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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Ser o pai do menino

Hoje estamos em festa! O papá faz anos, uns anos daqueles mesmo marcantes! Quase com direito a livro de memórias...
 E por isso este post é dedicado a ele. Afinal o papá está a gostar imenso de ser pai de menino. Se já era todo baboso com as princesas, agora juntou baba ao bebé Manel.
É verdade que uma boa parte disso se deve ao facto de ambos acharmos que só ao 3º é que estamos mesmo a aproveitar em pleno, sem stresses, o bebé pequenino. Na primeira tudo é um stress, uma ansiedade, uma novidade, uma mudança abissal na vida de todos nós: o choque de passar a assumir o papel de pai! Acho que a palavra que mais caracteriza é Medo! 
A segunda veio em circunstâncias especiais: não foi planeada e ao nascer com uma malformação carregou todo o momento de preocupação e aflição. Foi muito difícil emocionalmente para ambos. A palavra de ordem da segunda poderá passar por Angústia! 
Agora o terceiro, embora não planeado, já era desejado. E apesar da gravidez difícil, conseguimos ultrapassar e viver as coisas da melhor forma (e serenamente). O bebé é também resultado disso mesmo, por isso a palavra do terceiro é provavelmente Serenidade!
Mas fora a multiplicidade, o papá está a descobrir algumas coisas às quais acha mesmo piada. Ter um compincha, ou "com pila" (para não dizer outra coisa) está a ser uma vivência engraçada. Ele sente-se nitidamente orgulhoso por mudar a fralda e mexer nos "preparos" com muito mais à vontade do que eu! Pega e puxa e estica... e perante o meu olhar de horror ele diz triunfante "isto não dói nada! Não percebes nada disto!". Acho que se está a vingar de todas as vezes que lhe ralhei por limpezas erróneas... 
Depois há qualquer coisa de fantástico em instruir um novo membro da família na derradeira condição de homem. Em conversas apelidadas de "homem para bebé" já ouvi ensinamentos como "bebé, aprende! Nós não valemos nada. Os das outras é que são bons, e nunca fazemos nada suficientemente bem! Ah, e elas é que têm sempre razão... Ehehehhhh!" (Juro que não entendo as risadas que dá)...
Por fim, noto um grande sentido de responsabilidade em apurar e estimular a "machesa" deste novo homenzinho. Surgem frequentemente comentários (deprimentes) referentes à parte "mais importante do corpo masculino", tais como (a mudar a fralda) "Manel, isso está muito em baixo! O papá vai mostrar-te umas bebés nuas para ver se isso arrebita...", e farta-se de rir quando o Manel se prepara em riste para lançar uma xixizada pelo ar, assim que se abre a fralda. Mas não se fica por aqui... A referência a bebés nuas é usada para tentar persuadir às boas noites de sono, aos bons comportamentos, ou porque sim, para fazerem massagem a seguir ao banho. E ainda um tema controverso:  "Com esses olhos quero que tragas muitas namoradas cá a casa, ouviste? Vais ser o orgulho do teu pai!" (Em compensação, está sempre a reforçar a ideia do convento e da caçadeira quando se fala nos namorados das meninas...)!

Pronto, e é isto! Há mais uns quantos comentários (igualmente redutores) que oiço diariamente, sempre acompanhados de umas gargalhadas. Pelo menos dá-lhe para rir... Já não me bastava andar a aperfeiçoar os filhos dos outros, ainda vou ter trabalho redobrado a educar um homem de jeito!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Acordar com o demo, adormecer com o anjo

Estou oficialmente a antibiotico, após uma ida às urgencia em apneia nasal... A parte (quase) boa é que as meninas desde ontem que voltaram a frequentar o infectário (o que na prática significa que iniciámos a contagem decrescente para que regressem para casa). Timming perfeito porque não estava a ver possível a minha recuperação com tanto vírus à minha volta. A vida voltou a ter momentos de sossego, que não passam por momentos em que elas estão com febre ligeira ou no silêncio do disparate.
Porreiro, vida boa... Só que não! Não, porque há sempre um sacana de um MAS... E esta história não é excepção.
Então, como as maganas estiveram "de quarentena" em casa e verificaram que eu também cá estou, quem é que diz que o regresso à escola tem que ser pacífico, hein? E não é mesmo, não está a ser, particularmente para a M. Desde ontem que as manhãs com a M têm sido entre o psicadélico e o filme de terror. As frases que se conseguem distinguir por entre os gritos ensurdecedores e o choro em desespero são "não quero ir para a escola"... "quero a mãe"... " não (qualquer coisa)", seguido de muitos outros "não (qualquer coisa)...". Ontem 2h desta cantilena, hoje quase 1h em que o pai até perdeu uma reunião importante que tinha.
"Tudo normal" dizem vocês. Pois, a parte do ser normal, de ela ser pequenina, de querer e sentir a falta da mãe, etc etc etc, eu isso já sei. Mas sejamos práticos: eu estou de repouso absoluto, para além de estar doente, logo não é possível que ela fique comigo. Então como conseguir melhorar isto? Eu já falei, já expliquei, já criei objectivos para fazermos quando ela regressar da escola, já abracei, já ralhei, já ameacei, enfim... E nada resultou! Nada! Ela parece entrar num tal descontrolo que nada que possa fazer ou dizer, serve!
Hoje senti-me mesmo diminuída e impotente perante tudo isto. Fiquei cansadíssima, imagino como ela terá ficado, coitada. Então tentei reencontrar-me, como mãe, como pessoa, como educadora. Procurei pedir ajuda: educadora, psicologa, pediatra, marido. Várias cabeças pensam melhor do que uma e sei que estas situações são "comuns", por isso dicas para uns podem também resultar com os outros.
Recebi algumas respostas com dicas e possíveis estratégias, entremeadas com "isso faz tudo parte, mas pronto...". A meio do dia já tinha conseguido relaxar e libertar a mente o suficiente para conseguir pensar. Um banho relaxante foi a cereja no topo do bolo. Tenho que me reconectar com ela. Parece simples...!
Esperei que chegassem da escola. Hoje não havia computador em cima da mesa, ou telemóvel na mão. Arranjei umas contas autocolantes e quando elas chegaram propus que fossemos decorar as coroas de princesa que tínhamos feito 2 dias antes. Pedi ao pai para dar banho a uma de cada vez, de forma a conseguir estar sozinha com cada uma por uns momentos. Brinquei, falei. Toquei no assunto da manhã. Conversei mais. "Mãe, amanhã não vou fazer mais birra". Houve lugar para entendimento e  conexão.
O serão passou-se muito sereno. Para evitar a confusão do "ir para a cama", desliguei mais cedo a televisão, pus música de embalar que gostamos bastante. A música subiu até aos quartos e eu também pouco depois. Ainda consegui lavar-lhes os dentes, e escolher parte da roupa de amanhã da M. Depois disto sinto sempre que é altura de me voltar a deitar. Beijinho de boa noite e nem um grito,  um aí, nada! Pouco depois o único som que se eleva sobre a música que ainda vem do quarto é o ressonar do meu marido...
Tive o serão de maior paz dos últimos tempos, completamente antagônico à manhã que vivi. Sei que não basta para garantir um bom amanhã, mas por hoje sinto que consegui. Talvez isso me dê forças para encontrar estratégias que funcionem amanhã. Talvez seja isso. Mas não sei. Veremos como corre amanhã, depois venho cá contar.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O espelho da nossa alma

