(talvez este post até possa ser lido ao som de Thousand Years de Christina Perri)
Que situação! Embora não seja "nada de mais", o que se passou há instantes fez-me lembrar de todas as mães do mundo, principalmente aquelas que por uma razão ou por outra sofrem pelos filhos.
Concluo que nenhuma criança devia ficar doente, seja virose ou uma doença grave, nenhuma criança devia sofrer! Nenhuma mãe está preparada para ver um filho sofrer! Parece que nos arrancam o coração, mexem nas nossas entranhas, nos desfazem aos poucos. Acho que é sobre-humano! E tenho aquela convicção que se pudéssemos não hesitaríamos por um segundo sequer em ficar no lugar deles, sofrer as dores deles...
Bem, mas afinal o que se passou!? As crianças "escolhem" as piores alturas para ficarem doentes, aflitas, etc, são naturalmente inoportunas (se bem que não acredito que existam alturas oportunas para se ficar doente...). Portanto, tive a C todo o fim de semana doente, manchas e rabugice, e fiquei em casa com ela 2ª e 3ª. Como já estava a ficar melhor, na 3ª à noite chega a M com febre. Podiam ter combinado ficar as duas doentes ao mesmo tempo, mas não, as crianças não fazem isso. Assim cada uma tem direito ao seu tempo de enfermidade, com a mãe e/ou o pai em exclusivo. Por isso 'toca a ficar em casa mais uns dias porque chegou a "Segunda Volta". Como só há lugar para uma doentinha em casa, a C rumou à escolinha. O dia passou bem, sob o efeito do paracetamol, cheio de brincadeira e boa disposição. Chega a ama, quase horas de ir buscar a C. A M começa a ficar com um ar mortiço, chega-se a mim. Mãos geladas, está a ficar quente... Tiro com o do ouvido: 37.8. Tiro com o digital (pq o do ouvido nem sempre me convence): 37.1... Bem, vou deixar subir. A miúda começa a tremer que nem varas verdes. Pede o óó e a chuchu. Deito-a. Está quentíssima e a tremer. Volto a tirar a febre, tiro outra vez, tiro com os 3 termómetros diferentes que tenho em casa. Que desespero! Será possível estarem TODOS avariados??? Nenhum chega aos 38 sequer!!! Caramba! São horas de ir buscar a C! Mas será possível que depois de todas as horas que estivemos em casa tem que ser PRECISAMENTE na hora de ir buscar a C que isto tinha que acontecer?? Pois é, as crianças são mesmo assim... Foi lá a ama. Tirou e afinal já está com mais de 38. Paracetamol de novo! "A mamã tem que ir, meu amor! Vai buscar a mana". E uns olhos pequenos e aflitos pousam nos meus. Aqueles olhos pedem. E enchem-se de lágrimas. Ela diz "mamã, colhoooo..." GRR!!AHHH!! E agora! Como é que vou virar as costas ao meu bebé aflito que me pede amor e protecção?? Como vou deixá-la AGORA!? Mas como faço para ir buscar o meu outro bebé que está longe e precisa de vir para casa? Sou só uma! Eis que me parto em dois!
Acho que nunca tinha demorado tão pouco tempo a fazer a viagem. O meu coração de mãe está esquisito. Estou mal disposta! Recebi uma sms a dizer que ela adormeceu e está tudo tranquilo. Mesmo assim! Consegui imaginar todos os cenários negros... Ainda bem que confio na ama!
Agora já aqui estão as duas, sãs e salvas, debaixo da minha asa. Bolas! A vida não facilita!
quarta-feira, 11 de março de 2015
sábado, 7 de março de 2015
As mães salvam
Ideia genial: está sol, finalmente!! 'Bora la sair e aproveitar o ar livre :) é SÓ pegar numas coisas e sair.
Só que o SÓ com duas bebés pequenas (e um marido) nem sempre traduz exactamente toda a realidade. Mesmo assim, fez-se! Toca a levantar, fazer sopa, fazer almoço baby friendly leve, preparar as colheres, tacinhas, babetes... Água, falta a água! Combinei com aquela grande amiga que não vejo há séculos às 11h. No stress! São 11h e só me falta tomar banho, pôr fraldas, chuchas e chapéus na mochila, dar-lhes banho, vesti-las! Vai ser num ápice!
