos meus afazeres e predispor-me a ir aos correios. Fui a pé porque estacionar naquela zona é muito mau. Chego lá, tiro a senha. Só tenho 6 pessoas à frente! Espero! E espero! Vão chamando os números até que chega a minha vez. Já está. Só me esqueci do pormenor que agora tenho que regressar a casa a pé com um caixote nos braços... Aquele caixote rebolou não sei quantas posições, magoou-me os dedos! Que coisa desagradável!!!
Não, de facto não tenho nem tempo nem paciência para ir para os correios levantar encomendas.
Definitivamente! Por 3€ não vale a pena o sacrifício!

terça-feira, 17 de março de 2015

O castigo, a palmada, o HORROR!!!

Este é provavelmente um dos assuntos mais controversos da maternidade. A forma como cada um educa o seu filho, parece um inverso do ditado "A galinha da vizinha...". Não deixa de ser curioso que num mundo cheio de incertezas e ansiedades, andemos a cuspir ao mundo que a forma como educamos os nossos filhos é a melhor de todas!
Já tenho discutido e argumentado muito este assunto. Tenho lido e ouvido. Oiço tanto as teorias da "avozinha" como as de disciplina positiva e consciente. Sou como o "boneco pincel", adoro-as a todas!
Em tempos li um artigo sobre a nossa actual incapacidade de ouvirmos o nosso instinto. Sobre como sobrepomos as teorias e opiniões alheias àquilo que sentimos ser o correcto! O acesso à informação já e agora, trouxe-nos a capacidade de conhecer mais e melhor, mas a tristeza de duvidarmos de nós (ou nem sequer ouvirmos)...
Se tenho aprendido alguma coisa com a maternidade é que nem o mundo é preto e branco, nem uns são os maus e os outros os bons! Em geral andamos todos ao mesmo, a tentar fazer o melhor, não o melhor que sabemos, mas sim o melhor que conseguimos. Ora, aqui reside a diferença que gostava de falar neste post! Não o que sabemos, mas o que conseguimos.
Quando engravidamos, ou antes mesmo, criamos na nossa cabeça um sem número de imagens idílicas, de mães perfeitas, bebés perfeitos, famílias perfeitas, onde todas as peças se encaixam numa foto digna de moldura. Como legenda destes momentos também elaboramos a lista dos "SEMPRE" e dos "JAMAIS"! Sinceramente não sei qual delas é que começa a ruir primeiro, mas esse é outro post... Mesmo sem darmos conta, criamos a imagem da mãe que queremos ser para os nossos filhos. E aqui começam os nossos problemas...
Vou passar à frente da gravidez, parto e dos bebés pequenos. Vou pousar no momento em que temos que começar a EDUCAR! O momento em que o nosso filhinho lindo se atira para o chão do shopping a fazer uma birra descomunal, que nos deixa no mínimo envergonhados; o momento em que o nosso mais que tudo olha para nós nos olhos e com um sorriso delicioso atira o tablet pelos ares, ou despeja a taça com o jantar por si abaixo... É neste momento, neste instante, em que as coisas se começam a definir! Existem pais para todos os gostos! Os da "porrada" ("Levou logo uma lambada que esta gracinha já não volta a fazer!"); os "positivos" ("O meu filho está a passar por uma frustração ou mesmo uma nova experiência. Nada de reprimendas ou qualquer tipo de violência. Vamos conversar todos calmamente e aprender a controlar as nossas emoções ou rir do momento divertido"); os "descarta responsabilidades" ("Quando o teu pai chegar, vou-lhe contar e ele vai-te castigar"), entre muitos muitos outros... Eu prefiro pensar que dentro das possibilidades também existem os pais "normais". Os pais normais são aqueles que não têm uma resposta directa sobre a acção a tomar num momento destes. Em vez disso, eles dirão: Depende! Mas do quê, senhores, do quê? É páhh!! De tudo! De quantas horas dormiram, de quantos chatos tiveram que aturar durante o dia, da quantidade de "momentos" que antecederam este, e até do tempo que faz lá fora. Resumindo, depende do nosso estado de espírito. Também prefiro acreditar que esses pais "normais" não vêem na berraria, no castigo, ou mesmo na nalgada (i.e. palmada no rabo) a sua forma preferencial e mais frequente de educar (ou punir, se preferirem). Mas também não posso acreditar que esses pais "normais" julguem, critiquem, punam os outros que, num momento de maior desgaste (não gosto mesmo da palavra descontrolo) ou falta de paciência recorram a algum destes métodos para tentar meter a criança "nos eixos".
Tenho ouvido o seguinte comentário: "Se castigar fosse bom, não haveriam tantas mães a sentirem-se mal com isso". Pois, eu tenho uma visão um pouco diferente sobre o assunto. Se não houvesse tanta teoria e (tentativa de) moralismo alheio, haveriam certamente muito menos mães a terem que frequentar a terapia para se livrarem da culpa. Sim, da culpa. Voltamos outra vez ao mesmo. E a culpa não é por terem batido ou gritado, a culpa é por terem assassinado a mãe idílica, aquela que aplica apenas as mais altas e conceituadas teorias, aquela que nunca se cansa, nunca teve um dia mau, nunca tem falta de paciência, a mãe zen, presente e omnipotente! A visão da mãe varia de mulher para mulher, mas ela existe sempre! É quando fazemos algo contra esta imagem, que ficamos destruídas! A nossa imagem de mãe é baseada em tantas outras mães perfeitas. Se elas conseguem ser perfeitas, como fomos capazes que tomar uma atitude menos própria??
Para piorar um pouco, todas nós conseguimos arranjar sempre, pelo menos uma amiga, daquelas que nos consegue repreender, sem sequer precisar de falar. Consegue espezinhar a nossa condição de mãe com boa conduta e isso só faz aumentar o nosso sentimento de culpa. A critica de uma mulher agride-nos de uma forma violenta, mas acredito que a nossa própria sensação de imperfeição nos agrida muito mais.
Há muito a dizer sobre isto, muito mesmo! A minha postura em relação aos castigos e afins, vai um pouco ao encontro do falado no blog dos pais de quatro. Mas confesso que passei por períodos difíceis de reconciliação comigo mesma, até ter a capacidade de ajustar os padrões com que me regia e essencialmente, ser honesta.