Isto não está fácil. Já não é novidade.
(...)
"Então diz-me, o que faço?"
(...)
Eu não posso dizer. Eu não sei o que dizer. Cada um tem de refletir e procurar dentro de si a resposta a esta e outras perguntas. Educar não é fácil, mas ainda mais difícil é gerir as nossas expectativas face à educação que damos.
"As meninas são o espelho do que fazemos e do que lhes mostramos. Só tens de refletir e pensar se é isso que lhes queres passar"
É isto. Mae falar é fácil. Às vezes queríamos fazer mais, melhor, mas não sentimos capacidade. No entanto, a resposta ao nosso estado de alma, é o que transmitimos a quem aprende connosco. E nem sempre estamos bem. Mas o nosso desafio passa também por cuidarmos de nós, por dentro e por fora. Ninguém consegue educar o próximo, ou ter compaixão pelo outro, se nem a si se consegue educar, se nem de si se consegue compadecer. E por isso, a primeira introspecção deve ser feita a nós mesmos "o que se passa comigo? Porque é que estou a reagir assim? O que poderia fazer para me sentir melhor?". Só depois deste exercício é que é possível ouvir e tentar aceitar o próximo. Caso contrário o desfecho parece-me que será inevitavelmente o conflito constante. E se respondemos com conflito a quem nos dá conflito, como poderemos alguma vez esperar um comportamento diferente de quem aprende connosco?
Mas falar é fácil. Eu sei que sim. Eu também me sinto perdida muitas vezes. Falhada outras tantas, porque não consegui corresponder com as minhas expectativas.
Ainda assim acho que há uma linha que diferencia um mau dia, de uma má conduta: todos nós temos dias maus, dias em que nos excedemos, em que fazemos algo que não nos orgulhamos, ou que não achamos justo. O problema é quando esse passa a ser o registo constante. Quando já não existe o outro lado, quando o nosso estado de espírito não permite que sejamos diferentes. Talvez seja importante nessa altura pararmos para pensar. Ou pedir que alguém nos reveze. Ou esperar que alguém nos diga "olha, tu não estás bem..."

terça-feira, 16 de agosto de 2016

O que eu gostava de criar... Para um dia!

Aqui há dias falei com uma mãe de sete. Bem na vida, classe média alta, até que a desventura lhe bateu à porta, ficou com pouco, muito pouco, mas muitos, muitos filhos.
Ontem circulava pelo facebook e parei num artigo de uma artista conhecida. Um dia era dona da vida,  no outro viu a vida ameaçada sob a forma de um cancro.
O que me faz unir estes dois casos? São dois casos muito dramáticos, cada um à sua maneira, mas em ambos os casos houve uma coisa que me chamou à atenção, que me aqueceu o coração: a solidariedade. Numa passagem do artigo dizia "familiares e amigos desdobraram-se em apoio. Fizeram escalas para me apoiarem ao máximo, dormiram comigo, nunca estive só, para que não me faltasse nada". Incrível! As pessoas são incríveis. Abdicar de si, do seu conforto, do seu mundo para deixar de agir e fazer apenas para si e por si, e olhar para os outros. É incrível a capacidade de dar!
No primeiro caso, uma familiar da mãe dizia, "estas coisas só são possíveis quando existe uma boa rede de apoio a todos os níveis. Podemos não ter nada, mas não nos faltam portas abertas!"
Ninguém pediu, não foi preciso! Ninguém precisou de pedir. A ajuda faz-se, oferece-se de alma e coração! Sem nada em troca ou comparações mesquinhas! Incrível!
No dia a dia vejo esta magia a acontecer: a mãe que foi e ajudou, a amiga que fez e aconteceu. Só tenho pena de uma coisa: que nem todos possam gozar desta vivência.
Por isso, e porque sinto que a vida é por vezes profundamente injusta, gostava de ter a grandeza de ser diferente! Gostava de ser rede, de fazer de rede e de conseguir o feito de educar para os outros, para a empatia e para a inter-ajuda. Deus me ajude! E que me ajude também a perdoar quem me tem ofendido...