Conseguimos chegar ao destino, parque de brincadeira, às 12h... (Vou poupar os pormenores e os novos cabelos brancos). O dia está mesmo espectacular. O pessoal (com juízo) vai embora para casa à hora que chegámos por isso o parque fica delicioso! Damos almoços, petiscamos, conversamos e cada vez mais estamos a infringir a hora S que leva à hora B! Para os mais distraídos, sesta e birra! A mais pequena ainda dorme no carrinho, a menos pequena no WAY e por isso tudo começa a parecer digno de especial irritação! É um bebé, ou um toddler, a passar aquela fase difícil dos terrible two. Mesmo assim 5*!
O parque começa a encher e decido que é chegada a hora de retirada. Como são necessárias medidas SOS de apoio ao resto do dia, sugiro o passeio da praxe no carro para que a magia aconteça. Só não contei que o marido, esse, também estivesse com birra. Ele também tem restrições de sono, tinha contado trabalhar nesta solarenga tarde e em vez disso calcorreou o parque vezes sem conta... Desabafou que eu não tinha brincado com a mais velha, nem sequer respeitado as suas necessidades básicas! Há coisas que não vale a pena falar muito delas agora. Fiquei chateada! "Quero ir para casa! Conseguiste destruir o meu momento de terapia!"
Mas os homens são bons a ter boas ideias e então ele seguiu para a marginal. Ele e mais dezenas de caramelos que tal como nós rondam lisboa e andam desertos por meter os pauzinhos ao sol! Filas... Ninguém adormece em fila. Estamos a entrar em campo crítico: desenrola-se uma discussão, como bola de neve, as crianças com sono, calor, etc, esforçam-se por gritar bem alto. "Peço-te para assim que puderes, seguires rumo a casa!", "não faz sentido estares chateada comigo agora" (tenho uma teoria que os homens têm de facto menos capacidade de avaliar a situação presente. É como se ficassem agarrados a um assunto e metessem palas e mesmo que para nós a coisa já vá em Braga, eles ficaram bem distantes...). "ACHAS QUE ELAS VÃO DORMIR ASSIM?", "achei que tínhamos de lhes dar tempo". "Pára o carro se faz favor".
Agora é aquele momento que eu acho que todas nós sentimos, pelo menos de vez em quando. Temos duas hipóteses: ou saímos do carro, gritamos, choramos, berramos com os putos, damos uns pontapés nos pneus (que nos doem mais a nós, mas que achamos que merecemos...); ou, respiramos fundo, tentamos lembrarmo-nos que está um lindo dia, que ensaiámos na nossa cabeça um dia digno de capa de revista como "dia da família perfeita!" e não estamos para atirar tudo para o esgoto e portanto decidimos ser super mulheres.
Saí, tirei a mais pequena que já ia roxa a chorar, a mais velha chora que quer "colho". Vou ao outro lado, tiro a mais velha e levo as duas para o meu banco da frente (note-se que tenho um carro pequeno. Ainda não tive "t€mpo" para trocar). Maminha para uma (mais um lema: há pouca coisa que não se resolve com maminha), água e macacada com fartura! Salvenos a comercial que passou a música certa na hora h! Às vezes acho que se alguém visse determinados momentos da nossa vida acharia que não somos, definitivamente, bons da cabeça. Mas pelo menos tentamos ser felizes... O meu plano resultou. A mamã salvou (desta vez!). Mais felizes, e animadas voltaram para os seus lugares e agora dormem :D
O marido "está de castigo"! Sabe que não gostei do que disse. Mas já começou a pôr a mão discretamente no meu joelho (é o sinal de "desculpa lá qualquer coisinha! Vamos voltar a ser amigos porque te amo muito...").
Bem, vou apreciar o resto da paisagem...
Só que o SÓ com duas bebés pequenas (e um marido) nem sempre traduz exactamente toda a realidade. Mesmo assim, fez-se! Toca a levantar, fazer sopa, fazer almoço baby friendly leve, preparar as colheres, tacinhas, babetes... Água, falta a água! Combinei com aquela grande amiga que não vejo há séculos às 11h. No stress! São 11h e só me falta tomar banho, pôr fraldas, chuchas e chapéus na mochila, dar-lhes banho, vesti-las! Vai ser num ápice!