quarta-feira, 22 de junho de 2016

A M é condicional

A M nasceu em Outubro, logo é condicional, o que significa que faz parte daquelas crianças que em Setembro de cada ano lectivo nunca têm a idade de entrada na sala, por uma questão de meses. E depois duas coisas podem acontecer: ou se pede autorização para uma entrada precoce, ou se adia a entrada para quando a criança já tiver a idade "correcta". Mas neste post vou concentrar-me especificamente na entrada para o 1º ciclo.
Infelizmente, na minha opinião, o que tenho visto nos pais com crianças condicionais é muita pressa. Os pais são muito apressados. Querem que os filhos entrem mais cedo na escola, sejam os mais novos  (e precoces). Têm medo que eles fiquem um ano "atrasados", ou que percam alguma coisa...
Bem, tenho lido bastante sobre isto. Tenho falado com muitos profissionais de saúde e de educação, e observo bastante as crianças que me rodeiam (que são bastantes). O que concluo é que dificilmente alguma criança condicional beneficia realmente com a entrada antecipada na escola. Não há nada que justifique submeter uma criança de 5 anos às regras e exigências do 1º ciclo.
Ao contrário do que algumas pessoas pensam (ou nem sequer pensam...) as crianças precisam de brincar. Muito! É através da brincadeira que elas vão desenvolver as melhores competências para o seu sucesso no futuro. A brincadeira permite ainda que elas ganhem maturidade emocional e social, que pode fazer (faz mesmo!) a diferença para a formação de um adulto equilibrado.
As crianças não atingem a maturidade nas várias vertentes ao mesmo tempo. Há aquelas que parecem muito "desenvolvidas" a nível cognitivo, mas que não sabem de todo lidar com a frustração, ou lidar com a pressão e o erro. Há também aquelas que têm uma enorme capacidade de lidar com as adversidades ao seu redor, que lidam bem com o erro, que têm uma excelente auto-estima, mas que ainda não conseguem permanecer concentradas e quietas por longos períodos de tempo. E ainda há aquelas que até parecem ter isto tudo (parecem!), mas que depois não conseguem atingir os objectivos pretendidos de forma eficiente, quando comparados com os outros alunos. Hiperactividade, défice de atenção, mau comportamento, mau desempenho, crianças inseguras e deprimidas, entre outros tantos diagnósticos podem pura e simplesmente ser fruto de uma tentativa de antecipar o que jamais deveria ter sido antecipado.
Agora, paremos por um bocadinho para pensar no que sentem estas crianças. O que sentirá uma criança que não consegue atingir os objectivos como os outros? Uma criança que não se sente capaz de responder às solicitações e espectativas? Uma criança que não consegue lidar com toda a pressão e exigências que lhe colocam? Que efeitos terá tudo isto na sua auto-estima, na construção da sua pessoa, no seu percurso académico?
Claro que não é garantido que esperar um ano resolva todas estas questões. Mas seguramente poderá ajudar bastantes! E mais, já há estudos que defendem que a generalidade dos rapazes só atinge a maturidade necessária para o 1º ciclo aos 7 anos. Sim, aos 7 anos!!! Então para quê? Para quê antecipar? Qual a vantagem que têm com isso? Será tudo uma questão de ego?
Isto é como tudo na maternidade... Tentar forçar uma competência que o bebé ainda não consegue assimilar, não só não traz vantagens como pode trazer ainda maiores atrasos e problemas.
Mas porque é que os pais têm assim tanta pressa? Porquê? Sinceramente não entendo, porque depois só os ouço a queixar que passou tudo muito rápido e têm saudades das fases que já passaram... Não faz sentido nenhum! Deixem as crianças ser crianças. Elas vão ter todo o tempo de mundo para mostrarem que são competentes, cada uma à sua maneira, cada uma no seu tempo. Então porque antecipar? Do que é que os pais têm medo afinal?
Posto tudo isto, hoje tive uma reunião com a educadora da M. A M vai passar este ano para os 4 anos. Mas ela tem 3... Para mim nunca é demasiado cedo para falar do futuro das minhas filhas, por isso hoje disse à educadora que não quero que a M entre no 1º ciclo com 5 anos. Mas pelas mesmas razões também não quero que a M entre na preparação do 1º ciclo (conhecida por pré, ou 5 anos) com 4 anos. Na sala dos 5 as crianças são preparadas para o que aí vem: "aprendem" as letras, a estar sentadas, ensaiam trabalhos, leitura e escrita. Eu não quero! Eu quero que a M brinque. Todas as crianças com 4 e 5 anos deviam ser obrigadas a brincar. E também não quero que ela sinta que ficou para trás, que ao contrário das outras crianças, ela não é finalista. Por isso, hoje disse à educadora que quero que a M fique dois anos nos 4 anos. Estou em paz com a minha decisão. Acho que tomei uma decisão que vai seguramente fazer a diferença na vida da M, que lhe vai dar tempo para crescer, feliz! Porque no fundo, o que todos os pais deveriam querer para os seus filhos, é isso, que sejam "apenas" muito felizes!

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Lidar com a frustração

É recorrente ouvir falar sobre os limites que as crianças devem ter para aprenderem a lidar com a frustração e do mal que faz quando isto não acontece. Pois hoje pus-me a pensar sobre o assunto: Mas será que existe mesmo esta necessidade real de criar limites? Então analisei o que se passa no meu mundo.
Hoje acordei tarde, tive que correr contra o tempo. A primeira contrariedade que tive foi o tempo. Queria tanto vestir aquela camisola fininha... Estou tão farta de mau tempo! Bem, camisolonas depois, fui acabar de me arranjar. Era hora de tratar das meninas, mas o tempo era curto. Levei logo um balde de água fria, porque o seu índice colaborativo estava muito baixo. Não queriam vestir, não queriam a roupa, não decidiam a roupa, lutaram pelos cereais, pelas colheres, pelos sapatos, a C fez coco mesmo antes de sair de casa e com isto consegui sair meia hora atrasada de casa. Fui pô-las à escola, corri para me vir embora. Tinha de fazer um bolo de anos para amanhã, mas onde é que pus a receita?? Bolas, falta-me um ingrediente. Já não tenho tempo! À hora de almoço combinei com um construtor para me fazer um orçamento para a casa nova. E volto de novo a pensar: esta história de mudar de casa tem-me continuamente posto à prova. Serei eu capaz de mudar? De gerir a mudança? Conseguirei construir uma casa de que me orgulhe? E volto a pensar em todas as coisas que poderia fazer se tivesse condições financeiras para tal.
Ainda agora o meu dia começou e já me deparei com um monte de contrariedades, frustrações, dificuldades. Mas não é isto a vida? O tal jogo de cintura para contornar e ultrapassar os obstáculos com que nos deparamos?
Depois pensei nas meninas: a M queria levar a t-shirt nova para a escola. Até foi à janela chamar o sr calor. A C não queria collants, e teimou que queria uma fralda-cueca e uma fralda normal ao mesmo tempo. A C queria ir no pópó mas não se queria sentar na cadeirinha. Pediram pão no carro, mas eu no meio da confusão esqueci-me de levar. Queriam ficar na escola, mas queriam a minha companhia. Bem, parece que também elas já tiveram a sua dose de frustração nesta pequena manhã, e espera-se que assim continue durante o dia. Não estarão elas a aprender a lidar com o assunto naturalmente? Então de que outros limites estamos a falar? Que outros limites devemos impor? Os que são assim, porque sim? Qual o seu benefício?
No fundo acredito que o contexto e a razão lógica dos acontecimentos dita os limites natural, os quais temos que aprender a lidar naturalmente. Então para quê tanta conversa sobre este assunto?

quarta-feira, 16 de março de 2016

Consulta simpática

Hoje fomos a uma consulta com a M, a um novo pediatra. Segundo as minhas contas, é o 5º pediatra que consultamos. Hoje escolhemos um que nos parece mais receptivo a questões comportamentais (pelo menos escreve bastante sobre isto). A consulta atrasou 1h30, mas sinceramente nem demos conta. Aproveitamos para passear um pouco com a M sempre atentos à chamada telefónica que indicaria a nossa vez.
Como a conversa iria ser essencialmente sobre o comportamento, decidi entrar primeiro para expor a situação. Falei da M desde antes sequer de estar na minha barriga. Falei dela com paixão, preocupação e mágoa. A conversa derivou algumas vezes, e acabou por centrar-se em mim própria em algumas questões. Sobre ela falei do choro, da ansiedade, do medo, do sono, das birras, da fome, da dependência, da fala, das manias, das fúrias, do peso, dos cocós. Acho que fui abrangente. A conversa seguiu sempre calma. Por momentos dei por mim como se estivesse a falar com um pai maduro e sabedor, que ajuda uma jovem mãe a lidar com os desafios da maternidade. Achei também que o seu cuidado em "tratar" de mim era equivalente ao de "tratar" da M, como se se tratassem de duas peças fundamentais do mesmo puzzles.
Foi uma conversa muito rica de quase 2h que ainda não consegui arrumar. Sinto-me over whelming! Apetece-me dizer tudo, mas não me sai nada. Basicamente ele falou do desenvolvimento expectável, das expectativas, das características e do futuro, um futuro que está nas nossas mãos construir. Chamou nomes ao que se passa com a M, e acima de tudo, valorizou o meu discurso. Não, eu não sou assim tão louca ou neurótica. E pelas palavras dele, os acontecimentos dos últimos anos davam de facto um best seller! Fiquei mais calma. Ele deu-me algumas dicas de como poderia/ deveria lidar com a minha filha, mas também me ajudou a começar a desmistificar alguns receios e complexos.
A M também gostou dele, não que tenha simpatizado, mas todo o ambiente inspirava calma e isso refletia-se na sua própria forma de estar.
No fim, e sem pressas, despediu-se "até para o ano", mas ainda voltou atrás para me presentear com sabedoria em palavras escritas!


Muito obrigada Dr Mario Cordeiro.

Dar a mão à palmatória (será?)

Hoje o dia não me correu muito bem! Adormeci e atrasei-me, a Clarinha acordou mal disposta e armou uma enorme birra desde que se levantou. Cheguei tarde à escolinha. Choveu! Ia tratar de uns assuntos quando o telemóvel me indicou que faltavam 10 min para aquela reunião... Estive 3h30 de compromisso! Fiquei de rastos. Fui almoçar fora de horas e após percorrer alguns restaurante acabei por escolher (provavelmente) o pior, que já não tinha quase nada. Seguiu-se uma tarde curta e pouco produtiva. Sentia-me cansada e desmoralizada! Fiz uma pausa para pesquisar (eventuais) novas casas. Fiquei ainda mais desmoralizada. Deixei metade dos "to do" para amanhã, por isso espero que o dia tenha mais horas.
Vou buscar as meninas e sigo a casa com esperança que a moral melhore porque é dia de dança! Despachei-me cedo e pensei "é hoje que chego a horas". No momento seguinte a C agarra-se a mim a chorar porque quer sair comigo. Fiquei mais um pouco, tentei acalmar o seu coraçãozinho. Consegui despegá-la das minhas pernas, mas cheguei irremediavelmente atrasada. Oh bolas! Ainda não foi hoje... A aula não me conseguiu animar. Aliás, o estado parecia ser geral. No fim recebo a notícia de que um conhecido estará com um cancro avançado o que me deixou ainda mais abalada (como sempre estas notícias mexem muito comigo). Vim para casa. As meninas já estavam prontas para ir dormir, mas a M já tinha passado o seu ponto e evoluía em catadupa num estado tonto-histérico. A C mantinha o choro/birra na ponta da língua. Que dia este! E eu cheia de fome... Deitei-as e começou um choro conjunto simplesmente infernal! Mas será que ainda pode piorar mais? O meu estado de enervação começa a aumentar. A minha tendência natural de me juntar à confusão e fazer birra começa a tomar posse de mim! Estou cansada, com sono, fome e desmoralizada! De repente, e talvez por me sentir sem forças para fazer a birra, vou até ao quarto e agarro a C ao colo. O choro cessa. Volta a ameaçar quando a tento voltar a por no berço. Ela também está a ter um dia difícil. Ela precisa da minha calma, do meu calor. Mantenho-a ao colo até acalmar totalmente. Consigo pô-la no berço, mas mantendo sempre o contacto. Em pouco tempo fecha os olhos e deixa-se dormir. Pensei "pronto, vou jantar". Mas nisto oiço "mamã, vem à minha cama sachavor? Só um cadinho?". Voltei atrás. Sentei-me no chão e abracei-a. Fiz-lhe festas até adormecer.
Por incrível que pareça, fiquei mais calma. Também já não tinha assim tanta fome, mas jantei e fui dormir. Deixei o resto por fazer porque amanhã é outro dia e provavelmente será melhor!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Do alto dos meus 3 anos!