Conseguimos chegar ao destino, parque de brincadeira, às 12h... (Vou poupar os pormenores e os novos cabelos brancos). O dia está mesmo espectacular. O pessoal (com juízo) vai embora para casa à hora que chegámos por isso o parque fica delicioso! Damos almoços, petiscamos, conversamos e cada vez mais estamos a infringir a hora S que leva à hora B! Para os mais distraídos, sesta e birra! A mais pequena ainda dorme no carrinho, a menos pequena no WAY e por isso tudo começa a parecer digno de especial irritação! É um bebé, ou um toddler, a passar aquela fase difícil dos terrible two. Mesmo assim 5*!
O parque começa a encher e decido que é chegada a hora de retirada. Como são necessárias medidas SOS de apoio ao resto do dia, sugiro o passeio da praxe no carro para que a magia aconteça. Só não contei que o marido, esse, também estivesse com birra. Ele também tem restrições de sono, tinha contado trabalhar nesta solarenga tarde e em vez disso calcorreou o parque vezes sem conta... Desabafou que eu não tinha brincado com a mais velha, nem sequer respeitado as suas necessidades básicas! Há coisas que não vale a pena falar muito delas agora. Fiquei chateada! "Quero ir para casa! Conseguiste destruir o meu momento de terapia!"
Mas os homens são bons a ter boas ideias e então ele seguiu para a marginal. Ele e mais dezenas de caramelos que tal como nós rondam lisboa e andam desertos por meter os pauzinhos ao sol! Filas... Ninguém adormece em fila. Estamos a entrar em campo crítico: desenrola-se uma discussão, como bola de neve, as crianças com sono, calor, etc, esforçam-se por gritar bem alto. "Peço-te para assim que puderes, seguires rumo a casa!", "não faz sentido estares chateada comigo agora" (tenho uma teoria que os homens têm de facto menos capacidade de avaliar a situação presente. É como se ficassem agarrados a um assunto e metessem palas e mesmo que para nós a coisa já vá em Braga, eles ficaram bem distantes...). "ACHAS QUE ELAS VÃO DORMIR ASSIM?", "achei que tínhamos de lhes dar tempo". "Pára o carro se faz favor".
Agora é aquele momento que eu acho que todas nós sentimos, pelo menos de vez em quando. Temos duas hipóteses: ou saímos do carro, gritamos, choramos, berramos com os putos, damos uns pontapés nos pneus (que nos doem mais a nós, mas que achamos que merecemos...); ou, respiramos fundo, tentamos lembrarmo-nos que está um lindo dia, que ensaiámos na nossa cabeça um dia digno de capa de revista como "dia da família perfeita!" e não estamos para atirar tudo para o esgoto e portanto decidimos ser super mulheres.
Saí, tirei a mais pequena que já ia roxa a chorar, a mais velha chora que quer "colho". Vou ao outro lado, tiro a mais velha e levo as duas para o meu banco da frente (note-se que tenho um carro pequeno. Ainda não tive "t€mpo" para trocar). Maminha para uma (mais um lema: há pouca coisa que não se resolve com maminha), água e macacada com fartura! Salvenos a comercial que passou a música certa na hora h! Às vezes acho que se alguém visse determinados momentos da nossa vida acharia que não somos, definitivamente, bons da cabeça. Mas pelo menos tentamos ser felizes... O meu plano resultou. A mamã salvou (desta vez!). Mais felizes, e animadas voltaram para os seus lugares e agora dormem :D
O marido "está de castigo"! Sabe que não gostei do que disse. Mas já começou a pôr a mão discretamente no meu joelho (é o sinal de "desculpa lá qualquer coisinha! Vamos voltar a ser amigos porque te amo muito...").
Bem, vou apreciar o resto da paisagem...
sexta-feira, 6 de março de 2015
É hoje!