Hoje venho falar da M e dos seus 3 anos. Já aqui em tempos fiz um post com uma pequena diferença dos 2 para os 3 anos (aqui), mas na verdade podia ter escrito muitos mais!
Tirando a roupa, os sapatos, as malas e a panca enorme por batons, a M está com muitas outras atitudes dignas dos 3.
Continuam as birras, bastante menos é verdade, mas agora vieram os amuos. Eu ralho ou proíbo e a princesa cruza os braços amuada.
A linguagem ainda está em processo de aquisição e aperfeiçoamento, mas já existem conversas e raciocino lógico mais aprimorado. É mesmo engraçado ouvir os seus discursos e participar nas suas conversas.
As brincadeiras são a sua principal ocupação, mas aqui as mudanças são enormes! Já consegue organizar uma brincadeira ainda que por pouco tempo. Já se preocupa em arrumar o que está no chão (nem sempre!), já consegue fazer alguns puzzles ou fazer jogos simples.
A tv outrora merecedora de pouca atenção, ganhou bastante interesse. Até já existe a capacidade de ver um filme inteiro! Qualquer dia arrisco e ainda vou ao cinema com ela!
Os amigos começam a aparecer. Há os preferidos! Mas também passamos a ter os imaginários (Aqui).
A arte ocupa-lhe uma boa parte do tempo. Pede para fazer o "deshenho" com caneta ou "lápito" e escreve o "seu nome" em todas as suas obras.
Não gosta de ouvir as histórias, gosta antes de as contar.
Está mais extrovertida e mais social. Em casa é mandona e refilona. Consegue estar sempre a dar ordens de comando e berros de irritação. Mas no momento a seguir dá abraços, beijinhos e mostra-se extremamente empática com os outros.
A sua voz passou a ser cantarolada e muitas vezes as suas frases acabam com "láláláááa" ou "toma, tomaaaa".
Começaram as piadas e o sentido de humor apurado! As piadas incluem invariavelmente palavras como "xixi", "cócó", "pipi", "pilinha". Frases como "a mamã é um sapato" ou "a mana é cócó" têm uma graça inexplicável.
Não quer ir para a escola e não quer sair da escola... Gosta de ir para as festas, para as casas das pessoas conhecidas, ir à loja, e ao parque. Ir a "nossha casa" é uma grande honra, destinada só a alguns. No carro pergunta sempre se "vamos tachionar aqui". Tem pouca tolerância a esperar pelo que quer que seja. E na hora de ir para a mesa, ou para a cama, há sempre um sem número de tarefas importantíssimas.
Agora, quase tudo tem que ser negociado, explicado e argumentado.
Nota-se bem a sua personalidade e estilo próprio!
Globalmente acho que volta a ser uma fase muito intensa, de muitas aprendizagens e mudanças. Menos conflituosa, mas bastante desafiante para os pais. Mas é tão bom ver a nossa menina a crescer :)

sábado, 30 de janeiro de 2016

TPCs? Não, obrigada!

Bem, eu na escola das miúdas já devo ser considerada a Masha lá do sítio (desenhos da Masha e do Urso). Para quem não está a ver bem o que quero dizer, costumo dizer que qualquer dia me rosnam à entrada. Se houverem 10 comentários/sugestões/queixas naquela escola, 9 são garantidamente minhas! Em minha defesa digo que todas as minhas intervenções são construtivas, porque me importo, e quero saber. Ofereço sugestões de melhoria e disponibilizo-me para debates ou esclarecimentos. E estabelecidas as regras de convivência a vida corre bem com educadoras e auxiliares que directamente trabalham com as minhas filhas.
Mas no outro dia veio um recado para casa, acompanhado de uma folha grande de papel. Dizia que era para os pais explorarem as suas profissões. Enchi-me de inspiração e desenhei um boneco e uma boneca representativos das nossas profissões. A seguir pedi a M para pintar. Fomos buscar canetas, lápis, brilhantes e foi o delírio da M. O resultado final foi um pouco confuso e a clareza do meu desenho ficou um bocado esbatida. Mas o importante ficou: ela divertiu-se e aprendeu as nossas profissões. Levei para a escola e no final do dia quando olhei para o placar de trabalhos apanhei um choque! Afinal estava perante os futuros artistas tal Picasso do nosso país! Crianças tão pequenas com trabalhos tão elaborados e complexos. Rapidamente percebi que afinal aquele placar era uma montra de vaidades! Então vamos lá ver qual o pai/mãe que tem mais jeito para trabalhos manuais? E com maior criatividade?
Sinceramente, qual o ponto disto? O que é que pretendem? Ainda se podia pensar que seria para que os filhos se sentissem orgulhosos dos pais ou dos trabalhos que levam para a escola, mas tal ideia cai por terra quando vemos as próprias das crianças a perguntar às educadoras "Qual é o meu?". Concluo que é uma forma dissimulada de tentar ser o melhor na escola dos filhos. Mas não basta já estes joguinhos nos locais de trabalho? Temos mesmo que tentar extender ou projectar isto nos nossos filhos? A sério???
Resumindo, chamei a educadora e felicitei-a pelo talento do placar. Pedi desculpa pelo aspecto tosco e desorganizado do meu trabalho, que ainda para mais tem riscos fora da linha e excesso visível de purpurinas. Depois em tom mais sério comentei que não me tinha percebido que o trabalho era para eu fazer, sozinha! Sinceramente nem sequer percebia o objectivo didático e pedagogico disso. E por fim rematei que não estou disposta a fazer TPCs para a escola das minhas filhas, eu já andei na escola, já fiz os meus TPCs e neste momento o trabalho que faço é págo! A educadora ficou estupefacta a olhar para mim. Nunca ninguém lhe deve ter dito tal coisa. Mas como não dou ponto sem nó, acrescentei que por sua vez me mantenho disponível para participar na escola no âmbito do projecto escolar das minhas filhas, o que significa que elas deverão sempre ter o papel principal porque afinal é da sua formação que se trata.
Uns dias mais tarde fui abordada pela coordenadora a pedir explicações pelo sucedido. Repeti exactamente o mesmo e recebi felicitações pela minha posição. Fui ainda informada que "talvez" os outros pais não tivessem percebido o que era para fazer. Ou então, aqui entre nós, ia dar muito trabalho e podia não ficar tão bonito...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Meninos e meninas

Já há uns tempos que tenho vindo a ser bombardeada por artigos e comentários alusivos à igualdade de géneros. Não tenho reagido, mas isto tem me posto a pensar.
Obviamente que acredito na igualdade de direitos (e deveres) entre géneros, igualdade de oportunidades. Mas esta onda de igualdade, confesso, que me incomoda. Para mim não é a mesma coisa casar com uma mulher ou com um homem, não procuro num homem o que "procuro" numa mulher. Não espero que pensem ou ajam da mesma forma. Senão vejamos: naturalmente (diga-se biologicamente) existem diferenças inquestionáveis, que atribuem papéis diferentes a cada um (note-se que referi apenas diferentes, nem melhores nem piores), que se complementam. Estas diferenças são genuínas, estão naturalmente escritas no nosso código genético e é assim que devem permanecer.
Se analisarmos os nossos antepassados, os meninos identificavam-se com os pais e tinham brincadeiras naturalmente mais agressivas, que lhes permitiam preparar as suas actividades futuras. As meninas tinham naturalmente um comportamento semelhante face às suas mães. Qual o problema disto? E isto não quer dizer que as mulheres é que fazem tudo enquanto os homens descansam, claro que não. Ambos trabalham e colaboram de igual forma para atingir o objectivo pretendido - a sobrevivência.
Agora vejamos o que se passa na nossa sociedade: já não é preciso ir à caça, defender dos predadores. Mas reparem genuinamente nas crianças a brincar. Sem influência! Os rapazes são naturalmente (e geralmente) mais agressivos nas suas brincadeiras. E as meninas continuam tendencialmente a imitar as mães. Qual é o problema disto? Não sejamos hipocritas, os meninos podem brincar com bonecos e as meninas com carrinhos. Mas nunca um homem vai gerar uma criança, ou dar de mamar! Porquê fingir que sim? Porquê explicar às crianças que somos todos iguais? Eu acho que somos todos deliciosamente diferentes, e sim, com diferenças de género.
O respeito pela diferença não passa (ou não deverá passar na minha opinião) por ignorar a diferença. Para mim esta é também uma forma de preconceito, esbatido. A diferença deve ser compreendida e aceite tal como é. Os valores que pretendo ensinar às minhas filhas é que há coisas de meninas e coisas de homens, inquestionável! Mas que não há qualquer problema em brincar com coisas de meninos (sim, para mim são de meninos! Foram feitas a pensar no género masculino e nos seus interesses! Estudem marketing!).
Mas mais importante do que tudo, o que lhes quero transmitir é que não é por alguém ser diferente de nós que merece um tratamento diferente.

PS: a propósito deste assunto, a M um dia destes pediu para ir fazer xixi e disse que queria fazer xixi de pé e ao contrário. Bem, lá tive que explicar que as meninas por terem pipi não conseguiam fazer xixi assim (pelo menos sem molhar o chão...). Os rapazes por terem pilinha já conseguiam. E pronto, meninas e meninos são, de facto, diferentes!

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Não exijas o que não podes cumprir!

Definitivamente ando com tempo a mais. Tempo (demais) para pensar na vida, tempo (demais) para não fazer nada. Este compasso de espera (profissional) chega a ser desesperante.
Um dos resultados destas minhas reflexões veio exactamente da procura de casas que falei aqui. Os meus critérios de pesquisa são invariavelmente os mesmo: a mesma zona, casa de tamanho igual ou superior, garagem, elevador e preço possível. E invariavelmente o resultado é uma desilusão! Quando  por brincadeira acrescento mais uns "trocos" ao critério de pesquisa percebo que afinal procuro um sonho que não posso pagar.
 O que fazer? Racionalmente só há duas hipóteses: ou diminuo as exigências ou procuro em zonas da cidade (ou fora) que não estejam classificadas como "as mais caras".
Executo nova pesquisa, e outra e outra vez. A cada uma imagino como seria a nossa vida naquele sítio, e no dia seguinte volto a fazer a pesquisa igual a sempre...
Mas que problema tenho eu?? Porque não consigo aceitar a realidade dos factos? Porque não me consigo sentir tentada a experimentar uma casa/vida num lugar novo? Ter uma casa melhor e eventualmente uma vida melhor? Porque não consigo deixar de pensar em tudo de bom que tenho agora, impedindo-me de procurar ter melhor?
Estes pensamentos levaram-me a pensar na minha filha mais velha. Diagnostiquei à M uma grande incapacidade em saber lidar com mudanças na vida dela. É certo que a vejo passar mesmo mal, e a ficar completamente desorganizada face à mais pequena alteração do que lhe é certo e conhecido. Penso e projecto a vida dela no futuro e tento encontrar formas de a ajudar a lidar melhor com esta característica. Cheguei ao ponto de imaginar como iria sofrer se por qualquer razão decidíssemos mudar de país.
E depois olho para mim. Sair do país? Eu nem sequer consigo sair da freguesia... Algo irracional impede-me de arriscar. Como se só fosse possível ser feliz aqui (e mesmo assim...). Tudo o que aspiro não tenho condições para o possuir: uma vivenda no restelo, um apartamento na Estrela com mais de 200m2, uma moradia unifamiliar no Príncipe Real...
Parece que afinal a M tem a quem sair. E isto parece-me relevante, porque da próxima vez que achar que ela está a ter uma reacção ou comportamento menos bom ou desajustado, talvez não fosse mal pensado tentar por-me na posição dela e perceber afinal o que ela está a sentir e ajustar o que exijo dela, já que não o consigo exigir de mim!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Coisas simples e boas: o glorioso!

Se bem me lembro, há sensivelmente 3 anos que o maridinho e o cunhado travam uma missão de converter as minhas filhas ao fanatismo clubista, neste caso sportinguista. Não ligo a futebol, mas simpatizo com o Benfica, claramente por influências em tenra infância de parte da família que não a materna. Sempre disse que não achava bem, que elas têm tempo de tomarem as suas próprias decisões, e que a influência excessiva seja do que for me parece errada.
Então hoje de manhã, estávamos a vestir para ir para a escola e o marido começa a cantar a música do  hino sportinguista. Não poupou a M da explicação do que era. Sem grande exaltação eu disse apenas que o pai gosta do Sporting e que a mãe gosta do Benfica. Então a M, num rasgo de surpresa e genuinidade exclamou:

"Oh pai, eu não shou do shpoting não! Eu shou do Benfica!"

Que orgulho filhinha!!!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Inesperada simpatia!

A C hoje pediu pão. O pai veio com o pão. Sem pensar muito no que estava a fazer, disparei automaticamente: "o que é que se diz ao pai?"
E ela diz "Odidada!"
Ficámos os dois a olhar um para outro. Foi mesmo ela? Mas quem a ensinou? Opá, que fofa!!!