Hoje fui trocar um livro que me deram nos anos. Fiz anos há meia dúzia de dias. Este ano acharam que eu estava a precisar de uma coisa diferente, longe de fraldas, birras, tachos e panelas, artigos científicos e demais. Deram-me um livro lamechas, daqueles que precisamos de levar lencinho atrás, que nos faz doer as dores dos outros. Não tenho absolutamente nada contra estes livros, acho até essenciais em diversas alturas da vida, mas... I'm definitly not in the mood! Posto isto pus pés ao caminho e corri os corredores da fnac. Extraordinário que o meu sentido prático, ou desesperado, me levou em primeiro lugar à zona infantil. A C. faz 1 ano daqui a 1 mês e dava imenso jeito arranjar alguma coisa sem ter de gastar dinheiro extra. Desisti! Não encontrei nada que me parecesse adequado! Ok, ok, nada que fizesse diferença no monte de bugigangas que já andam lá por casa. Acabei por me deixar de coisas e dirigi-me aos corredores das fraldas, etc, etc... Senti-me em casa :)
Há alturas na vida que não vale a pena contrariar. São estas as temáticas que me dominam neste momento e tudo o resto parece-me desperdício! Mas fiquei num impasse, num impasse que me fez pensar, quase ter uma reflexão interna e filosofica em plena Fnac. Segurei dois livros: um sobre educar com amor, do Mario Cordeiro, outro sobre a culpa, A culpa não é só da mãe. Ambos me interessam! Quero educar as minhas bebés com amor, e quero livrar-me (ou aprender a lidar) com esta culpa terrível de nem sempre o conseguir. Surgiu-me a analogia do ovo e da galinha, no fundo é disso que se trata. Se eu levar o livro de educar com amor vou ser capaz de controlar as minhas emoções, frustrações e cansaço e não ter atitudes que me façam sentir culpa. Mas! Se eu conseguir controlar e lidar com os sentimentos de culpa então estarei naturalmente mais consciente e disponível para aplicar a tão famosa "parentalidade consciente". O meu impulso de consumista reprimida foi de comprar ambos, mesmo gastando uma pipa de massa. Mas os tempos não o permitem e na verdade nem tempo tenho para tanta leitura. Decidi folhear e ler as primeiras páginas de ambos. O primeiro começa com um texto sobre temáticas profundas sobre o que é o amor, a morte e afins. Ao final da primeira página do segundo livro eu já me estava a rir! Está decidido! Vou ver se me rio da minha culpa e talvez aprenda qualquer coisa sobre como me educar!
Depois tenho contar o que achei do livro!
Breve nota introdutória: criar um blog é algo que me povoa o pensamento já há algum tempo. São inumeras as situações em que dou por mim a ensaiar e refazer as crônicas que lá colocaria. A minha vida dava um filme. Provavelmente a de toda a gente! Hoje foi o dia. Acompanhada de uma fatia de pizza no meio de um centro comercial movimentado e barulhento! A vida é assim, agora e aqui, inesperada e inspiradora :)
Há alturas na vida que não vale a pena contrariar. São estas as temáticas que me dominam neste momento e tudo o resto parece-me desperdício! Mas fiquei num impasse, num impasse que me fez pensar, quase ter uma reflexão interna e filosofica em plena Fnac. Segurei dois livros: um sobre educar com amor, do Mario Cordeiro, outro sobre a culpa, A culpa não é só da mãe. Ambos me interessam! Quero educar as minhas bebés com amor, e quero livrar-me (ou aprender a lidar) com esta culpa terrível de nem sempre o conseguir. Surgiu-me a analogia do ovo e da galinha, no fundo é disso que se trata. Se eu levar o livro de educar com amor vou ser capaz de controlar as minhas emoções, frustrações e cansaço e não ter atitudes que me façam sentir culpa. Mas! Se eu conseguir controlar e lidar com os sentimentos de culpa então estarei naturalmente mais consciente e disponível para aplicar a tão famosa "parentalidade consciente". O meu impulso de consumista reprimida foi de comprar ambos, mesmo gastando uma pipa de massa. Mas os tempos não o permitem e na verdade nem tempo tenho para tanta leitura. Decidi folhear e ler as primeiras páginas de ambos. O primeiro começa com um texto sobre temáticas profundas sobre o que é o amor, a morte e afins. Ao final da primeira página do segundo livro eu já me estava a rir! Está decidido! Vou ver se me rio da minha culpa e talvez aprenda qualquer coisa sobre como me educar!
Depois tenho contar o que achei do livro!
Breve nota introdutória: criar um blog é algo que me povoa o pensamento já há algum tempo. São inumeras as situações em que dou por mim a ensaiar e refazer as crônicas que lá colocaria. A minha vida dava um filme. Provavelmente a de toda a gente! Hoje foi o dia. Acompanhada de uma fatia de pizza no meio de um centro comercial movimentado e barulhento! A vida é assim, agora e aqui, inesperada e inspiradora :)
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