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Update das noites sem dormir

Na verdade não são noites sem dormir, são noites que tardam a dormir e que causam dias muito difíceis...
Bem, estou muito satisfeita! A M agora demora uns 5 minutos a adormecer. Mas mais importante que isto, parece outra criança. Anda mais calma, serena, participativa e disponível. Brinca, canta, conversa. Claro que ainda faz birras, e ainda bem porque está na altura delas, mas até nisso noto diferença. É mais fácil conversar, resolver e aprender com a birra. A sensação que eu tenho é que ela antes não fazia birras, mas simplesmente estava em transe!
Para acalmar os críticos mais duros, falei com o pediatra que me descansou imenso. Disse que não há problema em dar, que a dose dela são 6 gotas (dou 3) e que dado contexto que descrevi era mesmo o mais indicado a fazer.
Obrigada instinto materno que me guia as acções!

3 anos!

No Sábado fez 3 anos em que iniciei esta aventura da maternidade. A maior aventura da minha vida. 3 anos com muitos altos e baixos, os 3 anos mais desafiantes da minha vida. Mas também os mais ricos, os que mais me ensinaram, os que mais me fizeram crescer. Percebi que ser mãe traz ao de cima o melhor e o pior de nós. O difícil está em encontrar o equilíbrio.
São 3 anos a dar de mamar,
são 3 anos a aceitar e moldar um novo corpo, novos cabelos brancos,
são 3 anos a gerir o cansaço que teima em pesar-me os olhos e que julguei nunca ser capaz de suportar,
são 3 anos aprender a ser mais tolerante, até comigo mesma, de não ter as verdades inquestionáveis assim tão intocáveis,
sao 3 anos a aprender a ser melhor, a fazer melhor, a portar melhor,
são 3 anos de uma ocupação que nunca acaba, dia e noite, sem férias ou folgas,
são 3 anos a viver com o coração da boca, com os sistemas em alerta, de garras de fora,
são 3 anos a viver para fora de mim por algo maior, tão maior que nunca pensei existir,
são 3 anos a recalcular as prioridades, horários, necessidades,
são 3 anos de novos programas, novas amizades, novas conversas, novas lojas e literatura.
Mas essencialmente são 3 anos que dão sentido à vida, que me completam, que me enchem o coração com um amor e orgulho inimaginável!
Por tudo isto e muito mais,
Parabéns e Obrigada Maria Francisca.

domingo, 25 de outubro de 2015

O dia em que dopei a minha filha

A minha vida continua um caos. Não me vou alongar muito a este respeito e espero que entendam a minha fraca assiduidade por aqui. É uma fase. Vai passar...

E assim também eu pensava em relação à M. Aliás, penso todos os dias, às vezes todas as horas, várias vezes por minuto... Será próprio da idade? Será ainda a questão da adaptação à escola? Estará com algum problema que não estou a conseguir compreender? Serei eu que lhe estou a passar a minha ansiedade e desespero? Provavelmente será um bom cocktail destas e de outras razões que não me sinto iluminada para discernir. Mas passando as razões ao largo, em termos práticos tenho um problema para resolver!
A M. neste momento faz birras por tudo (e por nada). As mais recorrentes estão indiscutívelmente relacionadas com a roupa a vestir. Mas este é outro post... As birras acontecem de manhã, logo a seguir, à tarde, à noite ou em qualquer outra altura que não dê jeito. Tendem a começar logo ao acordar e conseguem arrastar-se por longoooos minutos que me desesperam, me tiram do sério, me levam a energia. Tenho chegado atrasada a todo o lado, cansada e de mau humor. Eu bem sei que a minha postura deveria ser bem diferente, mas desculpa lá Mundo-todo-que-critica, desculpem lá entendidos em boa educação e mães perfeitas, eu simplesmente não estou a ser capaz!
Bem, a outra altura de festa garantida é a noite. Normalmente começa logo ao sair da escola com um "Pa casa nãoooooo!!!", seguido de "Quelho boácha, duas mamã!", que depois de transforma em "Pó banho nãoooo". Podia continuar, mas acho que já entenderam a ideia. Hora de dormir: piora em todos os sentidos. Começam os disparates patetas, o descontrolo total, o não querer ir para a cama, o não querer o pijama/cuecas/meias ou o que vier à imaginação, os mil e um xixis... As HORAS passam e a paciência também... Em modo pseudo racional deixo-a estar a acalmar-se, ou ralho, ou abraço, ou falo e argumento, ou grito que nem louca, ou fico junto dela, ou desisto e passo a bola... Enfim, já tentei de tudo, e nada parece resultar. Até porque faça o que eu faça, sou sempre eu que sou chamada à boca de cena. Mais ninguém tem permissão para entrar, para ficar, para fazer seja lá o que for. Só a "minha mamã!". O coração (e o resto do corpo todo) ficam divididos, num sentimento de culpa atróz, numa incapacidade de controlar os meus próprios nervos, num chamamento instintivo de uma cria. E assim se cria um ciclo: descontrolo para dormir, adormecer muito depois da hora "prevista", num estado muito diferente do "previsto", com manhãs dificeis de acordar e por isso também elas tempestuosas... Um novo ciclo começa (ou piora) a cada novo serão.
Ontem cheguei ao meu limite! E isso fez-me pensar seriamente que a maior prejudicada nisto tudo é, sem duvida nenhuma, a M. Ela não descansa e está a passar mal com isso. Quanto menos dorme, pior a situação. Então cometi uma daquelas que eu sempre torci o nariz. Daquelas que eu acho que põem qualquer mãe a questionar muita coisa dentro de si. Eu fui à farmácia e dopei a minha filha para ela dormir. Em minha defesa, o produto é "natural", dentro dos "que não fazem mal nenhum, nem criam qualquer dependência", e que até "os pediatras recomendam imenso"...
O que é certo é que eu não quero ver a minha filha no estado em que tem andado. É verdade que também não me quero ver no estado em que EU tenho andado. Mas uma mãe também tem que perceber que há alturas que não consegue mais, e que mais importante que os seus "pressupostos" é o bem estar das crianças, e da familía por consequência.
E agora estarão eventualmente a pensar "E resultou?"
Bem, mais ou menos. Foram 5 gotinhas apenas (eram 4, mas a ultima caiu por engano). Demorou menos a adormecer, se bem que ainda longe do que eu acho "saudável". Mas a C. hoje decidiu boicotar o esquema. Hoje foi ela que fez fita (também tem direito, é certo!), e não deixou a irmã adormecer mais cedo. Mesmo assim notei uma enorme diferença no estado geral da M. Não fez birra, esteve calma, serena, visivelmente mais relaxada, mais receptiva. A noite decorreu muito mais calma, sem zangas ou reprimentas, sem gritos ou choros. E só por isso já valeu muitooo a pena!

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Ser mãe não é fácil

Tenho a cabeça a latejar. Tenho sono, sinto-me um pote de ansiedade, preocupação e medo. Tenho um prazo muito dificil para cumprir, profissionalmente. Mas o Mundo não parou por minha causa. O Mundo não parece sequer ligar, ou estar minimamente compreensivo com o meu estado de espírito. Perante a minha pouca disponibilidade mental, as minhas filhas também não parecem compadecer-se. Deveriam? Gostava que a resposta fosse outra, mas elas são apenas crianças a serem crianças, e eu? Eu antes de qualquer outra coisa, vou ser sempre mãe...
Nem sempre vou ser a mãe que gostaria, nem sempre vou conseguir, nem sempre me vai apetecer sequer tentar. Posso apenas prometer que me vou esforçar, vou tentar.

Mas esta conversa toda porque hoje, enquanto mãe e pessoa, tive que lidar com sentimentos dificeis e contraditórios. Como é que é possível querer abraçar e "espancar" a mesma criança ao mesmo tempo?

A tia Ná deu um livro à M. Não é apenas um livro, é o seu livro! Uma relíquia em forma de livro. O seu livro preferido de infância, e ela deu-lhe. Só por isto, aquele livro já tem o dobro do seu tamanho.
A M adorou. Há vários dias que o elegeu como o seu preferido também. Passeia-o, folheia-o vezes sem conta. Ontem pediu-me para ficar com o livro ao pé de si na cama. Sei que "a cama" não é uma situação fácil para a M, por isso deixei...

Mas houve um zaguizado. Ela portou-se mal e eu ralhei. Acho qua talvez me tenha portado mal também. O que se sucedeu calculo que tenha sido uma descarga de frustração. "Estou zangada! Não quero dormir! E a mãe ralhou!" Deve ter sido mais ou menos esta a lógica de pensamentos, presumo eu. E numa incapacidade de lidar com toda uma avalanche de sentimentos, o livro, o tão adorado livro, foi quem sofreu.

Mais tarde, já todos dormiam, fui ao quarto como sempre, tapar as meninas. O meu coração não queria acreditar quando viu o livro rasgado em mil bocadinhos. Ela dormia serena. O meu marido disse que achava que o livro deveria ficar assim até ela acordar e que deveriamos falar com ela, em vez de ralhar. Concordo! Ou concordaria se fosse capaz...

De manhã, sozinha com as duas, veio a tal conversa: "A mamã está triste com o que tu fizeste. E a tia Ná ainda vai ficar mais triste quando souber. Quando estamos zangados não devemos estragar as coisas. Para além de não resolver nada, ainda nos faz sentir melhor e deixar os outros tristes". O primeiro impacto não foi mau. Ela respondeu que é uma menina crescida e que não pode estragar os livros. Também disse que ia apanhar o livro para a mamã.

Mas o meu coração estava realmente magoado. Senti-me ferida! Estava a fazer um esforço enorme para me controlar. Para ser paciente e compreensiva. Estava a tentar não a julgar ou castigar, como se o seu nível de maturidade fosse igual ao meu. Mas não é fácil. Quando temos o coração cheio de sentimentos maus, é dificil criar espaço para se ser positiva.

Também lhe disse que íamos tentar arranjar o livro logo à noite. Dizer que fez mal sem lhe dar uma alternativa para tentar minimizar o estrago, é pouco útil. Mas ela percebeu que eu não estava assim tão calma. Ela também não estava assim tão calma. E começou a exigir de mim. Disse-lhe que estava nervosa e que não me queria chatear. Que estava a fazer um esforço para não ralhar nem me chatear, e que ela me devia dar uns minutos. Mas ela não o fez. Ela não o sabe fazer! Ela não entende. Se eu não consigo controlar as minhas emoções para ajudar a minha filha a aprender com o que fez, como posso esperar que a minha filha de (quase) 3 anos controle as suas? Seguiu-se uma enorme birra!

A minha resposta não foi a melhor. Distribuí gritos por tudo e por todos. Gerei um clima de confusão e hostilidade. Eu também estava a fazer birra. Eu também estava a exteriorizar a minha tristeza e frustração. E também não da melhor forma possível. Se calhar devia ter ido rasgar um livro ou dois... Os livros são bens materiais. É certo que os devemos preservar. Devemos cuidar dos objectos, e cuidar também daqueles que são especiais para os outros. Mas no fundo, não passam de objectos.

Cada grito que dei às minhas filhas, cada ralhete, cada atitude menos correcta, vai moldar a forma como elas vão reagir às suas próprias emoções no futuro. O meu papel de mãe é ensinar-lhe caminhos para lidar com as emoções e dificuldades que elas vão encontrando. Mas como fazer isso quando nem eu consigo controlar as minhas? Como posso exigir a uma criança algo que nem eu consigo fazer? É assim tão diferente o que eu fiz do que ela fez? Será que ela deixou as pessoas mais tristes com o que ela fez, do que eu?

Pensar nisto com distanciamento permite ver as coisas de outra forma, embora não me garanta que vá fazer melhor de futuro. Vou pelo menos tentar! Talvez devesse fazer um poster e colocar no meu quarto para não me esquecer:

Uma criança de 3 anos não entende o sentimentalismo associado a objectos.
Uma criança de 3 anos não consegue controlar os seus impulsos em caso de frustração.
Uma criança de 3 anos não tem real noção das consequências das suas acções.
Uma criança de 3 anos não sabe lidar com a maior parte das emoções fortes.

Mas um adulto sim...

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

A escola da M

Hoje foi o dia em que a M, quando saiu do portão da escola, disse: "quelir pá shcola mamã"!
Depois de uma semana inteira a acordar a chorar a dizer que "shcola não mamã, shcola não", e apesar de não chorar desde ontem quando a deixo, nada fazia prever este pedido. Segundo tenho percebido ela tem se divertido muito por lá. Ri como nunca, brinca, corre, salta! Está feliz a minha princesa.
E a tudo isto acresce o sentimento de estar crescida "eu shou uma menina quescida mamã, tou na shala da Rita". Pois é, está mesmo a ficar crescida a minha bebé grande!